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William e Harry: A dificuldade de crescerem sem mãe

Os dois irmãos passaram pela mesma experiência traumática e viram refletida um no outro a sua própria dor.

Ana Paula Homem
30 de agosto de 2017, 17:20

A 6 de setembro de 1997, a dignidade contida, quase sem lágrimas, com que os príncipes William, de 15 anos, e Harry, que ainda não fizera os 13, caminharam atrás do carro que transportou os restos mortais da princesa Diana do Palácio de Kensington até à Abadia de Westminster, onde se realizou a cerimónia fúnebre, impressionou e comoveu o mundo. Poucos terão ficado indiferentes aos rostos dilacerados daqueles dois órfãos, mergulhados em sofrimento e perplexidade perante a enormidade avassaladora que acabara de lhes acontecer: a morte precoce e inesperada da pessoa que mais amavam, a mãe.
A perda de uma mãe quando se é demasiado jovem para caminhar pelos próprios pés pode mesmo anquilosar emocionalmente para a vida os filhos. A trágica morte de Diana, aos 36 anos, talvez não tenha chegado a esse ponto, mas é sabido que as consequências foram terríveis, como os próprios assumiram há pouco tempo, numa entrevista dada em parceria com Kate Middleton, no âmbito de uma campanha contra o estigma das doenças mentais, e, mais recentemente, quando ambos gravaram depoimentos para o documentário Diana, A Nossa Mãe, que assinala os 20 anos da morte da princesa de Gales. Numa e noutra situação, os dois príncipes reconheceram que entraram em depressão e que ainda hoje, tantos anos passados, têm dolorosas sequelas.
Se os dois filhos de Diana conseguiram, ainda assim, superar razoavelmente o luto, foi em boa parte graças ao apoio de uma família habitualmente pouco dada a “delicadezas” de espírito, mas que teve a noção da gravidade do que aqueles dois adolescentes estavam a enfrentar e se mobilizou à sua volta, por um lado ocupando-os e distraindo-os o mais possível, por outro, proporcionando-lhes, sabe-se hoje, o necessário acompanhamento psicológico. Além disso, o príncipe Carlos, que sempre fora um pai algo ausente, tornou-se muito mais atento e disponível, tentando, de alguma forma, replicar o envolvimento que a sua ex-mulher sempre tivera na vida dos dois filhos.
Fundamental para os dois adolescentes foi, também, terem-se um ao outro. Porque estavam os dois a passar exatamente pela mesma experiência traumática e viam refletida um no outro a sua própria dor. Desde pequenos, William e Harry sempre pareceram dar-se bem e ser bons companheiros de brincadeiras, mas asseguram que ficaram ainda mais unidos pela perda. E ainda hoje assim é. Quase inseparáveis, têm o mesmo grupo de amigos, partilham inúmeros gostos, nomeadamente em termos de atividades desportivas, e empenham-se em parceria em várias iniciativas de caráter humanitário.
Foi na maternidade que Diana mais pareceu encontrar o sentido da sua vida. A princesa assumia que sempre teve um enorme prazer em lidar com crianças – tendo chegado a trabalhar num jardim de infância – e nunca negligenciou os filhos. Desde o nascimento de William que ficou claro que Diana nunca poria as suas obrigações oficiais à frente dos filhos, que eram a sua prioridade e a sua companhia preferida. E era uma mãe extremamente companheira e carinhosa, defensora de que os mimos e os abraços nunca são demais para uma criança.
Folhear o álbum de fotografias de William e Harry ao lado da mãe significa, por isso, ver os três unidos, risonhos, divertidos, mas também sérios e tristes nos momentos em que Diana os fazia tomar consciência de que a vida fora dos palácios podia ser tudo menos sorridente. Porque a princesa teve sempre em mente educar os filhos para serem pessoas comuns, sensíveis e atentas ao próximo, tendo desde muito cedo envolvido os dois príncipes nas suas atividades solidárias.
As sementes que Diana lançou deram sem dúvida bons frutos. Vinte anos depois, a princesa de Gales rejubilaria de orgulho se pudesse ver os adultos em que os seus filhos se transformaram: generosos, sensíveis e atentos, mas também capazes de se divertirem e de rirem como o faziam na infância e de lutarem pela sua felicidade – William, o herdeiro do trono, impôs a sua vontade de se casar com uma plebeia, Kate Middleton, e Harry conseguiu a bênção para o seu namoro com a atriz e modelo canadiana Meghan Markle, que além de plebeia, é divorciada.
A princesa ficaria também muito feliz por ver que os filhos se envolvem de corpo e alma em causas nobres, que têm bons amigos, que conseguiram até perdoar a Camilla toda a responsabilidade que esta teve no insucesso do casamento dos pais, e que deixaram claro que só se casariam por amor. E gostaria de ver que Kate tem não só o mesmo tipo de entrega que ela ao papel de mãe, mas também a capacidade de se fazer aceitar pela família real e pela opinião pública, estando, aos poucos, a transformar-se na nova Princesa do Povo.

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