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Guatemala - Chichicastenango: Fé e tradição em cenário colorido

"Tudo começa na entrada da pequena Igreja de São Tomás, em cuja escadaria íngreme, a fazer lembrar os degraus das antigas pirâmides maias, ardem enormes montes de incenso que carregam o ar com um cheiro adocicado e pungente."

Cátia Pinheiro
29 de dezembro de 2009, 14:29

Escondida entre vales das Terras Altas guatemaltecas, a pequena cidade de Chichicastenango vale bem as duas horas de tortuoso caminho que a separam do lago Atitlán - um dos locais mais visitados pelo turismo neste país da América Central. Não que aí se encontrem majestosas ruínas da civilizações perdidas ou panoramas muito diferentes dos que avistamos ao atravessar toda esta zona montanhosa, mas sim pela invulgaridade do seu mercado indígena que se realiza a cada quinta-feira e também ao domingo, dia em que é possível acompanhar a famosa procissão das confrarias, uma espectacular manifestação de fé que conjuga um catolicismo fervoroso com práticas ancestrais pré-colombianas.

Tudo começa na entrada da pequena Igreja de São Tomás, em cuja escadaria íngreme, a fazer lembrar os degraus das antigas pirâmides maias, ardem enormes montes de incenso que carregam o ar com um cheiro adocicado e pungente. Lá dentro, as diferentes confrarias preparam-se para sair para as ruas apertadas carregando os seus vistosos andores e pendões, num despique de cor e brilho que ecoa rivalidades ancestrais. Ao descerem para o empedrado das ruas, as imagens naïves dos andores oscilam por entre a multidão apinhada e, precedendo-as, membros da respectiva confraria projectam, de tubos de ferro que lembram morteiros, petardos de pólvora que atroam o ar quente do final de manhã e fazem levantar os pássaros em alvoroço.

A religiosidade compenetrada dos acompanhantes da procissão penetra a efervescência da feira, surgindo aos nossos olhos como uma imagem saída de tempos medievais.

A toda a volta no mercado prossegue a azáfama rotineira de compra e venda e, só quando os andores lhe passam em frente, vendedores e fregueses interrompem o regateio para se benzer ou murmurar uma prece ao santo da sua devoção. Índias de colorida saia rodada cobrem a cabeça com lenços de algodão e ajoelham-se em recolhimento nas pedras de basalto. A criançada segue espinoteando a charola, que é precedida por uma banda donde se eleva uma melopeia sincopada e estridente. É Chichicastenango no seu melhor e é assim todas as semanas.


A não esquecer:

Como ir: Embora perdida nas Terras Altas, a pequena cidade de Chichicastenango tem boas ligações por minibus com Antigua e o lago Atitlán, os dois sítios mais visitados pelo turismo na Guatemala.

Quando ir: Os meses mais indicados para visitar a Guatemala e o resto da América Central vão de Novembro a Fevereiro, correspondendo à estação seca e proporcionando temperaturas mais amenas.

O que fazer: Só apreciar a azáfama do mercado indígena é uma boa razão para visitar Chichicastenango. Se a isso juntarmos o espectáculo único da procissão de domingo, temos um programa completo. Claro que as feiras fizeram-se para comprar e há muito por onde escolher. De belíssimos têxteis coloridos a artigos de couro e bugigangas decorativas, a única regra é regatear até à exaustão.

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