
João Lima
A famosa expressão “menos é mais” define o estilo de vida de Cláudia Ganhão. Durante vários anos, o trabalho que tinha na indústria farmacêutica e as exigentes rotinas familiares impediram-na de seguir em pleno esta filosofia que tanto a cativava. Até que no ano passado Cláudia deixou o seu emprego e passou a encarar o minimalismo não só como uma escolha pessoal, mas também como um caminho profissional, dedicando o seu site homónimo a este tema.
Além de se sentir muito mais realizada, a especialista em minimalismo garante que o marido, o piloto de aviação Bruno Ganhão, e os filhos, Lourenço, de seis anos, e Laura, de oito, também saíram beneficiados com esta sua mudança de vida, uma vez que passaram a desfrutar muito mais de momentos a quatro.
Ao lado da família, Cláudia abriu as portas da sua casa, em Lisboa, e contou como o minimalismo a tornou uma mulher mais serena, que não precisa de muito para ser feliz.
– Como é que o minimalismo entrou na sua vida?
Cláudia Ganhão – O minimalismo já me apaixona há muito tempo. Sempre li muito sobre o tema e acompanhava algumas pessoas que já o aplicavam no seu dia a dia. Ao longo de vários anos tive uma vida muito ocupada, trabalhava na indústria farmacêutica e andava sempre de um lado para o outro. Entre a casa, o trabalho e os miúdos, não sobrava tempo para aplicar esses conceitos. Até que, em 2016, um episódio na nossa esfera familiar levou-nos a equacionar a vida que tínhamos. O meu marido e eu percebemos que não poderíamos continuar com aquela correria e vimos que um de nós teria de se dedicar mais aos miúdos.
– E foi fácil trocar um emprego certo por um estilo de vida completamente novo?
– Trabalhei na indústria farmacêutica até ao ano passado, quando pedi uma licença. Estava com receio de me desvincular totalmente. Desde então, o minimalismo é mesmo a minha paixão. Mais do que uma paixão, o minimalismo ajudou-me a mudar de vida. Mas foi um processo… Quando vim para casa, estava com muitas expectativas. Pensava que iria ter tempo para cuidar da casa, dos miúdos e que ainda conseguiria ir ao ginásio, ler e escrever. E dei por mim com tantas coisas para fazer que comecei a sentir-me assoberbada. Percebi que a minha casa tinha muito ruído. E foi aí que apliquei o minimalismo no meu dia a dia.
– E por onde começou?
– Comecei pela casa. Destralhei imenso. Foi a mudança mais visível. Tinha coisas duplicadas e que não usava há anos! Havia muitos objetos que me impediam de ter uma vida mais descontraída, porque estava sempre a limpar e a arrumar. Foquei-me no essencial, valorizando aquilo de que gostava realmente e o que a minha família e eu precisávamos.