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Em Évora, Diana de Cadaval admite: “Já me sinto uma escritora”

A duquesa de Cadaval abriu as portas do Palácio dos Duques de Cadaval, em Évora, e revelou pormenores sobre ‘Mafalda de Sabóia’, o seu terceiro romance histórico.

Marta Mesquita
23 de fevereiro de 2013, 10:00

Depois de Eu, Maria Pia e de Maria Francisca de Sabóia, Diana de Cadaval  regressa à escrita com Mafalda de Sabóia, um romance histórico que retrata o casamento daquela que foi a primeira rainha de Portugal com D. Afonso Henriques.
Numa escrita acessível, mas preocupada em manter o rigor histórico possível, a duquesa de Cadaval e princesa d’Orléans descreve o dia-a-dia, as alegrias e as tristezas de uma rainha que, ao longo dos seus 11 anos de casamento, nunca se sentiu amada.
Dias antes de a sua filha, Isabelle, completar um ano, Diana de Cadaval conversou com a CARAS sobre esta aventura literária, que leva os leitores a ‘viajarem’ até ao século XII e aos primeiros anos da nação portuguesa.
– Quem era Mafalda de Sabóia?
Diana de Cadaval
Mafalda de Sabóia chegou a Portugal com 20 anos, foi a mulher de D. Afonso Henriques, a primeira rainha de Portugal. E não se pense que foi por acaso que D. Afonso Henriques a escolheu para sua mulher, porque a rainha D. Mafalda era um dos melhores partidos da Europa dessa altura! E esta união ajudou D. Afonso Henriques a ver o seu título de rei reconhecido.
– O que a apaixonou nesta rainha?
– Ao chegar a Portugal, D. Mafalda descobriu um país muito primário e modesto. As mulheres nessa época não tinham uma palavra para nada! Ela tinha o casamento combinado há anos e ia casar-se com um homem que descobre ser pouco simpático, violento e duro. Em 11 anos de casamento, ela dá-lhe sete herdeiros, mas ao longo da sua vida nunca houve um gesto de carinho da parte do marido. Sendo um grande rei e um conquistador, a verdade é que era uma pessoa muito bruta. Aliás, a primeira noite como marido e mulher é muito violenta, quase como uma violação. A ligação entre marido e mulher era muito fria, mas ela nunca perdeu a esperança de ver algum gesto de ternura.
– Há pouca informação pre­cisa sobre Mafalda de Sabóia. Esta escassez de dados foi a maior dificuldade que enfrentou durante o processo de pesquisa e de escrita deste livro?
– Sim. Sobre os reis dessa altura até há algumas obras bastante completas, mas sobre o papel das mulheres e das rainhas há pouca coisa. Tive de juntar a informação toda e interpretar o que sabia da melhor maneira possível. Toda a informação disponível é muito imprecisa.
– Mas assim também teve espaço para usar a imaginação...
– Sim, é verdade, e gostei mui­to disso. Claro que tentei fazer o relato desta rainha da forma mais fiel possível, mas tive de recorrer muito à minha imaginação, sobretudo no que diz respeito à escolha das restantes personagens, do dia-a-dia da rainha, das suas angústias, amores, tristezas... Foi um desafio para mim.
– Há muitas diferenças entre a escritora que era quando escreveu o seu primeiro livro e a que é atualmente?
– Sim, sem dúvida. Quando escrevi o meu primeiro livro, ainda tinha um lado um pouco pudico. Havia certas coisas que não queria explorar, como a vida sexual do rei e da rainha... Havia certos temas que não queria desenvolver. Mas agora, em Mafalda de Sabóia, escrevi aquilo que sentia e pensava e entrei mais na sua vida íntima. Daí falar da sua vida sexual com o rei e dos seus partos, por exemplo.
– Já se sente escritora?
– Sim. Agora que já escrevi três livros, já me sinto muito mais segura das minhas escolhas. Já me sinto uma escritora. Escrever é um vício e sinto-me uma privilegiada por poder fazer algo que me dá tanto prazer.
– O processo de escrita deste livro acompanhou a gravidez e o nascimento da sua filha. Isso influenciou a sua escrita?
– Dediquei este livro à minha filha, porque comecei a pesquisa e a trabalhar as personagens quando estava no início da gravidez. E quando a Isabelle nasceu, já tinha começado a escrever este romance. Portanto, a Isabelle acompanhou-me ao longo de todo o processo. E é engraçado que de tanto me ver mexer em papéis e no computador, ela já vai às prateleiras tirar livros e adora folheá-los! A Isabelle imita-me e isso é enternecedor.
– Acredito que este primeiro ano de vida da Isabelle tenha sido uma fase muito especial...
– Sim, sem dúvida. Este ano foi todo ele uma descoberta. É bom ver que todos os dias a Isabelle descobre coisas novas. Ela já gatinha, quer começar a dizer al­gumas palavras... É muito bonito acompanhar a evolução de uma criança. É uma menina muito curiosa, adora os nossos cães e partilha o seu pequeno-almoço com eles!
– A par da escrita, continua a gerir todo o património histórico da sua família...
– Continuo e é um trabalho que faço com muito amor. O Palácio dos Duques de Cadaval está na nossa família há mais de 600 anos e eu sou a 11.ª geração a geri-lo. Hoje em dia trabalho muito com as escolas e com agências de viagens, que enviam turistas de todas as partes do mundo. Há pouco tempo também começámos com a escola de gastronomia, um projeto que pretende apresentar o universo culinário a crianças carenciadas de Évora. Tem sido uma iniciativa muito positiva.

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