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Aos 85 anos, Duquesa de Alba sobe ao altar pela terceira vez

A irreverência da duquesa de Alba vem de longe e, juntamente com as suas dezenas de títulos e enorme fortuna, contribuiu para fazer dela uma das mulheres mais populares de Espanha.

Ana Paula Homem
1 de outubro de 2011, 01:21

Um dos folhetins mediáticos que mais aguçou a curiosidade dos espanhóis nos últimos quatro anos parece estar a chegar ao final. E, pelo menos na ótica do casal protagonista, a um final feliz. Isto porque, nos primeiros dias de outubro, Cayetana de Alba - nome pelo qual dá D. Maria del Rosário Cayetana Alfonsa Victoria Eugenia Francisca Fitz-James Stuart y Silva, a mulher com mais títulos nobiliárquicos do mundo -, subirá pela terceira vez ao altar, para se unir pelo matrimónio a Alfonso Díez, funcionário da Segurança Social.
A confirmação do casamento, que será celebrado pela Igreja, na capela particular de Dueñas, encantador palácio de estilo mourisco que Cayetana possui em Sevilha, foi feita pela própria, num comunicado timbrado com a sua coroa ducal que emitiu no passado dia 23 de agosto e com o qual quis pôr fim a muitos meses de especulação sobre o assunto na imprensa espanhola. Especulação que subira de tom quando, em junho passado, a duquesa, que é uma das mulheres mais ricas de Espanha (entre palácios, quintas, antiguidades e obras de arte, a sua fortuna poderá ascender a 3,5 mil milhões de euros), fez partilhas com os filhos - Carlos (63 anos), Alfonso (61), Jacobo (57), Fernando (52), Cayetano (48) e Eugenia (42) Martínez de Irujo -, que ameaçavam interditá-la, pois temiam que Díez fosse apenas um oportunista atrás do dinheiro da mãe.
E o medo dos seis filhos de Caeytana (todos nascidos do seu primeiro casamento, com o também aristocrata Luis Martínez de Irujo, de quem enviuvou em 1972) devia-se, sobretudo, ao facto de ela ter 85 anos e Alfonso apenas 60. Pior, uns 60 anos muito bem conservados, ao contrário dos 85 da duquesa, que estão terrivelmente deformados pelas muitas operações plásticas a que se submeteu e pela hidrocefalia que a deixou presa a uma cadeira de rodas durante largos meses, o tempo que demorou a convencer-se a fazer uma delicada intervenção cirúrgica para implantação de uma válvula de drenagem no cérebro. E quem, na verdade, a conseguiu convencer a avançar para a sala de operações foi o próprio Alfonso, que a considera uma "companhia maravilhosa, uma mulher estupenda".
Alfonso conheceu Cayetana há 30 anos, na loja de antiguidades que os seus pais possuíam em Madrid, e terá ficado deslumbrado com ela ao ponto de nunca a esquecer. Ela, em contrapartida, não terá reparado especialmente no jovem de 30 anos, pois vivia os primeiros tempos do seu segundo casamento, também ele polémico, com um ex-padre jesuíta, Jesus Aguirre y Ortiz de Zárate, por quem se apaixonou em 1978, seis anos depois da morte do primeiro marido, vítima de uma leucemia.
Alfonso reencontrou Cayetana por acaso, num cinema, há cerca de quatro anos. Uma vez mais, viu nela a mulher "estupenda" que conhecera em tempos. E a velha paixão terá ressurgido, agora sem nada a impedi-la, pois a duquesa estava viúva de novo há já dez anos. E deixou-se envolver pela "beleza e simpatia" de Alfonso, com o qual, além do mais, tem muito em comum: ambos são cultos, gostam de arte, literatura, cinema, tourada, viagens...
Cayetana, que é profundamente católica e foi feliz com os seus dois maridos, defende que "todos os grandes amores devem acabar em casamento". Disse-o na primeira entrevista que deu ao lado do noivo, e que foi tema de capa da edição de junho último da revista Vanity Fair espanhola. Na qual disse, também, que "o amor na idade madura é exatamente igual ao da juventude". Depreenda-se arrebatado e capaz de arrasar todos os obstáculos que se lhe atravessem à frente.
No caso da 18.ª duquesa de Alba, que sempre se assumiu irreverente, excêntrica e completamente dona do seu destino, mais do que a opinião dos outros (nomeadamente a do rei Juan Carlos, que a terá desaconselhado), o grande obstáculo era, ironicamente, o seu enorme património. Ultrapassou-o com a inteligente decisão de o pôr já em nome dos herdeiros, mas mantendo o controlo de tudo enquanto for viva. Ou seja, "comprou" a peso de ouro o direito de viver plenamente um amor que muitos encaram como um devaneio próprio de alguém que já não está na plena posse das suas capacidades mentais. E que ela vive com a sofreguidão de quem sabe que o tempo urge.
 

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