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Revoltada com as traições do marido, rainha Sofía de Espanha chegou a falar em divórcio

A rainha Sofía sempre soube dos casos do marido, mas enquanto eles foram abafados conseguiu manter a pose. A partir do momento em que se tornou público que a princesa Corinna zu Sayn-Wittgenstein estava no Botswana com o rei, a soberana sentiu-se no direito de impor condições para continuar casada.

Ana Paula Homem
15 de maio de 2012, 16:25

Descendente de reis,czares e imperadores, a filha mais velha dos reis Paulo e Frederica daGrécia, Sofía, nascida em Atenas em novembro de 1938, foi educada parase casar por conveniência. O príncipe Juan Carlos de Borbón, nascido dezmeses antes, em Roma, onde a família real espanhola vivia exilada, soube desdecedo que o futuro lhe reservava igual sorte. A 14 de maio de 1962, Sofía e JuanCarlos fizeram o que se esperava deles e trocaram alianças e votos de amor,lealdade e fidelidade até à morte. Votos que ele nunca levou muito a sério. E apoucos dias de completarem 50 anos de casados a situação esteve tão tremida quea rainha Sofía de Espanha chegou a pronunciar a palavra divórcio num desabafoque teve com o filho, o príncipe Felipe.
Segundo fontes próximas do Palácio da Zarzuela, a soberana só terá voltadoatrás com a decisão de pôr fim à farsa que ela e o marido representam há longosanos depois de uma conversa a dois que durou quase quatro horas no quarto dohospital madrileno de San José, onde o rei recuperava da intervenção cirúrgicaà anca a que foi submetido na madrugada de 14 de abril, na sequência de umaqueda durante uma caçada ao elefante no Botswana. Pormenor importante: nessesafari milionário o rei tinha a seu lado a princesa Corinna zuSayn-Wittgenstein, que será sua amante há alguns anos. E isso depressa sesoube em Espanha.
Nascida na Suécia, Corinna, de 47 anos, foi casada com um empresário britânicode quem tem uma filha, Nastassia, de 20 anos, e com o aristocrata alemãoCasimir zu Sayn-Wittgenstein, que lhe deu nova nacionalidade, o títulode princesa e um filho, Alexander, de dez anos. Há seis anos, estabeldade loira, elegante, culta e inteligente foi apresentada ao rei espanhol. Epouco depois mudou-se para Barcelona, passando a acompanhar Juan Carlos emacontecimentos privados e até em situações oficiais, com o estatuto de ‘amigapróxima’.
Quanto à rainha Sofía, que passava férias na Grécia com os irmãos quando o reifoi operado, só regressou a Espanha três dias mais tarde, depois de refletirbem sobre o assunto. E foi na primeira visita que fez ao convalescente, a 17 deabril, que terá posto todos os ‘pontos nos ii’. Naturalmente, o momento nãoteve testemunhas, mas tendo em conta que depois do ‘incidente’ Botswana aimprensa espanhola quebrou o pacto de não-agressão que mantinha há muitos anoscom Juan Carlos e passou a fazer referências explícitas aos inúmeros casosextraconjugais do monarca, tudo indica que a rainha terá imposto condições paracontinuar casada. E que o rei, consciente do enorme safanão que toda estahistória deu à sua imagem – ao ponto de ter feito um pedido de desculpas aosespanhóis –, não terá tido outro remédio senão aceitá-las.
Para Sofía, continuar casada significa continuar a ser rainha, com asobrigações públicas que isso implica. Porque a nível privado há muito que sesabe que os reis fazem vidas separadas. Sempre que pode, aliás, a soberanarefugia-se em Londres, onde tem um apartamento perto da casa do irmão e dacunhada, os últimos reis da Grécia, Constantino e Ana Maria.
Uma das primeiras condições de Sofía foi não celebrar as bodas de ouro. Arainha tem a noção do ridículo e, numa altura em que chegou a ver-se na capa darevista de esquerda El Jueves num cartoon em que aparece, ao ladodo marido, enquadrada por uma cabeça de elefante e respetivas presas, não estádisposta a continuar a representação da mulher feliz. Nem os espanhóis lhoperdoariam, por muito que respeitem o facto de Sofía pôr sempre os seus deveresde rainha à frente dos seus direitos de mulher.
E este é outro item que terá ficado bem esclarecido. Daqui para a frente, Sofíaserá cada vez menos rainha e mais mulher. Quer isto dizer, cada vez mais mãe eavó, a única faceta da sua vida pessoal que a realiza. A prova é que, enquantoo rei era operado pela segunda vez, a 27 de abril, para retificar a posição daprótese da anca, Sofía viajava para Washington, onde, no dia 30, comemorou o10.º aniversário do neto Miguel, o terceiro filho da infanta Cristinae de Iñaki Urdangarín. Apenas regressando a Espanha a tempo de presidir,a 4 de maio, um ato oficial em que, pela primeira vez na vida, não se esforçoupor esconder o seu funesto estado de espírito.
Muitos espanhóis defendem que é precisamente por amor ao filho, cujo futurocomo rei não quer ver hipotecado, que Sofía não se divorcia. O fortíssimo ladomaternal da rainha sempre foi notório e nem sequer foi beliscado pelas váriaspolémicas que têm envolvido os filhos e respetivos cônjuges (no caso de Elena,o ex-cônjuge, Jaime de Marichalar, o irresponsável que deixou o seufilho de 13 anos, Juan Froilán, brincar com uma arma e dar um tiro nopróprio pé).
E agora que o assunto Botswa­na/Corinna lhe pôs na mão muitos trunfos parajogar contra o rei, a rainha vai certamente usá-los. Sobretudo para pressionarJuan Carlos a ajudar Cristina a manter o seu casamento com Iñaki, o genro quefoi oficialmente afastado da família devido ao caso Palma Arena. Com Iñakidisposto a devolver 1,7 milhões de euros e a dar-se como culpado no processo defraude e desvio de dinheiros públicos em que está acusado, a rainha tem estavitória quase como certa.

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