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Felipe de Espanha renova a monarquia expondo os gastos reais publicamente

Cumprindo o que prometeu no dia da sua entronização, o rei de Espanha quer ganhar a confiança dos cidadãos através da transparência. Nomeadamente, das suas contas.

CARAS
12 de março de 2016, 10:00

“Encarno uma monarquia re­novada para um tempo novo”, afirmou Felipe VI de Espa­nha perante as Cortes – ou seja, os representantes democraticamente eleitos pelo povo espanhol –, no seu discurso de entronização, a 19 de junho da 2014. No dia em que sucedeu ao seu pai, o rei Juan Carlos, que anunciara a abdicação 17 dias antes, alegando a necessidade de um rejuvenescimento da instituição monárquica, o novo soberano frisou ainda: “A Coroa deve procurar a proximidade com os cidadãos, o seu apreço, o seu respeito e a sua confiança.” A demonstrar que as suas palavras não eram vãs, a Casa Real de Espanha acaba de pôr à disposição de quem quiser ver, na sua página oficial na Internet, um documento com 21 páginas com o regulamento de contratos que começou a aplicar o ano passado, e que pretende “garantir os princípios de concorrência, transparência, eficiência, (...) assegurando principalmente que a adjudicação dos contratos recaia sobre a oferta mais vantajosa economicamente”.
Em simultâneo, Sua Majestade tornou também públicas online as despesas com os contratos formalizados até ao dia 31 de dezembro de 2015. E que incluem, entre outros, os 27.720 euros despendidos com o catering servido na receção que os reis ofereceram no Palácio da Zarzuela a cerca de 2000 convidados, no dia da Festa Nacional, 12 de outubro, ou os 70 mil euros gastos com o aluguer de automóveis de diferentes marcas para as deslocações particulares de Felipe, Letizia e das filhas destes, a princesa Leonor e a infanta Sofía. Saliente-se que o sistema de renting permite uma constante mudança de carro, facilitando a segurança da família real.
Quarenta anos depois de Juan Carlos ter marcado o início do seu reinado pela designada Transição Espanhola, processo que conduziu o país a uma monarquia constitucional depois de quase 40 anos de ditadura franquista, Felipe sabe que a questão que hoje mais inquieta os espanhóis não é a falta de democracia e sim a da transparência. Uma inquietação instigada pelo caso Nóos, no qual a infanta Cristina e o marido, Iñaki Urdangarín, estão a ser julgados por fraude fiscal e corrupção, e que levou a que o atual soberano retirasse os títulos à irmã e ao cunhado.

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