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Carlos Cruz: “Nunca deixei de ser feliz à minha maneira”

O antigo apresentador no lançamento do novo livro de Marluce, sua ex-mulher.

Vanessa Bento
20 de outubro de 2018, 11:01

Carlos Cruz e Marluce sempre se apoiaram mutuamente. Por isso mesmo, o antigo apresentador fez questão de estar presente no lançamento do livro da ex-mulher, 12 Pérolas para uma Vida Feliz. E foi precisamente este o mote para uma conversa na qual Carlos Cruz mostrou que apesar das voltas da vida, a esperança se mantém inalterada.
– Hoje é um homem mais feliz?
Carlos Cruz – Nunca deixei de ser feliz à minha maneira. Gosto muito de mim próprio, tenho uma enorme tranquilidade interior, desde há muitos anos, e não tenho nenhum peso na consciência.
– Essa tranquilidade foi a base da força e motivação que sempre demonstrou?
– Ter tranquilidade interior e ter a consciência limpa, não ter remorsos porque não tenho razão para ter remorsos de nada. Nunca fiz mal a ninguém, nunca fiz mal ao mundo... O mundo às vezes fez-me mal, mas isso são coisas passageiras e não vale a pena viver do passado. Vivo o dia a dia na esperança de que o amanhã seja melhor. Mas a vida é finita, não sei se amanhã estou cá, portanto, o melhor é gozar o dia de hoje com as pessoas amigas, com tranquilidade, com os meus livros... Acho que estou bem.
– Não alimenta rancor para com nada nem ninguém?
– Não. Houve uma altura em que sim... Nunca senti raiva, esse é um sentimento que não faz parte do meu catálogo, mas senti revolta, não necessariamente em relação às pessoas, mas em relação às circunstâncias. Perguntei-me por que razão me estava a acontecer tudo aquilo e, nesse sentido, houve um período violento interior, mas com algum treino mental e força de vontade, e com a certeza de que a realidade ninguém a pode alterar – e a realidade é que nunca fiz mal a ninguém – consegui ultrapassar a fase da revolta. E hoje sou um homem tranquilo.
– Mas é, inevitavelmente, um homem diferente?
– Nesse sentido, sou. A minha visão do mundo e a ideia de determinados valores que tinha ruíram completamente. E alguns desses valores eram pilares da minha existência e isso abanou-me um bocado. Mas criamos outros alicerces, outras motivações...
– Conseguiu erguer-se, ainda que de forma diferente?
– Sim, mais sólido, mais atento, mas simultaneamente a gostar cada vez mais de quem sou e de muita gente à minha volta.
– Acredito que a vida que tem hoje não é a que imaginava que teria. Já fez as pazes com as expectativas que saíram frustradas?
– Sim. As expectativas que tinha estão completamente arquivadas. Entretanto, tenho outras. Acho que o homem tem que viver de expectativas e esperanças. E de projetos, e encarar o futuro com a certeza de que o futuro lhe dará alguma coisa e ele dará alguma coisa ao futuro. Muitas vezes não acontece, comigo não aconteceu no passado, pode ser que aconteça agora. E a esperança é uma das bases da existência. Uma pessoa sem esperança é uma pessoa que não está viva.

fotos: Pedro Jorge Melo

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