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João Lima

Conceição Queiroz: “Tem sido importante assumir a minha africanidade”

A comemorar 25 anos de carreira, a jornalista da TVI revela ser uma mulher de causas dentro e fora da televisão.

Marta Mesquita
9 de fevereiro de 2020, 17:00

Quando estava no 9.º ano, uma professora disse-lhe que jamais seria alguém na vida. Enganou-se. A comemorar 25 anos de carreira, Conceição Queiroz, de 45, é uma jornalista respeitada na televisão nacional, contando já no seu currículo com 17 prémios, entre eles o Prémio Maria Barroso – Jornalismo ao Serviço da Paz e do Desenvolvimento. Mulher de causas, a pivô moçambicana tem posto o seu talento e sensibilidade a favor dos mais fracos, dando-lhes um rosto e uma voz, missão que não termina quando sai do estúdio ou quando acaba de editar uma reportagem. Mais do que um trabalho, ser jornalista é uma “coisa de sangue”, uma paixão que a levou a deixar para segundo plano a sua vida pessoal, como nos contou numa conversa franca com vista para o mar.

– Às vezes, pensa na advogada que teria sido se tivesse optado pelo sonho de seguir Direito?

Conceição Queiroz – Teria sido uma péssima advogada. Mas estaria a dar tudo para defender os mais fracos, tal como faço no jornalismo. A vida trocou-me as voltas. Pensava que seria advogada e fui parar ao jornalismo. Uma professora no 11.º ano sugeriu-me que me tornasse jornalista e acho que foi a profissão que acabou por me escolher, até porque nem me licenciei na área da comunicação. No primeiro ano da faculdade, quando estava a tirar Política Social, comecei a fazer rádio e adorei. Esse primeiro contacto na faculdade deixou-me curiosa e quis saber mais sobre o que era isto do jornalismo. Entretanto entrei no Rádio Clube Português, depois fui para o grupo Semanário e percebi a força que o jornalismo poderia ter. Para mim, ser jornalista é uma coisa de sangue. [Emociona-se.] É uma missão, algo que se entranhou em mim.

– E não é uma área fácil…

– Não. É muito fácil desistir-se nesta área. Tenho muitos amigos que ficaram pelo caminho. O jornalismo exige uma entrega muito grande, os dias são avassaladores e tudo isto faz-nos amar ou odiar a profissão. E eu amo o que faço. Sinto que, 25 anos depois, mantenho o entusiasmo e ainda me emociono. Isto mexe comigo. Fiz um grande investimento pessoal nesta profissão.

– Sente que para se dedicar totalmente à sua profissão teve de deixar, em alguns momentos, a realização pessoal para segundo plano?

– Sim, mas fi-lo de forma inconsciente. Não pensei no que teria de pôr de parte para me poder entregar a esta profissão. Tudo aconteceu naturalmente. Quando estava a fazer reportagem, dei por mim a sair de Portugal e a estar fora durante 20, 30 dias, regressar para montar a peça e voltar a arrancar. E com esse ritmo é fácil deixar para trás outras coisas. Mas ver e ouvir em primeira mão tantas histórias é um privilégio. Esta profissão preenche-me. Nunca pensei no que deixei para trás para me poder dedicar por inteiro ao jornalismo. Contudo, esta profissão, quando é vivida de uma forma séria, também nos leva ao limite.

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