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Manuel Sá Pessoa: “Atravessei a Índia de mota à procura de uma onda”

A organização do Capítulo Perfeito powered by Billabong desafiou alguns dos surfistas escolhidos pelo público a entrevistar os Embaixadores do evento, figuras bem conhecidas da televisão e do cinema portugueses. Depois de Ricardo Trêpa, chegou a vez de Manuel Sá Pessoa ser entrevistado por Manuel Cotta, um dos mais virtuosos soul surfers do país. Nesta entrevista, o ator fala sobre a forma como concilia a paixão pelo surf com as exigentes rotinas da representação e sobre as suas aventuras pelo mundo em busca de ondas perfeitas.

Divulgação
24 de janeiro de 2014, 17:26

Manuel Cotta – Como te iniciaste no surf?
Manuel Sá Pessoa – Tenho um irmão mais velho que começou a surfar quando eu ainda era criança. A grande maioria dos surfistas em Portugal, salvo raras exceções, aprendeu a surfar na Costa da Caparica ou em Carcavelos, tal como eu. O meu irmão vivia em Lisboa e ia para a Costa de autocarro, e eu ia com ele. Com seis, sete anos já brincava com pranchas de bodyboard, tentando pôr-me de pé em cima delas, a imitar o meu irmão. Aos 10 ele deu-me uma prancha de surf e até me pôs a participar num campeonato. Mas na altura em jogava rugby, então andava sempre dividido entre uma coisa e outra. Joguei rugby durante 10 anos e só a partir dos 20 é que comecei a dedicar-me exclusivamente ao surf.
É fácil para ti conciliar o surf com a profissão de ator? Pode acontecer ficares semanas sem ir surfar?
– Acontece, claro, mas também acontece o contrário. O trabalho como ator é intermitente, ora tenho, ora não tenho. Ora estou a ensaiar, ora estou em cena ou a gravar. Há dias em que é impossível ir surfar porque estou cheio de compromissos, mas também posso ter duas semanas seguidas sem trabalho. Mesmo quando estou a trabalhar, dá sempre para conciliar. Geralmente o teatro é à noite, só a televisão e o cinema é que podem tirar-me mais tempo. De qualquer forma, dá sempre para dar uma “escapada”. É bom para desanuviar e pensar noutras coisas.
– Qual é a tua praia preferida em Portugal?
– Sem dúvida a Praia Grande, em Sintra, de onde sou local. Mas também adoro surfar na Ericeira.
– Que viagens de surf já fizeste?
– Já fui à Indonésia (três vezes), Costa Rica e Norte de Espanha. Também já fui a Marrocos e à India, concretamente às Ilhas Andaman.
– Houve alguma viagem que te marcou especialmente?
– A primeira vez que fui à Indonésia foi inesquecível. Foi em 2005, na altura do furor: as fronteiras tinham aberto há cinco anos e as ondas que toda a gente queria surfar tinham-se tornado finalmente acessíveis. Fui com um grupo de amigos, alugámos um carro e fomos de Bali até Lombok e de Lombok até Sumbawa, sempre de carro. Ainda apanhei Bali um pouco selvagem, sem a construção toda que tem hoje. Ir para Lombok ou Sumbawa, então, era maravilhoso porque aí era só mesmo uma cabana sobre mar. Mas o episódio mais marcante foi quando fui a Little Andaman, em 2003. Atravessei a Índia de mota com uma prancha de surf debaixo do braço. Foi a maior aventura da minha vida: apanhei dois rios pelo caminho, fiquei sem gasolina, pus a mota na areia para tentar chegar à onda… Enfim, um filme! O objetivo era sempre surfar sozinho, encontrar uma onda sozinho. Há dois anos fui para a Indonésia com o meu irmão e o Jó Bento [ex-surfista profissional] e no segundo dia no barco caí num tubo, fui de peito ao coral e magoei-me à séria… Enfim, histórias é o que não me falta! (risos)
– Quem é para ti a principal figura do surf nacional neste momento?
– É difícil dizer, porque há pelo menos três surfistas neste momento candidatos à “prancha de ouro” portuguesa. O Tiago Pires, claro, por ter-se mantido ao longo de todos estes anos na Fórmula 1 do surf mundial. Entre a nova geração, obviamente o Nicolau Von Rupp [vencedor do Capítulo Perfeito 2013] está num pico de forma absolutamente fora de série. Ondas pequenas, ondas grandes, em Portugal ou em qualquer parte do mundo, aquele homem está lá! É um surfista muito completo. Por outro lado, o Frederico Morais provou toda a sua perícia e drive competitivo recentemente no Havai, e acredito que vai chegar longe. Agora, se tivesse de eleger apenas um, por mais difícil que fosse, teria de ser o Nicolau, justamente pela forma como ele tem elevado o nome de Portugal, ainda mais agora que trocou a nacionalidade alemã pela portuguesa nas competições internacionais. Já no ano passado apareceu em todos os sites internacionais e recentemente foi capa da [revista norte-americana] Surfing. Ele é um dos maiores porta-estandartes da bandeira portuguesa hoje em dia.

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