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João Lima

Eunice Muñoz: “Fico parvamente embevecida com este tempo que já passou”

Aos 90 anos, a atriz abriu o livro dos seus afetos, falou da forma como encara a morte e de como ama a vida.

Andreia Cardinali
26 de agosto de 2018, 10:06

Se há alguém que dispensa apresentações é Eunice Muñoz, de 90 anos. Dona de uma carreira invejável, que conta já com 77 anos, a atriz estreou-se aos 13 no Teatro Nacional D. Maria II, mas já desde os cinco que andava de terra em terra com os pais, que tinham uma companhia de teatro itinerante. Desde então nunca mais parou, e ainda hoje, apesar de estar sem trabalhar desde que participou em A Impostora, há um ano e meio, garante “estar preparada caso a TVI precise de mim para alguma novela”.
Otimista por natureza, dias antes de celebrar o seu 90.º aniversário foi de forma positiva que conversou com a CARAS sobre o prazer de viver. Até porque a morte, assegura, “não me assusta, tenho pena”.
– Alguma vez imaginou que chegaria aos 90 anos?
Eunice Muñoz – Não, nunca pensei. Aliás, eu não sou muito de pensar nessas coisas, porque acho que não vale a pena. Acho que o importante é a minha cabeça estar ajuizada, o resto... [Risos.]
– Fisicamente está fantástica...
– Sim, felizmente, pelo menos por enquanto. Estas coisas acontecem de repente, e é certamente o que vai acabar por me acontecer. Mas por enquanto não tenho de que me queixar. Com 90 anos movimento-me com muita facilidade.
– É disso que tem mais receio? Que o físico deixe de estar tão apto quanto a sua cabeça?
– Se conseguisse manter as duas coisas, seria ótimo, mas se tiver de perder alguma delas, que seja o corpo e não a cabeça.
– Tem saudades do que já viveu ou não é saudosista?
– Não sou nada saudosista, e ainda bem. Não vale a pena ter saudades daquilo que já passou. Se assim fosse, andava a chorar pelos cantos em vez de estar a desfrutar com serenidade desta fase da minha vida. Vivo o momento, e ainda bem que tenho essa capacidade.
– Se monetariamente não precisasse de trabalhar, já estaria reformada?
– Talvez não. Neste momento tenho uma ajuda muito generosa, e que agradeço, da parte da TVI, e isso, com a minha reforma, já dá para estar mais tranquila. Mas se a TVI não encontrar algum papel que me sirva fico com muita pena, e estou preparada caso precise de mim para alguma novela.
– Os atores são muito observadores de tudo o que os rodeia. Continua a ser assim?
– Observar tudo é o que me dá vida. Sempre fui assim, mas nunca tanto como agora. Para mim, continua a ser um fascínio observar as pessoas e poder estar com elas.

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