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Na sua última entrevista, Roberto Leal mantinha a força de viver e o amor à família

“Você está à beira de partir deste mundo e quer ficar mais um pouco. Para ver crescer as suas netas, para ver as vitórias dos seus filhos, deixar a sua companheira em paz, pedir perdão e desculpas pelos maus-tratos", confessou.

CARAS
16 de setembro de 2019, 15:13

No momento em que Portugal e Brasil se despedem de Roberto Leal, que morreu este domingo, 15 de setembro, aos 68 anos, é recordada aquela que foi a sua última entrevista.

Concedida à apresentadora Veruska Boechat no programa Aqui na Band. Ao longo da conversa, o cantor recorda as dificuldades dos pais ao emigrarem para o Brasil na companhia de 10 filhos menores, na década de 1960, onde viria a desenvolver uma carreira como músico.

Desde tenra idade que a música e a possibilidade de subir ao palco - muitas vezes na sua imaginação de criança - o entusiasmaram para uma carreira artística. Nascido em Vale da Porta, Macedo de Cavaleiros, foi na vida campestre que este sonho ganhou forças, tornando-se aquilo que apelidou de "a viagem da sua vida".

De nome próprio António Joaquim Fernandes, assumiu artísticamente o nome de Roberto Leal por sugestão do seu professor de canto: Leal porque era cumpridor das suas obrigações e horários e Roberto porque seria o Roberto Carlos dos portugueses pelo sucesso que viria a ter. Sobre o país de origem, Portugal, diz ser esse o seu público mais desafiante. “Demorei 30 anos para conquistar Portugal.”

Durante anos, admite, julgou que o dinheiro poderia comprar tudo, e chegou a iludir-se com o sucesso, anos que qualifica como "terríveis". "Achei que podíamos comprar a felicidade", disse. As fases menos boas da sua carreira fizeram-no perceber que as dificuldades também faziam parte do caminho.

Passou dois episódios particularmente difíceis, que o fizeram despertar para o valor da vida: um jantar na casa da praia, durante o qual, pelas quatro horas da madrugada, os convidados decidiram todos toma banho de piscina, o que quase lhes terá roubado a vida, visto que já teriam consumido álcool em excesso. E um outro, num acidente de viação: “Eu estava sozinho com um camião atrás. O carro ficou destruido. Não entendo, até hoje, como é que sobrevivi”, recorda.

Nos últimos dois anos de vida lutou contra um cancro nos últimos dois anos extremamente agressivo que atingiu as pernas, a coluna e os olhos. Sobre o diagnóstico recorda o momento antes de entrar para o bloco operatório, no qual o seu carácter devoto se tornou mais evidente: “Deus, a partir deste momento eu entrego-me em Tuas mãos. Já não tenho mais forças."

Dedicado à mulher, Márcia, com quem teve três filhos - Rodrigo, Manoela e Victor -, o seu desejo de viver manteve-se até ao fim, alimentado pelo amor da família: “Você está à beira de partir deste mundo e quer ficar mais um pouco. Para ver crescer as suas netas, para ver as vitórias dos seus filhos, deixar a sua companheira em paz, pedir perdão e desculpas pelos maus-tratos.”

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