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Em Lisboa, Nelson Motta admite: “As mulheres dominaram a minha vida”

O escritor brasileiro esteve em Portugal com a mulher, Drica Albuquerque, com quem está há cerca de um ano.

Marta Mesquita
17 de novembro de 2018, 14:01

Logo na primeira resposta desta entrevista, Nelson Motta revela aquilo que é. Jornalista, cronista, escritor, letrista, produtor e compositor, o brasileiro é, acima de tudo, um contador de histórias. E nos 74 anos que acaba de completar cabem muitas, que foi partilhando nos livros, guiões e nos mais de 300 temas que o tornaram um dos nomes maiores da cultura brasileira dos últimos 50 anos.
Ao longo da sua carreira na área da música, Nelson trabalhou com Rita Lee, Marisa Monte, Lulu Santos, Gal Costa, Daniela Mercury, Cuca Roseta, entre tantos outros nomes, tendo, em 2016, sido distinguido com um prémio especial atribuído pelos Latin Grammy Awards. Já na escrita, O Canto da Sereia, Bandidos e Mocinhas e Noites Tropicais são sucessos que comprovam que mesmo quem reprovou duas vezes a Português pode ser um autor publicado e aclamado pela crítica.
Nas páginas da vida, Nelson também é um protagonista e tanto. As mulheres, essas, sempre foram a sua inspiração para tudo. Perdeu-se de amores vezes sem conta. Namorou com Elis Regina, casou-se com a atriz Marília Pêra e agora que conheceu Adriana Albuquerque [que gosta de ser tratada por Drica], de 49 anos, acredita que à quinta união não tem de procurar mais. Amou muito, sofreu também. Ficou preso às drogas e teve de sair do país para se libertar do vício. Conseguiu. Nunca foi morno e viveu tudo intensamente. É por isso que não tem saudades de nada e que continua a querer agitar o seu mundo e o dos outros.

– Veio a Lisboa lançar o seu livro Força Estranha – Dez Histórias e Um Mistério!. É sempre bom regressar a Portugal?
Nelson Motta – Portugal é o meu segundo lar. Vim pela primeira vez em 1963, tinha 19 anos. Vim com os meus pais e as minhas irmãs. Adorei a cidade, mas perguntei ao meu pai se aqui havia jovens. Claro que havia, mas os jovens vestiam-se como velhos, porque estávamos em pleno salazarismo. As mulheres vestiam-se todas de preto. Era uma tristeza, uma melancolia. Depois, vim uma semana após o 25 de Abril e era uma festa! Foi uma explosão de liberdade. Foi lindo. Já vim tantas vezes… Mesmo quando morei em Nova Iorque, nos anos 90, continuei a vir cá. Aqui tratam-me com respeito. No Brasil, como estou lá há muito tempo, todos me tratam por Nelsinho e eu não gosto disso, porque é uma falsa intimidade. Eu sou superaberto, abraço e beijo todo o mundo, mas não somos amiguinhos. E aqui posso andar na rua sem medo da violência urbana.

– Como é que alguém que reprovou duas vezes a Português faz uma carreira a escrever?
– É verdade! Criei minhas filhas escrevendo. Acho que fui injustamente reprovado. Já escrevia direito, mas o estudo era muito chato. Nunca gostei de coisas chatas. No último ano da faculdade de Design tive um professor fantástico, o jornalista Zuenir Ventura. Ao perceber que eu gostava tanto de escrever, sugeriu-me que fosse trabalhar para um jornal. Fui e nunca mais voltei. Ele foi determinante no rumo da minha vida profissional. E virei escritor também por causa dele. Agora, quer pôr-me na Academia Brasileira de Letras. Eu gostava. O meu avô [o advogado e ensaísta Candido Motta Filho] também foi da Academia. Seria um show avô e neto chegarem à Academia. Seria um nepotismo por mérito.

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1213 da revista CARAS.
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