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Dior apresenta coleção num palácio marroquino digno das mil e uma noites

As impressionantes ruínas do Palácio El Badi, em Marraquexe, edifício do século XVI cujo nome significa “o incomparável”, receberam o desfile concebido pela atual diretora criativa da Dior, Maria Grazia Chiuri, que pretendeu criar, através das suas roupas, um diálogo cultural entre a Europa e África.

Ana Paula Homem
18 de maio de 2019, 17:31

Construído em Marraquexe no final do século XVI pelo sultão Amade Almançor para celebrar a vitória contra o exército português de D. Sebastião em Alcácer Quibir, o Palácio El Badi, cujo nome significa “o incomparável” – e consta que de facto o era –, foi mandado demolir 100 anos depois pelo sultão Mulai Ismail, que usou a pedra para erigir o seu próprio palácio. Por isso, hoje pouco mais resta do que um amplo pátio cercado por muros altos que envolvem jardins de laranjeiras, algumas ruínas dos austeros edifícios de outrora e um imenso espelho d’água com 90 metros de comprimento por 20 de largura. E foi a borda deste tanque, iluminado por mais de três mil velas flutuantes e várias piras flamejantes, que serviu de passerelle para que 113 modelos, entre eles a portuguesa Maria Miguel, desfilassem a luxuosa coleção especial de alta costura Croisière 2020 da Dior.
Para aquele que foi o primeiro desfile de uma grande casa de moda internacional em Marrocos, a diretora criativa da maison parisiense, a italiana Maria Grazia Chiuri, concebeu uma coleção que, sem renegar algumas peças ícones que fazem parte do ADN da Dior, como os cortes New Look de Christian Dior e de Yves Saint Laurent ou os tecidos-selva de Marc Boham, criou um verdadeiro diálogo de culturas. Porque, como partilhou nas redes sociais, citando palavras do escritor marroquino Tahar Ben Jelloun no livro O Racismo Explicado aos Jovens, “a cultura ensina-nos a viver em comunidade, ensina-nos que não somos os únicos no mundo, que os outros povos têm tradições e modos de vida diferentes que são tão válidos como os nossos”.
Para melhor atingir o seu objetivo, Maria Grazia rodeou-se de vários colaboradores, entre eles a antropóloga francesa Anne Grosfilley, especialista em tecidos e moda africanos, que lhe disse onde encontraria os melhores do continente. Pediu ainda ajuda ao estilista Pathé’O, famoso por desenhar as camisas coloridas de Nelson Mandela, à chapeleira nigeriana Daniella Osemadewa e à designer afro-caribenha Martine Henry, que criou os turbantes e enfeites de cabeça da coleção com o chapeleiro britânico Stephen Jones.
O resultado foi uma coleção elegante, sofisticada e luxuosa, que apostou sobretudo nos tons terra, no branco e no preto e branco e recorreu a elementos decorativos africanos tanto nos padrões dos tecidos como nos materiais aplicados para os enriquecer, entre eles ráfia e missangas.
Finalmente, entregou a decoração do espaço à Sumano, associação que defende as tradições dos ceramistas e tecelões da região do Anti-Atlas. Eram destes últimos, por exemplo, os tapetes que cobriam a passerelle, mas também o tecido de lã de um dos mais belos casacos da coleção.

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