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Maria Grazia Chiuri conjuga romântico e gótico na coleção de alta costura da Dior

Um dia depois de ter apresentado a nova coleção Dior, a italiana Maria Grazia Chiuri, uma feminista assumida, foi agraciada pela secretária de Estado para a Igualdade de Género francesa, Marlène Schiappa, com a Legião de Honra de França.

Ana Paula Homem
20 de julho de 2019, 15:00

No verão de 2016, a italiana e feminista Maria Grazia Chiuri, hoje com 55 anos, tornou-se a primeira mulher a assumir o cargo de diretora criativa da Maison Dior desde a sua fundação, em 1947, pelo costureiro Christian Dior. E logo nesse ano, na sua primeira coleção para a casa da Avenue Montaigne, deixou bem clara a sua filosofia, pondo uma modelo a desfilar com uma luxuosa e etérea saia bordada conjugada com uma simples T-shirt branca com a frase: “Todos nós devíamos ser feministas.” Chiuri defende que as mulheres devem ser femininas, mas não como as via Christian Dior há 70 anos, e sim de forma adequada aos nossos dias. Uma maneira de pensar refletida na coleção de alta costura outono-inverno 2019/2020, apresentada no passado dia 2, em Paris, e que apostou forte em saias amplas, a permitir os movimentos. E mesmo nos modelos mais austeros e de inspiração quase militar as silhuetas permitiam ‘respirar’.
A criadora italiana conseguiu uma conjugação aparentemente impossível entre o estilo romântico e o gótico, não só pela omnipresença do preto, mas também pela profusão de rendas, bordados, penas ou peles marteladas. Além disso, quase todas as manequins surgiram com redes a ocultar a cara, bem como a tapar os ombros e os braços nos modelos decotados e sem mangas, além de exibirem meias de rede ou bordadas.
Pelo meio, no entanto, foram aparecendo alguns vestidos “fora do baralho”, inspirados nos trajes das cariátides que ornamentam as colunas das fachadas de muitos templos gregos. E estes foram dos poucos que fugiram ao preto, apostando em tecidos metalizados em tons prata, bronze, cobre e dourado.
Aquele que foi o último desfile no mítico prédio do número 30 da Avenue Montaigne, antes de este ser objeto de obras de remodelação que deverão demorar mais de um ano, terminou com uma modelo a desfilar apenas vestida com uma maquete daquela casa parisiense.

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