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Infanta Cristina muito apreensiva: Iñaki é ouvido esta semana e arrisca ser preso

A polémica que envolve o marido está até a pôr em causa a relação de Cristina com o pai, o rei Juan Carlos.

Ana Oliveira
24 de fevereiro de 2012, 17:54

Até aqui, todos se perguntavam: resistirá o casamento de quase 15 anos da infanta Cristina, filha mais nova do rei de Espanha, ao escândalo financeiro em que o marido, Iñaki Urdangarín, está implicado? Agora, na semana em que Iñaki, duque de Palma, vai ser ouvido em tribunal (a audiência está marcada para sábado, dia 25) surge outra pergunta: será que a relação entre Cristina e o pai sairá incólume? Cristina continua a apoiar o marido, que poderá ser indiciado pelos crimes de fraude, desvio de dinheiros públicos, prevaricação e evasão fiscal, cometidos quando era presidente do Instituto Nóos, entre 2001 e 2004. O antigo jogador de andebol arrisca uma sentença que pode chegar a um total de 16 anos de prisão, e não tem direito a nenhum tratamento preferencial, pois o próprio rei Juan Carlos decidiu bani-lo oficialmente da família real (o que quer dizer que perdeu todos os privilégios implícitos) pelo facto de a sua conduta “não parecer exemplar”.
Se Cristina ainda conseguiu entender esta atitude, que aconteceu logo no início de dezembro último, quando o caso chegou a tribunal – afinal, a suspeita só por si desencadeou uma crise sem precedentes na família real espanhola e era necessária uma atitude de força –, parece ter tido mais dificuldade em compreender as declarações que o rei fez por altura da mensagem de Natal que dirigiu ao país, quando reforçou: “Todos somos iguais perante a lei”.
De acordo com algumas fontes próximas, Cristina, que continua a residir em Washington com o marido e os quatro filhos – Juan Valentín, de 12 anos, Pablo Nicolás, de 11, Miguel, de nove, e Irene, de seis –, passou vários dias a chorar depois de ter ouvido estas palavras. Não que alimentasse a esperança de ver o pai tomar partido por Iñaki, mas talvez tenha considerado desnecessário este reforço negativo em relação ao marido. Depois disso, terá telefonado várias vezes ao pai, e a relação entre os dois terá chegado a um tal estado de tensão que alguns meios de comunicação espanhóis asseguram que foi preciso a rainha Sofía intervir para se concretizar o encontro dos dois durante a viagem que Cristina fez a Espanha, entre os dias 7 e 11 de fevereiro, a pretexto de compromissos profissionais relacionados com a fundação La Caixa, para a qual trabalha.
Depois de ter tratado das questões profissionais que a levaram a Barcelona, Cristina foi de facto a Madrid visitar os pais. Que se saiba, este foi o primeiro encontro de Cristina e Juan Carlos desde as declarações de dezembro (nem o Natal reuniu a família na Zarzuela, já que a situação era demasiado delicada para permitir o convívio do rei com o genro, pelo que este e Cristina permaneceram nos Estados Unidos durante a época festiva). No dia seguinte, 11 de fevereiro, a infanta regressou aos Estados Unidos, onde Iñaki, que tenta prosseguir as suas rotinas cumprindo o dia-a-dia de trabalho na Telefónica, foi entretanto fotografado com ar abatido e envelhecido. E não será para menos: precisamente nessa semana começaram a ser ouvidos os restantes implicados neste caso Palma Arena (assim o denominou a imprensa espanhola), e as coisas parecem cada vez mais complicadas para o lado de Iñaki, já que é apontado pelos supostos cúmplices como sendo o cabecilha de toda a operação. Ainda por cima, a relação com o seu antigo sócio e ami­go, Diego Torres, ter-se-á deteriorado irremediavelmente. Chamado a depor, Diego pouco colaborou com o tribunal, queixando-se do suposto tratamento preferencial que será dado a Iñaki, já que este pediu para as suas declarações não serem registadas em formato audiovisual – como tem acontecido com os restantes depoimentos –, mas exclusivamente por escrito. Diego exigiu o mesmo tratamento, reclamando que todos são iguais perante a lei (usando precisamente a frase do rei), e o advogado de Iñaki, Mario Pascual Vives, teve de vir a público garantir que não tinha sido pedido nenhum tratamento preferencial.
Tal como Diego Torres, também a mulher deste, Ana Tejeiro, igualmente envolvida no caso, se recusou a falar em tribunal, invocando esse direito, mas opção diferente fizeram Marco Antonio e Miguel Tejeiro, cunhados de Torres: foram precisamente estes dois que implicaram Iñaki. Miguel Tejeiro, contabilista e secretário do Instituto Nóos, atribuiu a Iñaki e a Diego Torres a ordem de criar uma sociedade com sede no Belize com o objetivo de pagarem menos impostos.
Se estes testemunhos parecem tornar cada vez mais negro o cenário para Iñaki, também serviram para limpar o nome de Cristina: ambos asseguram que nunca a infanta tomou qualquer decisão empresarial, embora a tivessem visto nas instalações do Instituto Nóos algumas vezes. Mas não está absolutamente fora de questão que a infanta venha a ter de testemunhar, pois era também sócia de Iñaki numa outra empresa, a Aizoon (da qual detinha 50%), que está envolvida neste processo de forma indireta.
Por agora, ninguém acredita que Cristina estivesse realmente relacionada com os crimes supostamente cometidos por Iñaki, mas isso não a impede de estar a passar um mau bocado: apesar de se dizer crente na inocência do marido, enfrenta a ansiedade de o ver condenado. E se Iñaki acabar preso, terá nas mãos um dilema sem precedentes na sua vida: deverá manter-se firme ao lado do marido e comprometer, talvez irremediavelmente, a imagem da família real, ou optar pelo divórcio e enfrentar as consequências que isso poderá ter na sua vida e na dos filhos? São perguntas que certamente já fez a si própria e que a têm deixado na situação de tensão que deixou transparecer ao ser abordada em Washington pela equipa de um canal de televisão espanhol enquanto fazia compras num supermercado. Quando a jornalista Paloma García Pelayo se dirigiu a ela, entregando-lhe uma carta endereçada a Iñaki – que na véspera fora abordado pela mesma equipa e fugira literalmente a correr – e dizendo que só lhe queria perguntar como se sentia, Cristina respondeu: “Queremos fazer uma vida normal e não nos deixam”. Foi a primeira vez que rompeu o silêncio sobre o caso, para acrescentar ainda, em tom de desabafo: “Não se imagina o que estamos a passar”. E, a agravar a situação, não parece poder contar com grande apoio da parte da família: tal como o pai, também os irmãos, Elena e Felipe, parecem irredutivelmente críticos da conduta de Iñaki, o que esfriou as relações com Cristina. Mas esse distanciamento será mesmo a única maneira de salvaguardar a imagem da família real.

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