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Motores: Ao volante do elétrico Nissan Leaf

Há quem lhe chame o carro do futuro e, de facto, por momentos senti-me aos comandos de uma nave espacial.

5 de janeiro de 2012, 02:24

Foi com grande expectativa que me sentei ao volante do Nissan Leaf. Ainda no parque de imprensa da Nissan Portugal deparo-me com um interior futurista e repleto de tecnologia, onde chama a atenção o enorme ecrã de navegação disponível de série. Os estofos e o tablier de cor bege não têm alternativa, algo pouco aconselhável quando se tem crianças. Por momentos, sito-me aos comandos de uma nave espacial, principalmente quando ligo o carro e percebo que não existe o mínimo ruído. Ao rodar o volante percebe-se de imediato que a direção é extremamente leve, o que é importante quando pensamos que este é um carro cuja utilização se destina essencialmente a circuitos urbanos. Quanto à alavanca de velocidades, é inspirada num rato de computador e a sua utilização é bastante intuitiva: marcha atrás, frente, ponto morto e parking. Parece que estamos prontos para arrancar...
Apesar de silencioso, o arranque do Leaf é bastante aguerrido e a aceleração é linear. Confesso que a ausência de ruído me provoca alguma confusão inicial, mas é tudo uma questão de hábito. Bastam alguns quilómetros para perceber que o Leaf é bastante confortável e a qualidade dos materiais é muito boa.

De facto, o Leaf não é um protótipo e foi pensado e desenvolvido para ser o primeiro veículo elétrico familiar do mundo. Os designers da Nissan sabiam perfeitamente que tinham em mãos algo totalmente novo e por isso criaram um carro com base numa plataforma única, dotado de uma carroçaria futurista de piso rebaixado que não deixa ninguém indiferente. Aliás, duante os dias em que testei o Leaf foram várias as pessoas que me abordaram para saberem um pouco mais sobre 'o carro elétrico'.

O 'coração' do Leaf é a avançada bateria de iões de lítio, uma tecnologia que faz do veículo elétrico uma opção real. Esta bateria é o resultado de décadas de investigação. Recorde-se que a Nissan utilizou baterias de iões de lítio, pela primeira vez, no protótipo elétrico Prairie Joy, em 1996. Esta nova bateria tem capacidade para armazenar o dobro de energia da geração anterior e o seu design laminado permite uma fácil integração sob o piso do veículo, otimizando assim o espaço do habitáculo.

O desempenho dinâmico provém do motor elétrico de 80 Kw (108 cv) que gera, de forma instantânea e desde o arranque, o binário máximo de 280 Nm, o equivalente ao binário de um convencional motor V6 2.5 a gasolina. Como resultado, temos uma aceleração rápida e perfeita para um carro de utilização urbana e suburbana. O motopropulsor elétrico não entra em ralenti e apenas roda quando o carro está em movimento. Para iniciar o motor, apenas temos que pressionar o botão de arranque e a eletricidade começa a fluir para o motor.
Autonomia
Com a carga completa, o Leaf apresenta uma autonomia potencial de 160 Km, uma distância que satisfaz as exigências de condução diária da maioria dos automobilistas. Porém, esta autonomia depende de vários factores, tais como, a temperatura exterior, a utilização do ar condicionado e o tipo de condução. Ou seja, quanto mais ecológica for a condução, mais quilómetros conseguiremos percorrer. Para isso, é preciosa a ajuda do computador de bordo, que indica dados tão importantes como a autonomia máxima, a potência de saída e a eletricidade regenerada. No painel é possível verificar em tempo real o feedback da nossa condução.

O sistema de travagem regenerativa também aumenta a autonomia. Ao usarmos o travão ou ao tirarmos o pé do acelerador, o motor elétrico atua como um gerador. Para aumentar esta capacidade regenerativa da travagem, existe o modo Eco, que pode ser utilizado para reduzir a utilização do ar condicionado e assim melhorar a autonomia até 10% em áreas urbanas.
Talvez por esta ser a minha primeira experiência mais alargada ao volante de um carro elétrico, confesso que a preocupação com a autonomia foi uma constante. De facto, o Nissan Leaf pode ser carregado até 80% da sua capacidade total em menos de 30 minutos num posto público de carregamento rápido. O problema surge quando os poucos postos disponíveis estão avariados ou encontramos aí estacionados outros veículos. Durante os três dias em que conduzi o Leaf encontrei o posto de carregamento rápido da A5 duas vezes fora de serviço. A alternativa foi recarregá-lo numa tomada doméstica comum de 220V. Desta forma, a carga total demora aproximadamente entre sete a oito horas, e recomeda-se que o recarregamento seja feito durante a noite para beneficiar dos preços mais reduzidos da eletricidade. A porta de carregamento do Nissan Leaf, localizada na dianteira do veículo, tem duas tomadas, uma para carga normal e outra para carga rápida. Em Portugal, o cabo de ligação faz parte do equipamento de série.
Como seria de prever, o Leaf dispõe de avançados sistemas de telemática e informática a bordo, denominado Carwings, que nos fornece várias informações, incluindo a capacidade e autonomia da bateria, apresentando a localização das estações de carregamento mais próximas. Estas informações de navegação são utilizadas constantemente. Outra novidade é a capacidade deste sistema de utilizar um computador ou um smartphone para definir as funções de carregamento e monitorizar o estado de carga do veículo e a capacidade da bateria. Podemos regular o ar condicionado através de controlo remoto para que o ambiente interior esteja ao nosso gosto quando entramos no carro ou programar o início do carregamento noturno para podermos tirar partido das tarifas mais baixas.

A Nissan não descurou os aspetos de segurança. Por exemplo, apesar da porta de carregamento ser à prova de água e dispor de uma estrutura de drenagem para utilização com tempo chuvoso, em caso de curto-circuito, a alimentação é interrompida imediatamente.

Tal como qualquer veículo convencional, o Leaf possui um sistema de airbags, ABS, Assistência à Travagem, Controlo Dinâmico do Veículo (ESP) e pré-tensores dos cintos de segurança, tudo de série, juntamente com uma câmara de visualização traseira para um estacionamento fácil e seguro.

Em resposta à preocupação dos veículos eléctricos e híbridos poderem surpreender os peões e deficientes visuais ao aproximarem-se destes, a Nissan desenvolveu um conjunto de sons distintos com o objetivo de garantir uma experiência positiva, tanto para condutores, como para passageiros e peões.
E porque estamos a falar de um veículo familiar, integrado no segmento C, convém salientar que a bagageira tem uma capacidade de 330 litros, ao nível de outros compactos tradicionais. A abertura da mala e o acesso ao seu interior é fácil, mas é importante não esquecer que parte do espaço já está ocupado pela mochila que contém o cabo para o recarregamento.
Não há dúvida que o Leaf é um carro especial, que pode ser opção para quem necessita de um carro exclusivamente para um uso citadino, mas nada aconselhado para fazer viagens. A cidade é o seu habitat natural e aí sim... é bastante divertido e fácil de conduzir.

Está disponível a partir de 35.990 euros.

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