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Soraia Chaves: "Tenho orgulho nas minhas origens humildes"

A atriz, que podemos ver na novela ‘Dancin’ Days’, não gosta de falar sobre a sua vida pessoal. No entanto, desta vez abriu uma exceção para defender os pais, alvo de notícias que considera profundamente injustas.

Cristiana Rodrigues
19 de dezembro de 2012, 11:00

"A vida de miséria de Soraia Chaves” ou “Soraia Chaves – Drama familiar. Novo assalto ao café dos pais dela leva-os ao ferro velho para escaparem à miséria.” Estes são títulos de artigos publicados na imprensa nos últimos meses e que desagradaram totalmente à atriz. Reservada por natureza, Soraia Chaves, de 30 anos, sempre optou por ignorar as notícias que não abonam a seu favor, mas a partir do momento em que os lesados são os seus pais, Henrique e Eunice Chaves, não consegue disfarçar que ficou revoltada. E porque preza a família, de quem é muito próxima e que tem estado ao seu lado em todas as suas conquistas, foi esse assunto que acabou por dominar esta entrevista à atriz que se destacou como Amélia em O Crime de Padre Amaro, que venceu um Globo de Ouro para melhor atriz pela sua interpretação em Call Girl e que vive agora, na novela Dancin’ Days, a vilã Raquel. O gravador está ligado.
– Costuma dizer que é uma péssima entrevistada...
Soraia Chaves –
Sou tímida e muito reservada e quando o gravador liga, tenho consciência de que a conversa não vai ficar só entre nós... Há muita gente que vai ler e há sempre uma preocupação da minha parte para não dizer as coisas erradas.
– Esse receio tem algum fundamento?
Deve-se a algumas experiências que tive logo no início de carreira em que talvez não soubesse gerir tão bem a informação. Fui mal interpretada e algumas entrevistas foram utilizadas numa perspetiva pouco fiel em relação àquilo que eu sou.
– Porque já se sentiu lesada, calcula agora todas as palavras?
Costumo calcular aquilo que digo, sim... Há meios que deturpam o que dizemos e alteram o contexto do que dizemos para favorecerem as vendas. Tendo eu começado a minha carreira de atriz de uma forma um bocadinho controversa [porque expôs o corpo], senti o interesse da imprensa que queria explorar precisamente esse lado mais controverso, e eu não sou uma pessoa de controvérsias.
– Como é que a sua família lida com o facto de ter uma vida ‘pública’?
A minha família é um pilar na minha vida. Os meus pais sempre me apoiaram desde muito cedo e sempre acompanharam os meus passos. Comecei a trabalhar muito nova e na altura até me acompanhavam aos trabalhos. Foram-me dando, ao mesmo tempo, liberdade para escolher o meu caminho, perseguir os meus sonhos e construir uma carreira sem me pôr nenhum entrave. Deram-me o conforto e a confiança para seguir em frente. Sempre lidaram de forma natural com a minha exposição e têm orgulho do que fui conquistando ao longo destes anos.
– Mas recentemente foram eles o objeto da notícia, quando se afirmou que os seus pais tinham uma vida de miséria...
Foram invasivos e desrespeitosos para com os meus pais, para com a minha família... Senti-me verdadeiramente ofendida e invadida. Senti vergonha por fazer parte de um meio que é capaz de usar este tipo de co­municação que não é séria nem profissional, de certa forma é até medíocre e mesquinha.
– E fê-la sentir-se impotente?
Impotente e de certa forma revoltada, porque os meus pais têm a vida deles e é suposto ser eu o objeto de crítica e interesse.
– É duro lidar com esse tipo de artigos?
É, sobretudo quando há uma deturpação da realidade. Houve uma exposição muito injusta da vida dos meus pais, que são pessoas honestas, trabalhadoras e humildes. Uma vida de trabalho que, no fundo, é a vida que a maioria dos portugueses tem...
– E da qual também certamente se orgulha...
Orgulho-me bastante das minhas raízes. Os meus avós viviam no interior de Portugal antes do 25 de Abril. Foram obrigados a sair das suas terras e a ir para a cidade reconquistar a vida, para dar algo melhor aos filhos. Os meus pais, também dentro desse contexto, lutaram muito, mas conseguiram dar-me, a mim e às minhas irmãs, a vida que nós quisemos ter. Tivemos uma infância feliz e perfeitamente normal... Portanto, quando se diz que tive uma vida de miséria e que passei dificuldades, é totalmente falso.
– Se fosse verdade, hesitaria em assumi-lo?
Não. Dizerem que os meus pais têm uma vida miserável é que é ofensa para eles, para mim e para a maioria dos portugueses que têm de trabalhar para viver.
– Algum dia os seus pais a culparam por serem alvo desse tipo de notícias?
Não. Mas neste momento, eu, que sempre optei por ignorar tudo o que era escrito sobre mim e que nunca gostei de falar sobre a minha vida pessoal, tenho necessidade de defender os meus pais e a minha família, porque são notícias que envolvem pessoas que amo. Sinto a necessidade de dizer que sim, que tenho origens humildes, e que tenho muito orgulho da família que tenho, da educação que me deram. É profundamente injusto para os meus pais verem o nome deles denegrido numa capa de revista.
– Talvez por ser reservada a sua vida suscite maior curiosidade…
Sim, sem dúvida. Querem inventar, esmiuçar.
– Esse é o lado mais feio da condição de figura pública
Tenho a certeza que sim.
– Já me disse que não gosta de falar da sua vida pessoal, mas há perguntas que gostaria de lhe fazer. Há alguém que preencha o seu coração?
Sim, todas as pessoas que amo e que fazem parte da minha vida.
– Mas vive com o Tiago [San­tos] uma bonita história de amor...
Esse é um assunto sobre o qual prefiro mesmo não falar.
– Bom, então mudemos de assunto. A sua personagem em Dancin’ Days, Raquel, é uma mulher forte e determinada..
Ela aparenta ser forte e determinada, mas no fundo é uma mulher cheia de fragilidades. A Raquel tem fragilidades, medos e inseguranças, apesar de tentar não o demonstrar. Tem muita complexidade e é precisamente essa complexidade que a torna tão humana.
– A Soraia também é complexa?
Tal como ela, eu não sou uma coisa só, sou complexa e cheia de conflitos interiores. Sou determinada em relação aos meus sonhos e objetivos, mas também tenho flexibilidade para perceber que aquilo que idealizamos está muitas vezes longe daquilo que é passível de acontecer e aí tento encontrar o ponto de equilíbrio.
– A certo ponto da história, para manter o nível de vida, a Raquel torna-se acompanhante de luxo. Um papel que já tinha interpretado em Call Girl. Foi por isso mais fácil fazê-lo?
Não. As motivações dessas  duas personagem eram completamente diferentes. Em Call Girl, a Maria fazia esse trabalho com convicção e prazer. A Raquel foi empurrada para uma situação de desespero que sentiu que não tinha outra saída. Foi um trabalho ao qual ela teve de recorrer para sobreviver num determinado momento da via dela, mas não é isso que define a sua historia. Todas as abordagem que faço às personagens que interpreto são diferentes, pelo simples facto de serem mulheres distintas.
– Também seria capaz de fazer tudo na vida para manter o nível de vida? Mudar de profissão, por exemplo...
Não, não seria capaz de fazer tudo por esse motivo. Até porque o meu nível de vida é bastante simples e pretendo mantê-lo assim. Não preciso de muito para viver bem. São as coisas simples que me fazem feliz. Quanto ao mudar de profissão, também não é algo que me assuste. Se um dia perceber que tenho de o fazer para estar bem, seja a que nível for (profissional, pessoal, geográfico), fá-lo-ei sem hesitar.

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