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João Lima

Marcos Frota: “Vou ser avô este ano. Estou numa fase de renovação”

Aos 63 anos, o ator brasileiro mostra-se grato e em paz com o seu caminho e as escolhas que fez.

Vanessa Bento
3 de fevereiro de 2019, 14:44

Lisboa tem sempre um lugar muito especial no coração de Marcos Frota. É aqui que regressa muitas vezes, seja para viver momentos de alegria, seja para apaziguar o coração. Foi isso que confidenciou à CARAS durante um passeio pelo Cais do Sodré, onde se deu a conhecer com a serenidade de quem sabe que é o ator principal do seu caminho. Aos 63 anos, o ator brasileiro, que esteve em Portugal a apresentar o filme O Grande Circo Místico, está grato à vida por tudo o que já viveu e faz questão de não alimentar mágoas nem rancores. Mesmo que o caminho nem sempre tenha sido fácil – ficou viúvo muito cedo, logo após o nascimento do seu terceiro filho. Marcos e Cibele eram pais de Amaralina, Apoena e Tainã. Anos depois desta tragédia, casou-se com Carolina Dieckmann, com quem teve o seu quarto filho, Davi. Estiveram juntos sete anos. Serenadas as dores da perda, Marcos fala sobre tudo sem rodeios, mas consciente da dimensão de cada palavra. No coração transborda apenas amor. Amor pela família que construiu, pelos laços fortes que nutre com os filhos e pela ideia de se tornar avô.
– Disse numa entrevista que o objetivo da vida deve ser a busca e o encontro da paz. Já encontrou a sua?
Marcos Frota – Estou com 63 anos, os meus filhos já são adultos, vou ser avô este ano... Estou numa fase de renovação, um ciclo que começa. Mas a paz ainda está distante, porque, apesar da minha idade, a luta pelo trabalho, pela sobrevivência, pelo cuidado da família ainda é grande. Mas já tenho lampejos do que é essa paz. Tanto é que espontaneamente resolvi passar a passagem de ano em Fátima, sozinho e completamente em paz. Fui lá agradecer, experimentar em silêncio o propósito da gratidão. A gratidão é, ela própria, uma celebração da vida. E quando se tem algo a agradecer, é porque se está em comunhão com tudo.
– Para chegar aqui há que fazer um caminho mais espiritual...
– Eu fiquei viúvo e naquele período, de uma maneira ou de outra, tive de encontrar o meu lado espiritual. Tentei não guardar rancor do que aconteceu e não deixar que a minha família fosse estigmatizada pelo clima da tragédia. E a espiritualidade é algo que se experimenta, não é palpável, vai além do que se vê ou toca. E com isso ficamos muito mais pacientes, a alegria flui de forma natural, porque nos alimentamos melhor, temos momentos de oração, relacionamo-nos de uma maneira que nos permitimos experimentar coisas boas, a questão da sexualidade ganha outro sentido. Tudo isso é uma caminhada.
– É uma caminhada pela vida, é uma forma de estar?
– Sim, com várias etapas. Chego aos 63 anos realizado com o meu trabalho e em paz com as minhas escolhas. Mas não sou dado a balanços, o que passou, passou. Serve como aprendizagem, mas o que virá é o que interessa.
– Conseguiu passar esses ensinamentos aos seus filhos?
– Procurei fazê-lo. Todos os meus filhos são melhores do que eu, e isso é uma conquista minha. Eles têm uma relação de honestidade com as coisas da vida, não tenho nenhum filho vulgar, materialista ou competitivo. Eles têm-me como pai, respeitam-me, mas, acima de tudo, somos amigos e há liberdade de falar sobre todos os assuntos. Nada é proibido. Não é simples, mas é necessário, porque as relações ficam mais consistentes.

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