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Ricardo Santos

Isabel Figueira: “preocupo-me, tendo dois filhos, com quem entra na nossa vida”

A atriz não podia estar mais feliz por integrar o elenco da sua primeira novela de horário nobre.

Vanessa Bento
27 de outubro de 2018, 10:02

A poucas semanas de fazer 38 anos, é o olhar sereno de Isabel Figueira que salta à vista de quem se cruza com ela. A viver, como disse à CARAS, uma das suas fases mais felizes, a atriz de Valor da Vida, que é mãe de Rodrigo, de 11 anos, e de Francisco, de cinco, mostra-se em paz com o lugar em que está neste momento. Tanto a nível profissional como pessoal.
– Está a gravar a sua primeira novela de horário nobre. Como é que tem sido agarrar este desafio?
Isabel Figueira – Incrível. É um papel desafiante, que me tira da minha zona de conforto. A personagem não é morna, passa por várias fases e está ligada a temas como a prostituição, as drogas, a depressão...
– Onde vai buscar ferramentas para dar vida, da melhor maneira, a esta personagem?
– Muito do trabalho do ator passa pela observação. É muito importante falarmos com pessoas que já passaram por isto. A minha personagem é uma sobrevivente, prostituiu-se para pagar as contas, e claro que é uma situação dura, desconfortável. Mas o que dá gozo são estas personagens desafiantes, que nos rasgam por dentro. É muito bom fazermos papéis diferentes. Já fiz muita coisa como atriz e é bom continuar a trabalhar, continuar a fazer aquilo que amo e continuar a ter oportunidades. E aos 37 anos tenho esta oportunidade de fazer a minha primeira novela de horário nobre, e não podia estar numa fase mais feliz a nível profissional. É muito bom quando também pensamos em nós. A mulher, a dada altura da sua vida, deve parar e manter o foco. Neste momento estou muito focada em mim, na minha profissão e nos meus filhos.
– Sente que quando se é mãe é fácil ficar para segundo plano, sobretudo nos primeiros anos?
– É, porque os filhos ocupam 90% do nosso coração. É um amor tão incondicional que não sabemos geri-lo. E precisei de chegar a uma altura da minha vida, com um filho a entrar na adolescência e outro com cinco anos, para pensar mais em mim, dar o salto.
– Ter dois filhos com idades tão díspares obriga-a a dar-se, enquanto mãe, de forma diferente a cada um deles?
– Acima de tudo, é precisa muita inteligência para tentar perceber o outro lado e ter muitas regras. E, além disso, negociar. Com eles tem de haver sempre uma negociação, o que pode ser difícil, mas tenho aprendido a ser mais racional do que emocional. Eles são muito diferentes, mas são muito apaixonados um pelo outro. E, como são rapazes, têm uma ligação muito forte.
– É um orgulho vê-los crescer e cimentar essa ligação?
– É a certeza de que há um trabalho bem feito, mas não perfeito, porque nós não somos perfeitos. Termos tempo para parar, pensar e agir proporciona mais paz e isso é uma lição que tenho tentado aplicar também com eles. E dá os seus frutos.
– E não sente falta de partilhar o seu dia a dia com alguém?
– Qualquer mãe solteira que me ouça dizer isto irá compreender: habituamo-nos a uma solidão e independência em que está tudo muito bem oleado nas nossas rotinas. Quando existe alguém que quer entrar, é como se fosse um corpo estranho. E, com dois filhos, preocupo-me com quem entra na nossa vida. Estou a viver das fases mais incríveis, a fazer aquilo que amo, a ter tempo para mim... Neste momento não me faz falta ter alguém. Sinto-me preenchida com uma série de coisas ao longo do dia e isso faz-me muito mais feliz. Obviamente que o amor é importante, sou nova e não quero descurar o amor. Mas tenho muito amor à minha volta, dos meus filhos, dos meus pais... Para ter alguém e conseguir deixar essa pessoa entrar na nossa vida tem de ser com muita calma. Por enquanto, o amor que tenho para dar é aos meus e à minha profissão.

fotos: Ricardo Santos

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