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Filipe La Féria aclamado na noite da estreia de “Severa – O Musical”

Filipe La Féria não escondeu a felicidade nesta noite de estreia, que levou o Politeama à apoteose.

Vanessa Bento
30 de março de 2019, 17:04

"Morro sem nunca ter vivido.” Estas terão sido as últimas palavras da fadista Severa, considerada a fundadora desta arte de cantar o destino e a vida com o coração na voz. Embora tenha partido aos 26 anos, a sua vida ficou imortalizada e é agora tema de um musical da autoria de Filipe La Féria, em cena no Teatro Politeama, em Lisboa. “Fico sempre nervoso nas estreias, é como estar debaixo de água, vir à superfície e ir até ao céu. Este é talvez um dos meus melhores espetáculos, é um espetáculo com que sempre sonhei, porque acho que o teatro é a história de cada país. E a Severa é a nossa história, é uma época muito pouco conhecida do grande público, uma época sangrenta e de miséria, mas o espetáculo é trágico-cómico e é servido por um elenco extraordinário”, reconheceu o encenador, que tem dedicado a sua vida ao teatro. “Tem sido uma caminhada difícil, com momentos de luz e de sombra, mas a minha vida e a minha paixão é o teatro. Na vida há dias cinzentos e dias de sol e hoje é um dia de sol. E eu não penso parar. Nem quando morrer, porque no céu há muitos musicais para fazer”, sublinhou, sorridente.
Filipe La Féria passou os últimos seis meses a escrever Severa – O Musical. Os ensaios duraram dois meses e, na noite de estreia, o Politeama entrou em apoteose com o resultado de todo este trabalho. “Adorei ver amigos e colegas de toda uma vida e assistir a um espetáculo do Filipe La Féria, que é sempre surpreendente. Neste caso mais ainda, por causa do argumento, porque nunca vi nada semelhante e com tamanha qualidade. Sei que sou suspeita, sou amiga de grande parte deste elenco, e em particular da protagonista, a Filipa Cardoso, que é uma fadista inacreditável, um furacão de mulher, mas foi, de facto, absolutamente brilhante”, frisou a fadista Raquel Tavares. Opinião unânime e largamente sublinhada por todos os presentes, que não pouparam palmas ao elenco e ao autor. “Hoje vimos um grande espetáculo. Tudo o que é dirigido pelo La Féria é muito bem conseguido e, sobretudo, muito disciplinado, com muito bom gosto e muita qualidade”, afirmou Ruy de Carvalho.
Durante cerca de duas horas, Filipe La Féria convidou o público a viajar com os atores até ao século XIX, à Lisboa das touradas, das tabernas da Mouraria, da aristocracia e da guerra entre liberais e absolutistas, sempre com o fado como protagonista, do princípio ao fim. “Chorei, emocionei-me, ri-me... Sou muito amiga da Filipa Cardoso e ela esteve fantástica. A emoção e a entrega dela foram incríveis. Há aqui certas coisas com as quais me identifico. Aquela garra da Severa, mas ao mesmo tempo o seu lado tão humano e sensível... É um espetáculo muito bonito”, admitiu Ana Moura, que partilhou a plateia com vários outros fadistas, entre eles Carminho. “É um espetáculo muito inspirador, fala de uma personagem incontornável do fado, e estou completamente rendida ao espetáculo, à Filipa, minha amiga, e à participação de todos. Confesso que gostei muito. Cheguei hoje de viagem e parto amanhã novamente, mas tento aproveitar o máximo que posso para poder acompanhar o trabalho dos meus amigos, poder divertir-me e trazer a minha mãe ao teatro”, admitiu a fadista. Além de vários nomes do mundo da música, foram também muitos os atores que não quiseram faltar a esta estreia tão especial para Filipe La Féria, incluindo um dos grandes nomes da revista brasileira, Brigitte Blair. “Sou uma resistente da revista e é doloroso para mim estar do outro lado, não estar no palco. Não tenho outra vida que não seja o palco, e fora dele sinto-me deslocada. Não nasci para ser dona de teatro, nasci para ser atriz. E é muito bom estar aqui esta noite. Lisboa dá-me uma paz e uma harmonia que não encontro noutro país”, disse, numa noite que se fez de afetos e de amigos. “Uma noite passada no teatro é sempre uma noite ganha, ainda por cima a ver este papel tão bem defendido. O Filipe La Féria tem o dom da alegria, o dom de chamar pessoas ao teatro, e estas são sempre noites de festa. Estou muito feliz por estar aqui”, assumiu, por seu lado, Maria Rueff.

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