Nas Bancas

Herman Jose-5915.jpg

João Lima

Herman José “Depois dos 60, os dias são pérolas preciosas para respeitar”

“Herman de Big Band em ‘Ris-te’” é o nome do espetáculo que o humorista se prepara para apresentar no Coliseu dos Recreios, no dia 12 de abril.

Vanessa Bento
16 de março de 2019, 17:01

E stamos no palco do Coliseu dos Recreios, de frente para a sala que irá receber Herman José num espetáculo emblemático, que marca a sua estreia em nome próprio nesta casa, e já começámos a sentir o sabor ao seu sentido de humor único e perspicaz. Quase a chegar aos 65 anos, Herman transmite a frescura de quem continua a criar, mas a serenidade de quem sabe que merece o lugar que conquistou. “Não tenho que juntar património para descendentes, não tenho que me preocupar com nada, só fazer com que a vida faça sentido. Portanto, se a pessoa trabalha muito, nos momentos em que não trabalha as coisas têm de ter o mínimo de qualidade”, partilhou o humorista durante uma conversa sem falsas modéstias e cheia de verdade.

– Disse numa entrevista que está “a viver o terceiro ato” da sua vida...

Herman José – É a lei matemática da nossa distribuição etária. Sabemos que, infelizmente, temos uma finitude. A finitude artística pode ter mais ou menos longevidade, consoante a arte que se tem. Nós temos esta felicidade de ter uma arte que se perpetua no palco, onde não temos idade, e isso é maravilhoso.

– Perpetua-se no palco e também no tempo?

– Isso já não sei, porque a partir do momento em que se desaparece já me é completamente indiferente. Já estou como o Karl Lagerfeld, que morreu há pouco tempo: perguntavam-lhe como queria ser recordado e ele dizia que se estava a borrifar. O que interessa é este momento, e gostava muito que a minha vida fosse interessante até ao último momento. O facto de ter voltado aos palcos tem muito a ver com isso, porque o palco é infinitamente generoso. O que se sente neste terceiro ato é muito mais intenso do que imaginaria que fosse. Quanto mais tempo passa, mais valor damos a tudo. Como estou nesta fase giríssima de reunir gerações, tenho esta felicidade de as minhas plateias serem gloriosas fotografadas do palco.

– Hoje é um homem e um humorista mais sereno?

– Depende do que considerar serenidade. Sempre fui muito sereno, curiosamente. Era o tipo de pessoa que ia para Ibiza para ir para a praia às oito da manhã e adormecer nos restaurantes, no colo das minhas amigas, às 11 da noite. O que talvez tenha agora, que se ganha com a experiência, é uma melhor capacidade de fazer a gestão do tempo.

– De que sonhos se compõe?

– A maior parte deles não foram realizados. Não realizei o sonho da internacionalização, hei de morrer com essa angústia. No outro dia fui ver a Glenn Close à Broadway, estava na primeira fila, ela a agradecer, e eu pensei: “Já vou ter contigo ao camarim para te dar um beijinho.” Depois pensei que não ia nada porque ela não sabe quem sou. [Risos.] E tenho este desgosto de não fazer parte da comunidade internacional artística. Nem era para ter mais prestígio ou dinheiro, era para falar com as pessoas que admiro. Já os sonhos a nível nacional devo dizer que os realizei todos.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras