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Charlene não consegue – nem tenta – substituir Carolina

A ausência de Charlene num evento tão significativo para os Grimaldi como o aniversário do Teatro Princesa Grace aumentou o tom das suspeitas de que a nova princesa do Mónaco estará a castigar o marido pelo escândalo que ensombrou o seu casamento.

Ana Paula Homem
30 de outubro de 2011, 15:29

Quando a princesa Grace do Mónaco morreu, há 29 anos, a sua filha mais velha, Carolina, então com 25 anos, substituiu-a no papel de primeira-dama. Depois, em abril de 2005, quando o príncipe Rainier morreu e o seu único filho varão, Alberto, lhe sucedeu, a princesa recuperou o estatuto de herdeira do trono que, enquanto primogénita, tivera desde o dia em que nasceu, 23 de janeiro de 1957, até ao nascimento do irmão, em março de 58. Com o casamento de Alberto e Charlene, a 1 de julho deste ano, esta tornou-se a primeira-dama e “destronou” oficialmente a cunhada.
Oficiosamente, no entanto, a realidade tem-se mostrado bastante diferente. Por insegurança ou, como defende alguma im-prensa francesa, em retaliação pelo escândalo que ensombrou as vésperas e o dia do seu casamento (os rumores de que Alberto teria mais filhos ilegítimos, um deles praticamente recém-nascido, e que a teriam levado a tentar fugir do Mónaco), nos últimos três meses a nova princesa quase pareceu eclipsar-se, escolhendo a dedo os eventos oficiais a que comparece.
À exceção da visita do casal presidencial croata (talvez por ser um acontecimento de Estado) e de um jantar de gala na Ópera de Monte Carlo, em que esteve ao lado do marido, tentando aparentar uma cumplicidade que o seu sorriso “pálido” tornou forçada, Charlene tem vivido praticamente reclusa em Roc Agel, refúgio que os Grimaldi possuem no sul de França, a escassos quilómetros do Mónaco.
Confrontada com isso por uma jornalista do suplemento de moda do jornal inglês The Daily Thelegraph, por ocasião da Semana da Moda de Paris, durante a qual esteve sozinha no desfile da Akris, a griffe do estilista suíço Albert Kriemler (um dos seus preferidos e o autor do vestido que levou ao casamento de William e Kate), frisou: “Serei princesa à minha maneira.” Depois, como que a suavizar esta declaração algo seca, a mulher de Alberto do Mónaco justificou as suas ausências: “Estou a fazer uma pequena pausa. Como qualquer pessoa, preciso de tempo para me adaptar. Acabei de me casar!” No seu inglês com cerrado sotaque sul-africano, a princesa explicou ainda que nesta fase se tem dedicado à difícil tarefa de melhorar o seu francês: “Está a ir aos poucos, mas leva tempo...” Uma e outra afirmação causaram estranheza, pois os vários anos que já passou no Mónaco, na qualidade de namorada do príncipe deveriam ter servido precisamente para que hoje já estivesse completamente preparada para o papel que a esperava e a dominar a língua com alguma fluência.
Entretanto, a maioria das vezes Alberto tem surgido em público sozinho ou ao lado de Carolina, que acaba, com a naturalidade de quem desempenha o papel há muito tempo, por assumir as funções de braço direito do irmão. Separada de Ernst de Hannover desde o verão de 2009 e a viver de novo no Mónaco desde então, Carolina, que enquanto Alberto não assegurar descendência legítima (os dois filhos que reconheceu não o são, pois nasceram fora do casamento) se manterá no primeiro lugar na linha de sucessão ao trono, está neste momento totalmente disponível para continuar a cumprir com dedicação as funções de primeira-dama. Mais ainda, é com evidente prazer que dá seguimento a uma série de projetos solidários em que está envolvida, alguns deles iniciados pela mãe, como é o caso da Association Amade Mondiale, instituição de ajuda crianças em risco e cuja ação incide sobretudo nos países de terceiro mundo. E, para regozijo dos monegascos, adora exercer o seu “cargo” oficioso de ministra da Cultura, que lhe permite ser patrona de instituições como os Ballets de Monte Carlo, que fundou em 1985, para concretizar um sonho materno, o Festival de Arte da Primavera ou o Novo Museu Nacional do Mónaco, inaugurado há um ano e que tem neste momento patente uma exposição de retratos seus da autoria de artistas como Andy Warhol, Helmut Newton ou Robert Wilson.
Esta situação nebulosa veio reforçar os rumores de crise grave na relação dos recém-casados. E faz ressurgir a ideia de que a nova princesa estará apenas a cumprir o acordo pré-matrimonial que terá assinado e que implicaria que se mantivesse casada durante cinco anos e desse um herdeiro a Alberto. A ser isso, não será difí-cil a princesa respeitar a primeira cláusula e desobedecer à segunda, alegando que a natureza a traiu impedindo-a de engravidar. E, findos esses cinco anos, estará livre para seguir a sua vida como e onde quiser.
Se tal acontecer, como será o futuro do Mónaco? Como o falecido príncipe Rainier previu, ao ponto de, em 2002, alterar a constituição, permitindo que a sucessão pudesse fazer-se entre irmãos, ou seja: Alberto dividirá as suas obrigações com Carolina e, à data da sua morte, ou esta lhe sucede, ou o mais provável é que o trono passe diretamente para o filho mais velho dela, Andrea Casiraghi, segundo na linha de sucessão e que há já alguns anos tem vindo a ser preparado para as funções de soberano.
 

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