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O casamento da duquesa de Alba e Alfonso Díez

Aos 85 anos, Cayetana de Alba, a mulher com mais títulos nobiliárquicos do mundo, casou-se pela terceira vez. A cerimónia íntima, à qual assistiu um grupo restrito de convidados, teve lugar esta quarta-feira, 5 de outubro, no palácio Las Dueñas, em Sevilha.

Ana Paula Homem
6 de outubro de 2011, 15:30

O Palácio de Las Dueñas, em Sevilha, foi palco, pela segunda vez, de um casamento da sua proprietária, Cayetana Fitz James-Stuart. Entre um e outro, as diferenças são tantas que se tornam difíceis de enumerar. Ainda assim, destaque para as principais: no primeiro, celebrado a 12 de outubro de 1947, Cayetana tinha 21 anos, era bonita, vendia saúde e, na condição de filha única de Don Jacobo Fitz-James Stuart y Falcó, 17.º duque de Alba, era herdeira de uma fortuna colossal; no segundo, realizado no passado dia 5, Cayetana tinha 85 anos, já enviuvara duas vezes, não escondia os danos que uma hidrocefalia (excesso de líquido na cavidade craniana) lhe provocou (nomeadamente desequilíbrio, paralisia de uma mão e notável dificuldade em falar) e já doara o seu imenso património aos seis filhos nascidos do seu primeiro matrimónio.
Não menos importante: no pri­meiro, a que assistiram cerca de dois mil convidados, Cayetana uniu a sua vida ao jovem e garboso Don Luís Martínez de Irujo, primogénito dos duques de Sotomayor, em boa parte, disse-se, para fazer a vontade ao pai; no segundo, em que o seu amor pelo plebeu Alfonso Díez, funcionário público 25 anos mais novo, foi abençoado perante pouco mais de uma trintena de amigos e fami­liares dos noivos, Cayetana teve de contrariar a vontade dos filhos.
Uma luta que durou três anos e deu direito a muito lavar de roupa suja em público, com a imprensa espanhola, que sempre adorou a excêntrica duquesa, a dar conta de cada passo desta novela, que incluiu ameaças filiais de interdição materna, declarações de Díez, escritas e com assinatura reconhecida, a abdicar de todo e qualquer direito que pudesse ter aos bens da amada, reuniões de advogados de ambas as partes e, por fim, a decisão de Cayetana, que se gaba de sempre ter conseguido o que queria, de doar em vida o seu imenso património aos herdeiros, mas mantendo o usufruto.
Dito isto, a questão impõe-se: o que terá levado Alfonso Díez, que aos 60 anos continua bem parecido e com porte atlético, a trocar juras de amor eterno com a octogenária duquesa, que, apesar de manter o espírito juvenil e vivaço que sempre lhe foi reconhecido, está, digamos, pouco bem conservada?! Esta parece uma pergunta sem resposta. Porque as suspeitas, mais do que razoáveis, de que o charmo­so Alfonso era um caçador de for­tunas, serão hoje infundadas. Assim o terão achado os filhos de Cayetana, que, mesmo contrariados, acabaram por aceitar o desejo da mãe, católica praticante, de assumir perante Deus este amor tardio. De tal forma que o mais velho, Carlos, duque de Huéscar, até foi o padrinho. Quanto a Cayetano, conde de Salvatierra, o mais novo dos cinco rapazes e mui­tas vezes apontado como o filho preferido, mas também o que mais se manifestou contra esta união, dançou mesmo com a mãe uma rumba sevilhana no final da cerimónia religiosa, celebrada na capela particular do palácio, e abraçou efusivamente o novo pa­drasto.
Na verdade, os únicos ausentes foram Eugenia, a mais nova e única rapariga, pois uma varicela especialmente intensa obrigou a que fosse internada na véspera do casamento, e Jacobo, este sim, por não ter gostado da parte da herança que lhe coube.
Com dificuldade em aceitar a versão de que Díez nutriria pela duquesa um amor platónico há mais de 30 anos, e ao qual deu agora livre curso, muitos espanhóis são de opinião que o novo marido da duquesa terá precavido, conseguindo que ela pusesse bens e dinheiro em seu nome antes de entrar no já referido braço de ferro com os filhos. Mas, a ser assim, então porquê levar o casamento avante? Se realmente já tivesse dado o golpe do baú, não poderia ter feito uma retirada estratégica? Talvez. A menos que a exposição pública a que foi submetido pelo facto de aparecer ao lado da popular Cayetana o tenha inibido de se assumir como vilão explorador de velhinhas indefesas, acabando por se tornar a maior vítima da sua própria armadilha.
Outra hipótese a considerar, sem dúvida a mais irónica, é que, sob a aparência de decrepitude, Cayetana esconda, intacta, a agudeza de espírito que sempre teve, manobrando tudo e todos a seu favor: assegurando o usufruto dos bens doados, continuará a ser dona e senhora deles enquanto for viva; conseguindo não ser interditada, mantém a posse das suas contas bancárias; engodando Alfonso com a sugestão de que poderá transferir-lhe algum dinheiro. E, enquanto transfere e não transfere, vai tendo a seu lado um homem com bom ar e modos requintados, sem dúvida a melhor das companhias para alguém que se sabe a viver os seus derradeiros anos.

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