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Harry de Inglaterra ponderou trocar papel na família real por ‘vida normal’

O príncipe admite que, durante muitos anos, se sentiu completamente perdido. Seguindo o conselho do irmão, William procurou ajuda profissional e acabou por encontrar um sentido para a sua vida.

Cláudia Alegria
8 de julho de 2017, 20:00

Pertencer à família real de Inglaterra e estar permanentemente sob escrutínio público já é, por si só, uma herança pesada. Se a esta equação somarmos a morte da mãe, a princesa Diana, quando Harry tinha apenas 12 anos, será mais fácil imaginar como se terá sentido perdido e desorientado numa idade já por si complexa. “Eu tive de percorrer um longo percurso atrás do caixão, sob o olhar atento de milhares de pessoas que estavam à nossa volta e de milhões de outras que assistiam através da televisão. Não creio que isto seja algo a que se possa sujeitar uma criança, seja em que circunstâncias for”, revela Harry na entrevista sincera e madura que deu à jornalista Angela Levin para o Daily Mail. Além dos encontros formais no palácio, a jornalista acompanhou o príncipe durante cerca de um ano, analisando com atenção o seu comportamento em atos oficiais, e houve pormenores que captaram a sua atenção. “Sempre que sai do carro oficial, o príncipe vai direto à pessoa responsável, a quem aperta firmemente a mão, dando a impressão genuína de estar entusiasmado com aquele encontro em particular. Foca-se na pessoa com quem está a falar sem nunca desviar o olhar para espreitar quem está por perto”, revela a jornalista, que acabou por traçar um perfil atualizado do príncipe, hoje com 32 anos. “Durante muitos anos andei a marcar passo”, admite Harry, referindo-se à fase que ele próprio classificou como “caos total” em que se limitou a frequentar festas, a beber álcool e a fumar muito.
Olhando para trás, Harry diz que vê claramente que nessa fase dos 20 anos “não queria crescer”, lutando por encontrar um significado – e um papel – para a sua vida. Foi nessa época que o príncipe terá ponderado a hipótese de abandonar as suas funções enquanto membro da família real de Inglaterra para procurar uma vida mais ‘normal’. “Houve uma altura em que quis sair, mas decidi ficar e procurar o meu lugar [na família real].” Só não o fez, admite, por respeito e lealdade para com a avó, a rainha Isabel II, acabando por encontrar nos projetos relacionados com a solidariedade a sua ‘salvação’. Harry tem consciência de que vive numa redoma de vidro, no entanto, frisa, tenciona usar esses privilégios em benefício das causas que apoia. “Eu e o William somos verdadeiramente apaixonados por causas solidárias, que nos o que nos foi sempre incutido pela nossa mãe. Foi ela que nos mostrou esse caminho”, diz o príncipe, que, apesar de acreditar no futuro da monarquia, admite que a mesma precisa de se atualizar. “Queremos certificar-nos de que a monarquia perdura e acreditamos nos seus valores. Sentimos que os britânicos e o mundo inteiro precisam de instituições como esta – mas não pode continuar como está. Haverá mudanças e pressões para que estas sejam feitas da forma correta. Atualmente tudo muda muito depressa, sobretudo devido às redes sociais, e nós estamos empenhados em conseguir modernizar a monarquia. Não estamos a fazer tudo isto por nós, mas pelas pessoas e pela monarquia que representamos. Há tantas coisas negativas a acontecer no mundo que nós, enquanto família, queremos tentar trazer qualquer coisa que seja positiva.” O objetivo, sublinha, é usar o seu estatuto em benefício dos outros. “Não queremos ser só uma ‘grupeta’ de celebridades, mas usar o nosso papel a favor do bem.”
Um discurso sincero e muito coerente que revela que Harry deixou definitivamente de ser um jovem imaturo para se tornar um homem consciente do mundo que o rodeia e disposto a deixar a sua marca. A grande mudança, conta, acabou por acontecer durante o tempo que passou nas fileiras das tropas britânicas que combateram os talibãs no Afeganistão. Durante dez semanas, Harry esteve na perigosa província de Helmand, onde desempenhou funções de controlador aéreo tático, orientando bombardeamentos da aviação. A sua missão estava a decorrer de forma secreta e, por questões de segurança, Harry acabou por ser obrigado a deixar o local depois de uma publicação ter revelado a sua localização. “Senti-me muito frustrado. Pertencer ao exército foi o melhor escape que alguma vez tive. Senti que estava realmente a conquistar qualquer coisa. Estava rodeado de pessoas completamente diferentes e senti que fazia parte de uma equipa. Ali, eu não era um príncipe. Era apenas o Harry.”
O regresso antecipado a Inglaterra conduziu novamente a um cenário de incertezas e dúvidas em relação ao seu futuro. Seguindo um conselho do irmão, William, procurou ajuda profissional e acabou por se reencontrar, desempenhando um papel através do qual tem conquistado o respeito e o reconhecimento público: a promoção de causas relacionadas com os feridos de guerra e com a saúde mental, entre outros. Confrontado com a possibilidade de ter sido a namorada, Meghan Markle, a sugerir que apoiasse as doenças mentais – uma vez que Harry já assumiu que a atriz americana, de 35 anos, o tem ajudado a exteriorizar os traumas relacio­nados com a morte prematura da mãe – o filho mais novo do príncipe Carlos é perentório: “Não, de todo.”
Ponderado, decidido e honesto, Harry é, nas palavras da jornalista que o retrata, um “guerreiro ferido” que se revela, agora, preparado para enfrentar a vida com todas as armas que foi conquistando através da vivências do seu passado.

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