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Filomena Teixeira: "Isto é um martírio"

Mãe de Rui Pedro desanimada com o decorrer do processo

Joana Brandão
26 de janeiro de 2012, 19:21

A esperança que trazia no rosto no início do julgamento de Afonso Dias tem vindo a desvanecer-se. Hoje, dois meses e meio depois de ter entrado pela primeira vez no Tribunal de Lousada em busca da verdade sobre o que aconteceu ao seu filho, Rui Pedro, Filomena Teixeira não disfarçava o desalento com que tem vindo a enfrentar estas últimas sessões. Sem resposta à pergunta que tem feito nos últimos 13 anos – "Onde está o Rui Pedro?" – a mãe do menino revelava evidentes sinais de esgotamento emocional e físico.
A sessão de hoje, onde se deveriam ter ouvido as alegações finais, voltou a ser inconclusiva. E quando foi anunciado que só seriam ouvidas amanhã, sexta-feira, Filomena desabafou: “Espero que amanhã não seja como hoje e que, sinceramente, se façam as alegações finais. Isto é um martírio!" Na sessão de hoje, o Ministério Público e Ricardo Sá Fernandes requereram alterações aos factos que levaram Afonso Dias a julgamento. O advogado da família de Rui Pedro defendeu, no referido requerimento, que no dia 4 de Março de 1998 o arguido se encontrou duas vezes com o menino de 11 anos, e não uma, como consta da pronúncia. Dois encontros, em horas e locais distintos, que reforçam a tese de rapto defendida pela acusação.
Em declarações à imprensa, a defesa da Afonso Dias, por seu turno, discordou dos termos do requerimento da acusação e dos assistentes, realçando que "a factualidade que se pretendia aduzir é matéria que cabe decidir ao colectivo". Por sua vez, a juíza-presidente, Carla Fraga, já fez saber que só se vai pronunciar sobre o requerimento depois das alegações finais.
“É uma matéria sensível e talvez seja mais prudente fazer as alterações depois das alegações, mas isso tem uma consequência: implicará nova produção de prova e novas alegações. A acontecer, tal levará à reabertura do julgamento. Ou seja, ainda há tempo para o senhor Afonso Dias falar”, explicou Ricardo Sá Fernandes.
Tal como tem acontecido em todas as sessões, o arguido tem manteve o silêncio em tribunal. No entanto, o seu advogado referiu que “obviamente há algumas questões que Afonso Dias podia esclarecer” e revelou que o seu cliente estará disponível para falar “quando não for suspeito nem esteja a ser julgado”.

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