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Michelle Obama faz digressão milionária para promover a sua autobiografia

A ex-primeira-dama dos EUA contratou a maior promotora de concertos do mundo para organizar esta “tournée”.

Ana Paula Homem
1 de dezembro de 2018, 11:02

Foi na Whitney Young Magnet School, onde estudou, em South Side, o bairro pobre de Chicago onde nasceu e cresceu, que no passado dia 12 Michelle Obama, de 54 anos, fez a pré-apresentação da sua autobiografia, Becoming, no original, perante um grupo de 21 alunas, que a receberam em euforia e a bombardearam com perguntas. A obra, que foi posta à venda a nível mundial no dia 13 – em Portugal com o título Becoming: A Minha História –, é um relato vívido e apaixonado do percurso pessoal e público desta mulher descendente de escravos, que foi a primeira negra a ser primeira-dama de um dos países onde a segregação racial mais tempo perdurou (na verdade, ainda perdura).
Não se pense, porém, que Michelle vai resumir a divulgação do livro a escolas e a sessões de autógrafos em livrarias de bairro. Depois de, em 2017, ela e o marido terem assinado um contrato de 60 milhões de euros com a editora Crown Publishing Group pelos direitos de publicação dos seus livros, Michelle contratou os serviços da Live Nation, a maior promotora de concertos do mundo e responsável por digressões de estrelas da música como Beyoncé, Miley Cyrus ou os U2, para organizar uma tournée que a levará a estádios e grandes espaços de 12 cidades americanas e de duas no estrangeiro, Paris e Londres, para aquilo que descreve, de forma absurda, como “conversas íntimas”, uma vez que a maioria das salas onde se apresentará tem capacidade para cerca de 20 mil pessoas.
A lotação de alguns desses espaços já está, entretanto, esgotada, o que não seria de espantar se os bilhetes fossem acessíveis a todas as bolsas. Mas se os ingressos para os lugares mais afastados do palco andam por uns módicos 30 euros, os da segunda plateia rondam os 600 e os da zona VIP, que incluem um cocktail com a presença da autora, chegam aos três mil euros. De salientar que ainda por cima a digressão tem vários patrocinadores e que, do valor total dos lucros, a antiga primeira-dama doará apenas 10% para solidariedade, amealhando o restante. Naturalmente, o coro de críticas não se fez esperar, considerando uma hipocrisia que uma mulher que cresceu numa família com dificuldades financeiras e que fez do combate à pobreza uma das suas lutas se sirva agora do estatuto de antiga primeira-dama para enriquecer desta forma.
A tournée começou no passado dia 13, no estádio do clube de futebol americano Chicago Bulls, onde cerca de 14 mil pessoas, sobretudo mulheres, se reuniram para ouvir Michelle. E neste arranque a senhora Obama, uma das americanas mais influentes, contou com a colaboração de outra mulher igualmente poderosa, Oprah Winfrey, que conduziu a conversa em estilo de entrevista.
Tendo certamente recorrido a consultores de imagem com muito melhor gosto do que os dos seus oito anos na Casa Branca, foi uma Michelle totalmente renovada – do cabelo comprido e mais solto, que a rejuvenesce, à roupa muito mais sofisticada e ousada – que subiu ao palco com Oprah para adiantar algumas das confidências que faz no livro. E uma delas é, sem dúvida, de uma enorme exposição da sua intimidade: há pouco mais de 20 anos perdeu o primeiro filho que esperava e isso fez com que se sentisse fracassada como mulher: “Senti que tinha falhado. Na época, não sabia que os abortos espontâneos eram tão comuns, porque não falávamos deles.” Depois disso, “com 35 anos e o relógio biológico a dar horas”, acabou por se submeter a tratamentos de fertilização in vitro, para conseguir engravidar das suas duas filhas, Malia, hoje com 20 anos, e Sasha, atualmente com 17.
Becoming – A Minha História relata muitos outros episódios da vida pessoal da autora, entre eles como conheceu Barack Obama no escritório de advogados onde ela era associada júnior e o orientou num estágio, contando mesmo como foi o primeiro beijo que trocaram. E confidencia também que a dada altura o total envolvimento do marido na carreira política tornou a relação deles tão complicada que acabaram por ter que fazer terapia de casal.
Os seus oito anos na Casa Branca, que lhe permitiram conhecer a maioria dos líderes mundiais, também ocupam lugar de destaque na biografia. E recorda que logo que a família se instalou naquela mansão intimidante avisou os empregados de que queria que as filhas continuassem a cumprir algumas tarefas domésticas, nomeadamente fazerem as suas camas.
Nestas memórias, Michelle faz questão de contrariar as vozes que davam como certo que pensaria dedicar-se à política, e garante: “Não tenho qualquer intenção de me candidatar, nunca. Nunca fui fã de política e a minha experiência nos últimos dez anos fez pouco para mudar isso.” Em contrapartida, não poupa Donald Trump, lembrando que a história da falsa certidão de nascimento do marido “foi uma loucura cheia de más intenções”, e frisando: “Com essas insinuações vociferantes e insensatas pôs a minha família em perigo. Por isso nunca lhe perdoarei.” Sem papas na língua, Michelle não esconde ainda que a atual situação política nos EUA lhe tira muitas vezes o sono.

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