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As joias reais de Máxima da Holanda: uma caverna de Ali Babá

Desde que é rainha, Máxima tem ao seu dispor joias de todos os tamanhos e feitios, decoradas com pedras preciosas como safiras, rubis, esmeraldas e muitos diamantes, entre elas o enorme Stuart, um dos mais valiosos do mundo.

Ana Paula Homem
5 de maio de 2019, 11:57

A argentina Máxima Zorriegueta ainda era apenas noiva do então príncipe herdeiro do trono da Holanda, Guilherme, quando, a 25 de agosto de 2001, usou pela primeira vez uma tiara real, no casamento dos príncipes Haakon e Mette-Marit da Noruega. Porque ainda não era princesa, optou pela discrição, usando apenas a lindíssima base de diamantes da Tiara de Pérolas Antiga. Menos de um ano depois, a 2 de fevereiro de 2002, dia do seu casamento, coroou o seu véu de noiva com um sóbrio e juvenil diadema com cinco estrelas de diamantes feito de propósito para essa grande ocasião, mas a partir de outras peças que estavam na família Orange desde o começo do século XIX: a base era de uma tiara que a princesa alemã Sofia de Wurtemberg levou no seu dote quando, em 1839, se casou com o rei Guilherme III, as estrelas eram alfinetes de peito da mesma rainha. Sofia morreu cedo e, em 1879, Guilherme casou-se de novo com outra princesa alemã, Emma de Waldeck e Pyrmont – trisavó do atual rei –, que por não querer usar as joias da sua antecessora se tornou responsável pela aquisição da maior parte das peças que hoje fazem parte do tesouro real.
Nos anos seguintes, em eventos de Estado que exigiam tiara, a rainha Beatriz também emprestou outras à nora, mas na maior parte das vezes Máxima optava pela que usou no dia do casamento, por vezes na versão original, que em vez das estrelas é coroada por botões de pérolas (que também pertenciam à rainha Emma) e que Beatriz usou no dia da sua entronização, em abril de 1980.
Finalmente, no dia da entronização de Guilherme como rei, a 30 de abril de 2013, a nova rainha passou a ser a usufrutuária do conteúdo dos cofres reais – uma coleção de várias tiaras, mas também de inúmeros colares, brincos, anéis, pulseiras e alfinetes de peito com preciosos diamantes, safiras, esmeraldas, rubis, pérolas –, e, porque a ocasião era de grande aparato, conjugou um imponente vestido comprido azul-cobalto com a tiara de dimensões generosas que faz parte daquele que é considerado um dos mais deslumbrantes conjuntos de joias dos Orange: a parure de diamantes e safiras que é composta ainda por brincos, pulseiras e um alfinete de peito.
E a expressão “usufrutuária” usada em cima não foi por acaso. Porque se a rainha Emma só teve uma filha, Guilhermina, que em 1890 sucedeu ao pai no trono dos Países Baixos, esta também só teve uma rapariga, Juliana. Coroada em 1948, Juliana, por seu turno, foi mãe de quatro filhas, Beatriz, Irene, Margarida e Cristina. Pretendendo garantir que as joias da coroa não eram divididas pelas suas filhas, empobrecendo assim o espólio real (e evitando também que elas pagassem elevados impostos sucessórios), em 1963 Juliana doou-as à Fundação da Casa de Orange e Nassau. Quer isto dizer que as joias passaram a ser do Estado holandês, que as põe à disposição das soberanas e de outros elementos femininos da família real, mas assegura a sua conservação e garante que não são alienadas. De salientar que esse tesouro é um dos mais importantes da atual realeza europeia, sendo apenas superado pelo britânico e pelo sueco.
Mesmo que apenas por empréstimo, o estatuto de rainha deu a Máxima a possibilidade de “mergulhar” sempre que quer na verdadeira “caverna de Ali Babá” que são os cofres reais, para brilhar não só em receções de Estado no seu país e no estrangeiro, mas também nos eventos menos pomposos do seu dia a dia. E se os primeiros lhe têm permitido dar uso à magnífica panóplia de joias de aparato que pertenceu às antepassadas do marido (algumas das quais já não eram vistas há algum tempo, pois nos seus 33 anos de reinado Beatriz não usou todas), no quotidiano opta por alfinetes de peito, brincos e pulseiras valiosas mas mais discretas, que alterna com peças de bijuteria contemporânea, demonstrando que não se deixou deslumbrar pelo brilho do ouro e dos diamantes.

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