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Crise no Médio Oriente põe em risco o casamento de Rania da Jordânia

A rainha é acusada pela população de esbanjar os dinheiros públicos em proveito próprio. O rei Abdullah II tenta apaziguar os ânimos tomando medidas políticas, mas a crise já está instalada.

Joana Carreira
21 de março de 2011, 10:22

A mais elegante das rainhas vive momentos conturbados, com parte da população jordana a pôr em causa a sua honestidade e, consequentemente, o seu casamento, já que o rei Abdullah II sofre pressões para a afastar. A questão foi levantada com uma carta aberta assinada por 36 líderes tribais, que representam cerca de 40% da população jordana (maioritariamente constituída por palestinianos), na qual Rania é acusada de corrupção e de utilizar os recursos do reino para "promover a sua imagem pública, contra os interesses da população jordana". A carta exige ainda que o rei restitua aos jordanos as terras de que teriam sido expropriados a favor dos familiares de Rania e não poupa sequer a festa que a rainha deu por ocasião do seu 40.º aniversário, em setembro: "Rejeitamos festas de aniversário ofensivas pagas à custa dos pobres e dos meios públicos."

Rania da Jordânia
Rania da Jordânia
g3online
Claro que as críticas surgem enquadradas pela crise que se vive no Médio Oriente, com diversos regimes a enfrentarem a contestação das populações - que já provocou, como se sabe, a queda do presidente egípcio,
Hosni Mubarak
, e deu origem a uma situação de grande instabilidade na Líbia -, e devem ser consideradas sérias, até porque na Jordânia uma simples crítica à família real é punível com pena de prisão.


Rania da Jordânia
Rania da Jordânia
Getty Images
A contestação será um pouco mais ácida no que respeita à rainha, mas não deixa o rei intocado:
"Mais do que estabilidade e comida, o povo jordano procura liberdade, dignidade, democracia, justiça, igualdade, direitos humanos e o fim da corrupção"
, escrevem ainda os referidos líderes tribais. E apesar de se tratar de um regime no qual o parlamento é eleito pela população, continua a ser o rei a nomear o primeiro-ministro, o que a oposição tem contestado de forma especialmente determinada nas últimas semanas, quando se tem assistido a algumas manifestações de rua.


Rania da Jordânia
Rania da Jordânia
Getty Images
Numa tentativa de apaziguar os ânimos, Abdullah II substituiu o primeiro-ministro e dirigiu ao governo, ao parlamento e à justiça um apelo ao combate à corrupção. Por outro lado, terá pedido a Rania que se mantenha mais discreta e reservada. É inegável que a rainha jordana tem tido grande visibilidade mediática, muito pelo facto de se dedicar a causas de solidariedade de relevância internacional, mas sobretudo por ser bonita, elegante e fotogénica (sobressai facilmente nas passadeiras vermelhas pelo porte e pela opção da alta-costura no seu guarda-roupa), por certo a mais destacada entre as rainhas dos países muçulmanos.


Rania da Jordânia
Rania da Jordânia
Casa Real da Jordânia
Apesar de tudo, e por muitas pressões que possa sofrer, parece improvável que Abdullah II venha a optar pelo divórcio, pelo menos a curto prazo. Ao que se sabe, o rei continua apaixonado pela mulher, de quem tem quatro filhos, e o mais certo é que vá tentando apaziguar os ânimos sem ter de sacrificar a felicidade familiar. Ainda assim, é muito difícil prever como agirá se começar a ver o poder a fugir-lhe das mãos...


*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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