Desde que a princesa Leonor e a infanta Sofía eram ainda crianças, sempre foi notória a proteção de Letizia em relação às filhas, que não apareciam em público com frequência. Foi só em outubro de 2019 que a princesa Leonor, que estava prestes a fazer 14 anos, discursou pela primeira vez em público na entrega dos Prémios Princesa das Astúrias. Já a sua irmã Sofía demorou mais alguns meses até se estrear a falar para o público. Fê-lo já em 2020, durante o primeiro confinamento, quando em conjunto com Leonor leram um excerto de “Dom Quixote”, a propósito do Dia do Livro.
Na obra “Felipe VI. Un rey en la adversidad”, da autoria do jornalista espanhol José Antonio Zarzalejos, encontra-se um capítulo dedicado à princesa herdeiro, onde o autor revela um pouco mais sobre a forma como os reis de Espanha, em especial a rainha, se dedicam a educar as duas filhas, falando ainda sobre os desafios de Leonor para o futuro.
“A princesa Leonor sabe que é herdeira do trono, do peso desse destino e age em consonância [com isso]. Os Reis apostaram numa educação muito familiar, estabelecendo os quatro uma permanente corrente de carinho, afeto e, em simultâneo, de disciplina e exigência”, escreve o autor.
A mesma obra fala também da relação que Letizia tem com as filhas, que não será tão exigente quanto por vezes a imprensa internacional faz parecer. “Letizia consegue das filhas os comportamentos que aspira para elas mediante a persuasão e a implicação pessoal na sua vida, seja nos estudos, amizades, tempo de lazer ou aprendizagens. É exigente, mas extremamente carinhosa com elas e afável com as suas amigas e colegas. Existe entre as filhas e a mãe uma cumplicidade real e sincera na qual não ocorrem imposições”, refere o mesmo livro. “Letizia fez da educação das suas filhas o seu objetivo principal e prefere que nessa missão não entrem, pelo menos por enquanto, terceiras pessoas”.
A obra refere ainda a importância que os reis dão à forma como é fomentada a relação entre a família, “criando uma relação saudável entre pais e filhas”, e revela um pouco sobre a educação privada que a princesa e a infanta recebem. “Não é verdade que estejam isoladas. Pelo contrário, a rainha ocupa-se pessoalmente de que ambas façam planos com amigas do colégio ou de outros círculos, que saiam da Zarzuela para irem ver espetáculos, que façam compras, vejam exposições, ainda que o façam sempre de forma discreta. Em grupo, a princesa e a infanta são apenas mais duas jovens iguais às outras e comportam-se com naturalidade”.