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O príncipe Carlos e o pai, o Duque de Edimburgo: uma relação muitas vezes difícil

Fontes próximas da família real afirmam que o marido de Isabel II sempre preferiu a filha.

CARAS
20 de agosto de 2018, 12:27

O primeiro neto do rei George VI nasceu a 14 de novembro de 1948, no Palácio de Buckingham, filho da futura rainha Isabel II - então princesa - e do seu marido, Philip, duque de Edimburgo. Os primeiros anos da sua vida foram passados em Malta, onde Philip se encontrava, na Marinha, até que, quando Carlos tinha três anos, Isabel II, subiu ao trono e a família regressou à Inglaterra.

A relação de Carlos com o pai, desde a infância, não foi fácil. Com Philip ganhou indiscutivelmente o gosto de estar ao ar livre. Desde manusear armas, nadar ou mesmo pescar, o príncipe aprendeu tudo isto com o pai, mas sempre “intimidado pela sua personalidade autoritária”, de acordo com o autor Jonathan Dimbleby.

Isabel II também nunca se mostrou dada à expressão de grandes afetos, talvez sob a influência de Philip. Em 1954, quando regressaram de uma viagem de quase seis meses, o cumprimento às crianças – Carlos, de cinco anos, e Ana, de três - foi um mero apertar de mãos, por exemplo. “O príncipe Philip é direto, franco, sincero, duro e algo bully. E não tem paciência para a profundidade do filho. A sensibilidade não é uma das qualidades que ele espera de um homem, e embora ele tenha, sem dúvida, um grande afeto pelo príncipe Carlos, passou a vida a criticá-lo e discretamente, a enfraquecer a sua auto-estima”, afirma Penny Junor no livro de Tim Clayton, Diana: Story of a Princess. Por outro lado, Patricia, prima de Philip, declara para o mesmo autor: “Ele é muito bom com crianças. É falso o facto de ele não se importar. Estava a tentar ajudar o Carlos a desenvolver personalidade, sabendo a vida que o esperava”.

Ao contrário do irmão, que sempre teve tendência a ser algo introvertido, Ana – a única menina – herdou algumas características humorísticas do pai. Em entrevista ao Daily Mail, Eileen Parker, mulher de um grande amigo de Philip, chegou mesmo a dizer que este “sempre se divertiu mais com a Ana” E explicou o motivo:”o Carlos é mais parecido com a rainha, enquanto que a Ana tem muitas semelhanças a Philip”.

Além disso, o filho mais velho mostrava-se já na infância mais artístico e intelectual do que atlético, algo que terá dececionado Philip, que fez questão de o referir em diversas ocasiões: “quero que ele seja um homem de homens”. Também por este motivo, terá enviado o filho até à Escócia, para estudar, onde este teve uns primeiros meses difíceis e viu recusada a hipótese de transferência para outra escola.

Porém, ao mesmo tempo que Philip dava ao primogénito uma educação rígida, este recebia conselhos diferentes do tio-avô, Dickie Mountbatten. “Ser rebelde e ter tantos casos quantos conseguisse antes de casar” foram algumas das ‘dicas’ que ofereceu ao sobrinho, e que podem ser lidas numa carta que lhe escreveu.

Aos 17 anos, o jovem embarcou numa viagem pela Austrália na qual se dedicou à antropologia. Finalizou os estudos em Gordonstoun e teve direito a uma grande festa no castelo de Windsor, quando completou 18 anos. Estudou depois na universidade Trinity, em Cambridge, onde se tornou o primeiro herdeiro ao trono com um curso. Passou algum tempo na Força Aérea e na Marinha e tornou-se piloto, pintor e um ambientalista dedicado.

Nessa época, seguia ainda o conselho do tio e saltava de namorada em namorada. Conheceu Camilla em 1971 mas, dois anos depois, esta veio a casar-se com Andrew Parker Bowles. Em 1977, conheceu Diana Spencer, mas só em 1980 iniciaram um romance, já que esta era considerada pelos pais de Carlos, o ideal de mulher para casar. Contudo, o casal Parker Bowles, sendo amigo da rainha, manteve-se sempre por perto e Camilla já se havia tornado confidente de Carlos e a relação recomeçou em 1978.

Em 1981, Philip escreveu uma carta ao filho – pouco discreto no que à vida amorosa diz respeito –, com um ultimato: casar com Diana ou terminar o relacionamento. Impulsivo, Carlos optou pela primeira opção e, no mês seguinte, trocava alianças com a princesa. “O que quer que signifique ‘estar apaixonado’” foi a resposta do filho da rainha, quando questionado se estaria apaixonado pela mulher com quem acabara de casar.

Ficaria claro, ao longo do tempo, que Carlos não teria tomado a opção mais correcta, e a separação acabaria mesmo por chegar em 1992. Nessa altura, Philip escreveu uma carta a Diana. “Nunca pensámos que ele poderia deixar-te por ela. Não consigo imaginar alguém, no seu perfeito juízo, a trocar-te pela Camilla. Tal nunca nos havia passado pela cabeça”, podia ler-se. Numa outra carta, mudava o discurso e questionava, “Consegues olhar honestamente para o teu coração e dizer que a relação do Carlos com a Camilla nada teve a ver com o teu comportamento para com ele durante o casamento?”.

Após a morte de Diana, em 1997, diz-se que Philip se tornou menos duro e mais carinhoso, sobretudo para com os netos. Até porque, na época em que foi pai pela primeira vez, as relações familiares eram muito distintas.

No 50º aniversário de Carlos, os pais e irmãos não marcaram presença na festa, já que Camilla se encontrava presente. Foi em janeiro de 1999 que o casal fez a primeira aparição oficial juntos mas a companheira do filho dos reis britânicos nunca marcava presença em eventos oficiais e era sempre considerada a ‘acompanhante’ de Carlos, e não um verdadeiro membro da família real. Em 2005, Carlos e Camilla acabaram por casar, com autorização da rainha como manda o protocolo, numa cerimónia civil, mas Philip e Isabel II não estiveram presentes na cerimónia.

Contudo, os tempos foram mudando e Camilla foi sendo, passo a passo, aceite pela realeza. Aliás, em 2007, quando esta celebrou a chegada dos 60 anos, Isabel II e Philip estiveram presentes na festa.

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