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Isabel II de Inglaterra celebra os 60 anos do seu reinado

A 6 de fevereiro último, dia em que completou 60 anos de reinado, Isabel II divulgou duas novas fotos oficiais, uma sozinha, outra ao lado do seu companheiro de quase 85 anos de vida, o príncipe Filipe. E cumpriu a sua agenda fazendo uma visita a uma escola de Dersingham.

Redação CARAS
18 de fevereiro de 2012, 13:00

A princesa Isabel de Inglaterra acabara de iniciar uma digressão que deveria levá-la a vários países da Commonwelth quando, a 6 de fevereiro de 1952, no Quénia, recebeu uma das mais tristes notícias da sua vida: o seu pai, o rei Jorge VI, morrera nessa noite, durante o sono, em Sandringham House, Norfolk. A notícia – que lhe foi dada pelo marido, Filipe, duque de Edimburgo, durante uma caminhada que fizeram a sós pelos jardins do hotel onde se encontravam, no sopé do Monte Quénia – carregava para a princesa o peso de duas realidades: ficara órfã aos 26 anos e acabara de se tornar rainha do seu país.
Ultrapassado o choque inicial, a primeira decisão da nova soberana foi embarcar de imediato num avião de regresso a Londres. No dia seguinte, à chegada ao Aeroporto de Heathrow, Isabel era aguardada pelo primeiro-ministro, Winston Churchill, com honras de Estado. Es­peravam-na, também, os momentos sempre dolorosos do adeus a uma pessoa amada, que no seu caso se tornavam certamente ainda mais difíceis, tanto devido a todo o cerimonial imposto pelo protocolo como pelo facto de não lhe ser permitido mostrar o seu desgosto em público.
E a verdade é que, sob o véu negro que lhe cobria o rosto, a jovem soberana manteve uma dignidade inabalável enquanto presidia a todas as cerimónias fúnebres, que reuniram muitos milhares de súbditos, primeiro nas ruas de Sandringham, onde o faleci­do rei esteve em câmara ardente durante dois dias, depois nas artérias de Londres – onde o corpo foi velado de 11 a 14 de fevereiro, em Westminster Hall, e, finalmente, nas de Windsor, pois os restos mortais foram depositados na capela do castelo daquela cidade.
Em todos estes momentos Isabel II teve a seu lado, visivelmente destroçadas, mas igualmente contidas, a sua mãe, a rainha consorte Elizabeth  (que a partir daí os ingleses passariam a tratar por rainha-mãe), e a sua avó paterna, a rainha Mary, que já antes enterrara dois filhos.
Respeitando o longo período de luto oficial, e também tendo em conta o inclemente clima britânico, a entronização da rainha foi marcada para 2 de junho de 1953. Neste dia, mostrando, uma vez mais, a sua têmpera, Isabel não vacilou por um momento enquanto subia em direção ao altar da Abadia de Westminster, desde 1066 cenário das coroações de todos os seus antecessores. Do mesmo modo, a sua voz nunca tremeu enquanto pronunciou o seu juramento. Preparara-se para este ato solene, que teria a duração de quatro horas, como um atleta se treina para uma maratona: trabalhando horas a fio no seu escritório com a coroa que lhe seria imposta, para se habituar aos seus três quilos e meio de peso, e percorrendo os corredores de Buckingham com o ainda mais pesado manto de veludo carmesim bordado a arminho com o qual seria coberta durante a entronização, em que receberia ainda os outros tradicionais símbolos do poder: o cetro e o globo terrestre.
Curiosamente, Elizabeth Ale­xandra Mary, filha primogénita de Albert Frederick Arthur George Windsor e de Elizabeth Bowes-Lyon, duques de York, não estava destinada a ser rainha, e sim sobrinha de rei, ficando, à data do seu nascimento, 21 de abril de 1926, em terceiro lugar na linha de sucessão. E, ao que tudo indicava, seria relegada para um posto ainda mais distante nessa hierarquia no dia em que o irmão mais velho do seu pai, o príncipe herdeiro Eduardo, se casasse e tivesse descendência. Por isso, apesar de desde cedo ter frequentado o luxo dos palácios e castelos do avô, o rei Jorge V, cresceu no conforto discreto da casa paterna, um edifício igual a tantos outros habitados pela classe alta londrina, no número 145 de Piccadilly. Ali, recebeu os primeiros anos de instrução, dada pela mãe e por uma precetora particular, que a educaram na fé cristã e nos valores mais tradicionais, mas que em nada a preparam para a tarefa que um dia a esperaria.
À data da morte de Jorge V, em 1936, sucedeu-lhe, como se esperava, Eduardo VIII, e a vida de Isabel continuou como até então. Um ano depois, porém, o seu tio abdicaria do trono por amor a uma americana duas vezes divorciada, Wallis Simpson, e o seu pai seria forçado a suceder-lhe.
Não por acaso, o cognome de Jorge VI, que abandonou com desgosto o seu estilo de vida recatado, seria O Renitente. E, aos 11 anos, Lilibeth, como a tratava a família, viu a sua vida mudar radicalmente: mudou-se para o palácio de Buckingham e a sua educação passou a ser totalmente orientada para a preparar para o trono.
Sessenta anos passaram desde o dia em que Isabel II se tornou rainha. Seis décadas em que o mundo mudou drasticamente, não poupando a soberana a muitos momentos difíceis, que nunca a desviaram do essencial: estar ao serviço do seu país com uma devoção sagrada, que assumiu desde a primeira hora. “Para mim, foi um compromisso solene e religioso”, referiu às pessoas mais próximas, logo após a cerimónia da coroação, enquanto bebia uma reconfortante chávena de chá.

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