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Serralves leva obra de Manoel de Oliveira ao Brasil

A inauguração da exposição está marcada para esta quarta-feira, 2 de outubro.

Divulgação
1 de outubro de 2013, 11:32

Dia 2 de Outubro, que inaugura a exposição Manoel de Oliveira: Uma História do Cinema, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, Brasil, organizada pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
A obra de Manoel de Oliveira (Porto, Portugal, 1908) constitui um dos capítulos mais originais da história do cinema, tendo realizado até hoje, entre curtas médias e longas-metragens 54 filmes. Em 2008, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, apresentou uma exposição dedicada à obra deste cineasta, no ano em que este celebrou o seu centésimo aniversário. Em 2013, reuniram-se condições para que esta exposição fosse apresentada no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, no Brasil. Para além da adaptação da mostra aos espaços desta reconhecida instituição cultural, a exposição conta agora com uma atualização dos conteúdos: desde 2008, Manoel de Oliveira realizou mais cinco filmes.
Os filmes são o material da própria exposição, tendo como ponto de partida o modo como Oliveira reinventou o cinema através de uma linguagem cinematográfica que lhe é única. Ao longo de vários momentos vamos descobrindo o cinema de Oliveira através de excertos retirados dos seus inúmeros filmes. Estes excertos não são montados como meros materiais para um outro filme, nem perdem a sua natureza de fragmentos, podendo no entanto ilustrar recorrências e assuntos que serão úteis apresentar a quem agora irá ter ocasião de descobrir ou redescobrir a obra de Oliveira. Temas como a relação entre o documentário e a ficção, entre o cinema e o teatro, bem como a autonomia entre texto, imagem, som e música, são apresentados na exposição, relevando a mestria, inteligência e irreverência deste cineasta que se transformou num marco da cinematografia mundial.
O percurso de vida de Manoel de Oliveira constrói uma analogia com a história do cinema. A descoberta da imagem em movimento, o sonoro, a cor e as técnicas digitais de filmagem foram mudanças por si personificadas e se renitente de início, rapidamente se adaptou às novas tecnologias e delas tira partido. Oliveira praticou vários géneros cinematográficos do documentário à ficção e ao filme-ensaio. A sua vida é tão fascinante quanto a sua obra. Ator, trapezista, atleta de competição e corredor de automóveis, a biografia de Manoel de Oliveira cruza-se com a história do cinema e com a história do século XX. Filmes como Douro, Faina Fluvial (1931), Aniki-Bóbó (1942) ou Amor de Perdição (1978) fazem hoje parte do imaginário dos portugueses, sendo reconhecidos internacionalmente no contexto de uma obra única, considerada como uma das mais relevantes desde os irmãos Lumière até aos nossos dias. Oliveira não cessa de surpreender os seus públicos e a crítica especializada com os filmes que, apesar da sua avançada idade, continua a realizar todos os anos.

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