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Motores: Ao volante do 100% elétrico Renault ZOE

Já conduzimos o novo ZOE, que se revelou uma agradável surpresa. O elétrico da Renault apresenta uma série de inovações e parece-nos ser a opção ideal para uma utilização citadina, muito divertida e, claro está, amiga do ambiente.

26 de março de 2013, 12:03

Apesar da ausência de incentivos por parte do Estado portuguêsem relação à aquisição de veículos elétricos, a Renault escolheu onosso país para a apresentação internacional do novo ZOE. Ao longode cinco semanas, cerca de 700 jornalistas de todo o mundo testaramnas estradas da Grande Lisboa o novo carro elétrico francês, o quesignifica, segundo a marca, um impacto económico na ordem dos 3milhões de euros. Um investimento muito bem vindo para as finançasdo país, mas que não se reflete no valor de aquisição do ZOE, apartir de 21.750 euros. Em França, por exemplo, com o respetivoincentivo, o mesmo carro custa 13.500 euros. Uma diferença de maisde 8 mil euros que pesa, e de que maneira, na decisão de adquirirum carro elétrico. Apesar de uma maior autonomia em relação aosseus concorrentes mais diretos – a marca fala em 210 Km, valor queme parece um pouco otimista -, o ZOE não pode ser visto como oprimeiro carro de uma família. Há ainda que ter em conta o aluguermensal da bateria: 79 euros (IVA incluído), para um contrato detrês anos e 12.500 Km anuais. Segundo os responsáveis da Renault,este valor equivale aproximadamente a um depósito de combustível. Acarga completa da bateria custa cerca de 2 euros em horário normal.

Mas, deixemo-nos de números e falemos mais em pormenor dasmuitas novidades que o ZOE tem para nos oferecer. Movido por ummotor elétrico com uma potência equivalente a 88 cv e zero emissõesde CO2, o ZOE é um citadino por excelência. É ágil e muitoagradável de conduzir, acelerando dos 0 aos 50 Km/h em apenas 4segundos, e 100% silencioso, a não ser que optemos por equipá-locom o sintetizador de som que imita o barulho de um motor acombustão. Uma opção útil para avisar os peões da nossaaproximação. Caso contrário, teremos que recorrer à buzina para nosfazermos notar. O Z.E. Voice é ativado a velocidades entre 1 e 30km/h e podemos escolher entre três sons: Pure, Glam e Sport.
Devo dizer que me senti muito confortável ao volante do ZOE,tanto nos percursos citadinos como em auto-estrada, onde ovelocímetro chegou a ultrapassar ligeiramente os 140 Km/h (a marcaanuncia uma velocidade máxima de 135 Km/h). O habitáculo é bastanteclean e apresenta alguns elementos bastante interessantesem matéria de climatização. O ZOE está equipado com um sistema quemantém ar à temperatura ideal (22 graus) e o ar condicionado ajustaautomaticamente o nível de humidade no habitáculo de modo a evitara secura da pele.

Há ainda um difusor de odores ativo com propriedades relaxantesestimulantes e dois aromas disponíveis, que são libertadosperiodicamente para evitar a saturação do ar. E para mantermos oZOE sempre limpo, podemos optar pelos estofos em Teflon à prova deágua e nódoas. Como as cores claras estão mais sujeitas à sujidade,principalmente quando transportamos crianças, a versão Zen traz umkit de limpeza rápida, que contém um produto especialmente adaptadoaos plásticos e ao acabamento das superfícies no interior.
Em termos de espaço, o ZOE é perfeito para quatro ocupantes,apesar de estar preparado para cinco. A bagageira apresenta umacapacidade de 338 litros, que pode aumentar para 1225 litros com orebatimento do banco traseiro. Saliento que o banco traseiro sórebate na totalidade.
Com a apresentação do ZOE a Renault anuncia várias estreiasmundiais. Para além de ser o único veículo elétrico com umaautonomia homologada acima dos 200 Km, há também uma novidadechamada Range OptimiZEr, que engloba três inovações técnicas quecontribuem esse valor de autonomia seja possível: o sistema detravagem regenerativo que permite que o motor atue como geradorsempre que travamos ou desaceleramos, uma bomba de calor que aqueceo habitáculo sem prejudicar a autonomia e os pneus Michelin EnergyTM E-V, desenvolvidos especificamente para o ZOE.
Outra das grandes novidades é o carregador camaleão.Dependendo da potência disponível na estação de carregamento(trifásica ou monofásica), o ZOE pode ser carregado de 30 minutos anove horas. E falamos de estação de carregamento porque o ZOE nãopode ser carregado numa tomada comum, ou seja, ao adquirirmos umZOE temos que instalar na garagem uma estação de carregamento, ouentão, procurar uma das muitas que já existem espalhadas pelo país.Parece-me que este é um dos pontos negativos do ZOE.
Ainda no campo das novidades, o novo elétrico da Renault é oprimeiro da marca equipado de série com o R-Link, sistemamultimédia integrado com acesso à internet e que integra uma sériede funções: navegação, rádio, telefone, e muitas outrasespecificamente dedicadas à condução de um automóvel elétrico. Osistema de navegação memoriza a autonomia do veículo e quandointroduzimos um destino diz-nos, desde logo, se temos autonomiasuficiente para lá chegarmos.
Depois do divertido Twizy, do comercial Kangoo e do familiarFluence, a Renault fecha o ciclo dos elétricos com o ZOE, concebidode raiz como um veículo 100% elétrico. Com um design bastanteatraente, o ZOE revelou-se uma agradável surpresa e parece-me aopção mais viável entre os elétricos disponíveis no mercado e aopção ideal para o dia-a-dia. É certo que os 210 km de autonomiasão valores para esquecer, mas os 150 a 160 Km que o ZOE fazrealmente já representam um significativo avanço naquela que é, apar do preço, a grande preocupação das pessoas quando se fala de umautomóvel elétrico.

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