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Princesa Haya e Emir do Dubai protagonizam divórcio milionário

A filha do rei Hussein da Jordânia e o vice-presidente dos Emirados Árabes disputam em Londres a tutela dos filhos.

Ana Paula Homem
13 de agosto de 2019, 10:44

A batalha do bilionário sheik do Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, de 70 anos, com a mais nova das suas seis mulheres, a princesa Haya bint Hussein, de 45, pela custódia dos filhos, a princesa Al-Jalila, de 11 anos, e o príncipe Zayed, de sete, já começou, com as primeiras audiências a decorrerem a 30 e 31 de julho no Supremo Tribunal de Londres.

Para aquele que se arrisca a ser um dos divórcios mais caros de sempre, as partes litigantes escolheram aquelas que são consideradas as duas melhores advogadas de direito de família em Inglaterra: Haya será representada por Lady Helen Ward, conhecida como a “Grande Dama dos Divórcios”, Al Maktoum pela baronesa Fiona Shackleton, tratada por “Magnólia de Ferro”. Ambas cobram honorários que rondam os 700 euros por hora e representaram muitos clientes famosos. A título de exemplo, Shackleton mediou os divórcios dos príncipes Carlos e André e Ward os de Paloma Picasso, Andrew Lloyd Webber e Cheryl Cole.

Apesar de não se saber exatamente quando foi a fuga, a princesa Haya não é vista desde o dia 20 de maio. As suspeitas de que algo não estaria bem, no entanto, só surgiram quando, ao contrário do que sempre acontecera, Haya não acompanhou o marido às corridas de cavalos de Royal Ascot, entre 16 e 20 de junho. Mas só nos primeiros dias de julho rebentaram as notícias de que a princesa teria fugido, começando por viajar para a Alemanha e dali para Inglaterra, onde se teria refugiado na mansão de 90 milhões de euros que possui em Londres, perto do Palácio de Kensington.


Quanto ao motivo que levou a sexta mulher de Al Maktoum a este gesto de desespero, terá sido, segundo a maior parte da imprensa internacional, o facto de temer pela vida, depois de ter percebido finalmente que foram os maus-tratos que o pai lhes infligia que levaram duas das filhas do sheik, as princesas Shamsa e Latifa, a tentar, sem sucesso, fugir do Dubai.


Shamsa tentou mudar o seu destino há 20 anos, quando tinha apenas 19. A jovem encontrava-se numa das enormes propriedades que o pai tem em Inglaterra quando desapareceu, mas seis semanas depois foi encontrada por espiões do sheik em Cambridge e enviada de volta para o Dubai. Condenada a oito anos de prisão, nunca mais foi avistada. Uma história agora confirmada por um sobrinho do emir, Marcus Essabri, que a 19 de julho revelou ao programa de televisão australiano 60 Minutes ter cartas em que a prima lhe pedia ajuda para fugir. Na mesma ocasião, Essabri disse acreditar que este divórcio vai mostrar finalmente como o seu tio maltratou as duas filhas. “A pessoa que sabe a verdade sobre o que aconteceu com as minhas primas Latifa e Shamsa é a princesa Haya”, frisou, adiantando: “Espero que ela use este caso para dizer ao mundo como têm sido tratadas. Ela tem a oportunidade de fazer alguma coisa por estas pobres mulheres.”

Quanto a Latifa, hoje com 33 anos, depois de uma primeira tentativa de sair do país pela fronteira com Omã, em 2002, que de imediato foi gorada e levou o sheik a sentenciá-la a três anos e meio de prisão, fez uma nova tentativa em fevereiro de 2018, que estaria a planear há vários anos. Com a ajuda de uma amiga finlandesa e um amigo francês, começou por sair do Dubai por Omã e dali evadiu-se de jet ski até um veleiro que a esperava no oceano Índico, a uma considerável distância da costa. Já perto da Índia, o iate foi intercetado por um grupo conjunto de forças especiais indianas e do Dubai e uma vez mais a jovem foi reconduzida ao seu país natal, não sendo vista durante largos meses.
Antes desta fuga, Latifa gravara um longo vídeo, que enviou para um advogado americano pedindo que, caso fosse mal sucedida, aquele fosse divulgado. Nesse impressionante registo, em que se percebe bem o seu pavor, a jovem princesa acusa o pai de as ter submetido, a ela e à irmã mais velha, a longos períodos de prisão em isolamento, de as drogar e torturar. Indo mais longe, diz mesmo que o pai é o autor de inúmeros assassinatos.

E terá sido este vídeo a alertar Haya, que terá começado a indagar o que se teria realmente passado. Entretanto, certamente forçada pelo marido, em dezembro de 2018 a princesa convidou Mary Robinson, ex-Presidente da Irlanda e antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, para ir ao Dubai encontrar-se com Latifa, que, na versão oficial, teria fugido por estar mentalmente doente, estando a receber tratamento psiquiátrico. Nas três fotos desse encontro que foram divulgadas a princesa não tem qualquer expressão facial. Robinson referiu depois que a jovem estava perturbada e que teria dito estar arrependida de ter tentado fugir. Várias organizações de luta pelos direitos humanos condenaram veementemente Robinson por ter acreditado na versão que lhe foi dada oficialmente e por não ter percebido que, tendo o encontro ocorrido num dos palácios do sheik, tudo fora encenado por este.

Filha de um dos reis do Médio Oriente mais respeitados a nível internacional, o falecido Hussein da Jordânia, um homem que fez estudos em Inglaterra e que demonstrou, ao longo dos 47 anos em que ocupou o trono (entre 1952 e 1999), uma abertura de mentalidade inigualável naquele tempo num país muçulmano, a princesa Haya bint Hussein da Jordânia recebeu uma educação ocidental – andou em colégios internos em Inglaterra e depois estudou Filosofia, Política e Economia na conceituada Universidade britânica de Oxford – e foi habituada, desde a infância, a um estilo de vida diametralmente oposto àquele que é ainda hoje a realidade da maioria das mulheres islâmicas. Como tal, o seu casamento, em 2004, com o bilionário emir do Dubai, 25 anos mais velho, poderá parecer estranho, uma vez que Haya não precisava nem de estatuto nem de dinheiro, e desde o tempo do seu pai, que foi casado com quatro mulheres plebeias, entre elas uma inglesa e uma americana, que a família real jordana não fazia uniões por interesse. Ou seja, tudo indica que a jovem e bonita princesa gostaria mesmo do mal encarado Al Maktoum, com o qual começou a conviver graças a uma paixão comum: os cavalos. Ambos são exímios cavaleiros – Haya representou mesmo a Jordânia nos Jogos Olímpicos de 2000 – e o emir é um grande criador de puros-sangues.

Emir do Dubai e também primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, Al Maktoum, que se orgulha de ter sido o grande modernizador do seu país, hoje um dos principais destinos turísticos de luxo do mundo, viu a sua imagem a nível internacional sair altamente prejudicada com este escândalo, que está mesmo a criar alguma tensão diplomática com Inglaterra, Alemanha e, sobretudo, com a Jordânia, uma vez que Haya é meia irmã do atual rei jordano, Abdullah II.

Para tentar controlar os estragos, o emir, que num primeiro instante partilhou no Instagram vários poemas raivosos sobre a mulher, entre eles um em que dizia: “Não me interessa se vives ou morres”, mudou rapidamente de estratégia. Primeiro, partilhou um outro poema em que acusava a mulher de traição: “Traidora, traíste a confiança mais preciosa e o teu jogo foi revelado. Os teus dias de mentira acabaram e não importa o que nós éramos e o que és.” Em seguida fez circular rumores de que a princesa teria um caso com um dos seus guarda-costas, Russell Flowers, um antigo militar inglês. Claro está que os tabloides britânicos deram de imediato grande eco a esse alegado romance.
Na sua tentativa desesperada de desmentir tudo o que se tem dito sobre ele, o sheik deu-se mesmo ao trabalho de fazer uma sessão fotográfica e um vídeo em que aparece em grande cumplicidade com alguns dos filhos (tem 23 vivos) e a trocar gestos de carinho com os netos. Outra encenação pouco convincente e que dificilmente calará a opinião pública internacional. Mais do que uma batalha legal entre marido e mulher, este divórcio poderá ser um importante marco na luta pelos direitos das mulheres islâmicas.

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