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Príncipe André defende-se de escândalo sexual, mas fica mal na “fotografia”

Foi no Palácio de Buckingham que André recebeu a jornalista da BBC Emily Maitlis para uma entrevista sobre o caso Epstein. O filho de Isabel II negou todas as acusações e até disse nunca ter conhecido Virginia Roberts, com a qual aparece em baixo numa foto em que se vê também Ghislaine Maxwell, então namorada de Epstein.

Ana Paula Homem
1 de dezembro de 2019, 14:30

Quatro meses depois do multimilionário americano Jeffrey Epstein ter sido preso, acusado de abuso sexual, lenocínio e tráfico de raparigas menores, e três meses depois de este ter sido encontrado morto na sua cela em Nova Iorque, o príncipe André de Inglaterra, que ao longo dos anos tem visto o seu nome associado ao escândalo Epstein, aceitou dar uma entrevista à jornalista da BBC Emily Maitlis para o programa Newsnight. Nesta entrevista, que durou 49 minutos e decorreu no Palácio de Buckingham, o filho da rainha Isabel II negou sempre ter tido conhecimento das atividades ilícitas de Epstein, que lhe foi apresentado em 1999 pela sua velha amiga Ghislaine Maxwell, então namorada de Epstein, defendendo: “Se se é uma pessoa como eu, as pessoas comportam-se de forma mais subtil.”
Apesar de durante anos ter ficado instalado em várias das casas de Epstein, André frisou que não eram amigos próximos e justificou a sua relação com o influente milionário pelo facto de ter assumido por essa altura o seu cargo de representante especial do comércio externo do Reino Unido e precisar de conhecer pessoas. “Ele tinha uma incrível capacidade de reunir pessoas extraordinárias, como académicos, políticos, pessoas da ONU...”, explicou. Quanto à presença de raparigas jovens na casa, não achou estranho, habituado como está a ver “o pessoal doméstico sempre a andar de um lado para o outro em Buckingham”. Melhor ainda, descreveu a casa de Epstein como “uma estação de comboios: havia sempre gente a entrar e a sair”.
Emily Maitlis, que nunca cedeu à pressão de estar perante um filho da rainha, não lhe deu tréguas. Quando o confrontou com o facto de ter continuado a relacionar-se com Epstein depois de, em 2005, este ter sido acusado pela primeira vez de abuso sexual de menores e o ter convidado para um fim de semana no Castelo de Windsor, em 2006, André declarou: “Eu não tinha consciência do que se estava a passar nos EUA nessa altura e só percebi mais tarde pela imprensa.” Depois disso, alega, deixou completamente de contactar o americano.
No entanto, em 2010, dois anos depois de Epstein ter sido condenado e preso pela primeira vez por solicitar menores para prostituição, André voltou a passar quatro dias em casa dele. A estada, diz o príncipe, teve como objetivo deixar claro ao próprio Epstein que, tendo em conta o seu estatuto real, “não era próprio sermos vistos juntos”.
Ao longo de toda a entrevista André gaguejou bastante. E foi sempre evasivo. Quando questionado sobre o seu envolvimento nas atividades ilícitas e nas orgias organizadas por Epstein, pisou e repisou que não sabia de nada. E que não se lembrava sequer de ter conhecido Virginia Roberts, hoje Giuffre, a mulher que diz que, em 2001, foi paga para ter sexo com ele em três ocasiões diferentes, ou de ter estado com ela em casa de Ghislaine Maxwell, onde terá sido tirada uma fotografia dele agarrado a Virginia.
Explicando que “decidir falar destas coisas foi quase uma questão de saúde mental”, André frisou que este assunto tem danificado a sua imagem. Mas só mostrou a sua empatia para com o sofrimento das vítimas de Epstein quando disse que “têm razão” na luta que têm vindo a travar na justiça. E ainda garantiu que, se for chamado a depor, o fará, mas apenas “nas circunstâncias certas e dependendo do que os meus advogados me aconselharem”.

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