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Béatrice d'Orléans: Uma princesa que venceu no mundo dos negócios

Nobre pelo nascimento e princesa pelo casamento, criou quatro filhos e teve uma carreira de sucesso na casa Dior.

Melissa Tavanez
25 de novembro de 2009, 16:09

Nascida em 1941, no seio de uma antiga família da aristocracia católica francesa, Béatrice d'Orléans (Pasquier de Franclieu de solteira) tinha tudo para ser considerada um bom partido. A simpatia do seu pai, o conde Bruno Pasquier de Franclieu, pelo governo de Vichy, criou, no entanto, algumas dificuldades à sua história de amor com o príncipe Michel d'Orléans. Filhos do então pretendente ao trono de França, Henri d'Orléans, que não via com bons olhos uma união que associasse a sua família ao colaboracionismo, Michel acabou por se casar com Béatrice contra a vontade do pai, em Casablanca, em 1967. Desta união nasceram quatro filhos, Clotilde (1968), Adélaïde (71), Charles Philippe (73) - casado desde 2008 com a autora da entrevista que se segue, a duquesa Diana de Cadaval -, e François (82). Em 1973, o casal foi viver para Espanha e, em 85, a princesa Béatrice, que é licenciada em Ciências Políticas pela Sorbonne e tem uma pós-graduação em Marketing, entrou para a casa Dior, da qual rapidamente se tornou directora de comunicação para Espanha e Portugal. Separada - mas não divorciada - do príncipe Michel desde 1994, esta mulher elegante, que desde muito nova colaborou com revistas de moda e é autora de livros sobre relações públicas e protocolo empresarial, é um exemplo pela forma como soube investir na sua carreira de sucesso sem nunca descurar os filhos, que considera a sua maior realização.

Diana de Cadaval - Passou a sua infância num castelo... Como foi a sua educação?

Béatrice d'Orléans - Eu e os meus irmãos crescemos, de facto, num grande castelo de família, datado do séc. XIII, perto de Grenoble, e recebemos uma educação exigente e severa, mas de muito amor e afecto. Os caprichos, os luxos e a superficialidade não tinham espaço em nossa casa. Lembrar-me-ei sempre do frio siberiano daqueles grandes salões e longos corredores no Inverno! Mas os nossos pais ensinaram-nos a nunca nos queixarmos. "As vossas queixas aborrecem os outros", diziam-nos. E aborrecer os outros era falta de educação. Por isso, tínhamos frio frequentemente. Aquecíamo-nos vestindo camisolões grossos e sufocando debaixo de cobertores de pele de raposa. Mas é certo que o frio não nos impedia de brincarmos nos jardins! Nunca recebíamos presentes sem ser no Natal e nos aniversários e só tínhamos direito a uma sobremesa por semana! E se não tivéssemos feito asneiras! Apesar dessa educação exigente, que hoje pode parecer ridícula, éramos as crianças mais felizes do mundo.

- E depois torna-se princesa. Realizou os sonhos de todas as meninas pequenas...

- Vou surpreender os leitores: passar da vida de castelã para a de princesa não é um novo capítulo de um conto de fadas... Obriga-nos a ter os pés bem assentes na terra. Subitamente, recebemos um diadema invisível sobre a cabeça, mas esse diadema, para lá dos deveres que implica, incita-nos, também, a ver o mundo de outra forma. E a mudar o modo de vida. Há que ser realista: tornarmo-nos princesas de França é formidável, é o mais belo título de França e um dos mais belos da Europa, mas é preciso adaptarmo-nos às dificuldades de uma família real que não reina. É necessário trabalharmos o dobro e termos o dobro da força de vontade. E temos o dobro das pessoas à espera que façamos asneira. E isso tanto é válido a nível profissional como pessoal. Um conto de fadas, perguntava-me. Sem dúvida, se tivermos muita imaginação...

A princesa Béatrice dOrleans com a a duquesa Diana de Cadaval
A princesa Béatrice dOrleans com a a duquesa Diana de Cadaval
Campiso Rocha
- É nobre pelo nascimento e princesa de França pelo casamento. No séc. XXI, que representa para si a nobreza?

- Um enorme desafio. Temos de estar à altura do nome e do título. Não temos direito a ser medíocres e devemos transmitir os valores às gerações seguintes. Devemos ser modelos de trabalho, de rigor, de tenacidade, de generosidade e de virtude. Um príncipe que não se comporte como tal e que não seja digno do seu título não é, a meu ver, um verdadeiro príncipe. É uma ilusão. Em contrapartida, algumas pessoas que não nasceram com um título têm atitudes de uma nobreza exemplar. É a nobreza do coração.

- Tem mais de 30 anos de carreira na área da moda. O que significa a moda para si?

- A moda é fascinante, refinada e entusiasmante. É um autêntico vício. Trabalhei, durante mais de 25 anos, para uma das mais belas marcas do mundo, a Dior. O meu orgulho é ter podido chegar ao coração de milhões de mulheres de todos os níveis sociais, ter-lhes ensinado a compreender o que é a beleza e tê-las feito sonhar. A moda também é isso, fazer sonhar... Mas é preciso não nos esquecermos que por detrás desse universo de luxo e de sonho há milhares de artesãos, únicos no mundo, que vivem eles próprios um sonho, ao criar as mais belas obras da moda. Através da beleza, conseguimos influenciar tudo: do cinema à literatura, da arquitectura à política. A moda não tem fronteiras e sobreviverá a todas as guerras e crises, porque o Homem terá sempre necessidade de sonhar...

- E qual foi a chave do seu sucesso?

- Não há uma chave milagrosa ou um passe de magia. A vida é como um grande contador chinês, com centenas de gavetinhas secretas que se vão abrindo umas a seguir às outras. Mas uma coisa é certa: não há sucesso sem trabalho, muito trabalho. E depois há que juntar-lhe uma dose de paixão, muito rigor, uma pitada de boa educação e de vontade. O ingrediente final, mas essencial, é o amor e o suporte da família. Aí está a receita!

- O presidente francês acaba de lhe atribuir a mais alta distinção de França, o título de Cavaleiro da Legião de Honra. É o culminar de uma vida?

- De todo! A vida é feita de etapas, estou apenas no começo de uma nova. Estou bem longe da realização! Faço parte daquele grupo de pessoas que têm dificuldade em deixar de trabalhar. O trabalho faz parte do meu equilíbrio. E, depois da moda, tenho projectos que me encaminham para outros horizontes.

A princesa Béatrice dOrleans
A princesa Béatrice dOrleans
Campiso Rocha
- E que projectos são esses?

- O primeiro é de âmbito cultural, este ano fui nomeada presidente, para Espanha e Portugal, do Festival do Filme de Marraquexe, que tem o alto patrocínio de Sua Majestade o rei Mohamed VI. O segundo é na área do bem-estar, estou a trabalhar para o SHA, o primeiro centro hoteleiro e clínico da Europa totalmente vocacionado para a macrobiótica. A macrobiótica parte do princípio que o Homem é aquilo que come; uma alimentação saudável tem como resultado mente e corpo sãos. O SHA é único no mundo! Uma estada de dez dias e sai-se uma nova pessoa! Actores e cantores americanos, reis e políticos de vários países já nos visitaram. [www.shawellnessclinic.com]

- Que conselhos daria às mulheres que se batem para encontrar um lugar num universo profissional maioritariamente masculino?

- Que tenham confiança nelas próprias. Que estipulem objectivos e digam a si próprias que conseguem atingi-los. E que não tenham qualquer complexo em relação aos homens. As mulheres podem mover montanhas. Fui a primeira mulher em Espanha a chegar a um cargo tão alto no mundo dos negócios e tive que me bater contra vários homens que queriam o meu lugar.

- Mulher de negócios de sucesso e mãe de família feliz. Qual foi a sua melhor realização?

- Sem qualquer hesitação: a família. Os meus filhos e netos. É óptimo ser uma mulher de negócios de sucessso, mas esse não é um objectivo de vida, é o que nos permite viver. Em contrapartida, vermos os nossos filhos crescer e vermos nascer os nossos netos, isso, sim, é uma enorme realização.

- Quem é, para si, a nível internacional, a mulher mais elegante da actualidade?

- Penso que a rainha da Jordânia. Não só pela beleza e pelo seu guarda-roupa, mas também pelas inúmeras acções de ajuda aos mais desfavorecidos que promove pelos quatro cantos do mundo, bem como a sua luta pela abertura do seu país e do Islão.

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