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Infanta Cristina: Uma vida de sonho que se transformou num duro pesadelo

Arguida no caso Nóos, a filha do rei Juan Carlos é o primeiro membro da família real a enfrentar a justiça.

Ana Paula Homem
7 de fevereiro de 2014, 12:00

A vida de Cristina de Borbón tinha tudo para ser um sonho real. Nascida em berço de ouro, há 48 anos, a segunda filha dos reis Juan Carlos e Sofía de Espanha cresceu rodeada de carinho, conforto e luxo, estudou nos melhores colégios e universidades, conviveu com a alta sociedade, casou-se por amor e é mãe de quatro crianças saudáveis e encantadoras. Tudo corria, por isso, às mil maravilhas quando, em novembro de 2011, a ‘bomba’ estoirou: o marido da infanta, o ex-atleta olímpico Iñaki Urdangarín, era acusado de desviar milhões de euros de fundos públicos para proveito próprio, através do Instituto Nóos, que dirigiu entre 2004 e 2006. Tinha, assim, início o caso Nóos, um terramoto que arrasou o sonho cor-de-rosa da infanta, transformando a sua vida num pesadelo sombrio e sem fim à vista. Não só porque Iñaki responde hoje por seis delitos – prevaricação, fraude, desvio de dinheiros públicos, desfalque, falsificação de documentos e fraude fiscal –, passíveis de proporcionarem 23 anos de prisão, mas também porque ela própria acabou por se ver envolvida no caso: indiciada por fraude fiscal e branqueamento de capitais pelo juiz instrutor do processo, José Castro, no passado dia 7 de janeiro, a infanta deverá ser ouvida no tribunal n.º 3 de Palma de Maiorca amanhã, dia 8 de fevereiro. Um dia em que Cristina fará história na monarquia espanhola, pois será o primeiro membro da família real a enfrentar a justiça.
Recorde-se que a infanta já tinha sido constituída arguida uma primeira vez, em abril do ano passado, mas não chegou a ser ouvida, pois o procurador Pedro Horrach, do departamento Anticorrupção das Baleares, interpôs recurso, alegando que o juiz Castro tinha baseado a sua investigação em “simples elucubrações, rumorologia e pura ficção”.
Considerando, porém, que continuava a haver zonas de sombra, nomeadamente na gestão da empresa Aizoon, da qual os duques de Palma são proprietários em partes iguais, a comarca de Palma de Maiorca ordenou a Castro que prosseguisse a sua investigação. E este dedicou os nove meses seguintes a passar a pente fino as contas de Cristina entre 2002 e 2012. Reviu todas as suas faturas, propriedades e declarações de impostos, encontrando, por exemplo, debitados à Aizoon um jantar de sushi no valor de 1412,40 euros e bilhetes de avião para o Brasil no valor de 15210,82 euros. Num auto com 227 páginas (consultáveis na Internet), o juiz defende que a sociedade que Cristina codirigia com o marido teria servido de fachada, permitindo que o casal cometesse delitos fiscais e realizasse despesas privadas através da empresa, pelo que considerou haver “indícios suficientes” para interrogar a filha do rei.
Desta vez, e contrariando o conselho do advogado que a representa, Miguel Roca y Juvet (que se diz “plenamente convencido da inocência” da sua cliente, pelo que contestou as conclusões de Castro e anunciou que contraporia com um novo recurso), a infanta decidiu renunciar ao direito de recurso que como cidadã lhe é conferido pela Constituição e comparecer perante o juiz. Cristina pretende assim demonstrar à opinião pública (que não lhe tem poupado críticas, nomeadamente devido ao facto de se recusar a abdicar dos seus direitos dinásticos) que está inocente e, como tal, não teme a justiça.
Segundo o jornal espanhol El Mundo, a duquesa de Palma – que até prova em contrário é presumida inocente – arrisca uma pena até seis anos por branqueamento de capital e uma multa que poderá ascender ao triplo do valor desviado, e ainda uma pena de cinco anos e uma multa sete vezes superior à soma desviada, estas por fraude fiscal.
O mesmo jornal, que tem explorado o filão do caso Nóos até à exaustão, aproveitou ainda a queda em desgraça de Iñaki para lançar mais achas para a foguei­ra, alegando que o duque de Palma terá mantido sempre uma vida dupla. Um artigo assinado pela jornalista Silvia Taulès diz que nos anos de namoro e início do casamento Iñaki manteve uma relação com uma anterior namorada e que terá tido diversas amantes.
Marcada pelo sofrimento, mas, ao que tudo indica, inabalável no que sente pelo marido, a infanta parece firmemente decidida a salvar o seu casamento, e o facto de em setembro se ter mudado para Genève com os filhos, para os proteger do escândalo, permanecendo Iñaki sozinho em Barcelona, não significa uma verdadeira separação. Quanto aos reis Juan Carlos e Sofía, têm sido pais acima de tudo, não conseguindo pedir à filha que abdique do amor.

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