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Ruben Rua: “As coisas na minha vida demoram, já estou calejado para a espera”

Ruben Rua faz a sua estreia no cinema com o filme 'Leviano' e, embora não se considere um ator, não fecha a porta a futuros projetos na área. “Gostei muito desta experiência e pode não ser a única.”

Vanessa Bento
21 de julho de 2018, 17:08

Há muito que Ruben Rua parece ter percebido o que Vergílio Ferreira queria dizer quando escreveu que “há o desejo, que não tem limite, e há o que se alcança, que o tem. A felicidade consiste em fazer coincidir os dois”. É nesta linha da felicidade que o encontramos constantemente. Até mesmo quando não há uma coincidência imediata entre os seus sonhos e a sua concretização. O que pode parecer contraditório, mas na realidade não é, porque é nesta luta diária que trava consigo mesmo para ser sempre melhor e alcançar tudo a que se propõe que o booker e apresentador atinge a plenitude. Não é por acaso que Ruben não se esgota numa área. Agradecido que é à vida, não recusa oportunidades nem tem medo de sair da sua zona de conforto, postura que o levou a aceitar o seu primeiro papel no cinema. Leviano marca esta sua estreia e marca também o caminho diversificado que quer continuar a percorrer. Sempre com a firmeza dos passos e dos valores que o sustentam enquanto pessoa. Porque, tal como confessou à CARAS durante esta produção, “nada acontece por pura sorte. Aquilo que és enquanto pessoa conta sempre. Há coisas que vêm ter comigo por tudo o que tenho feito. Tenho um caminho profissional definido... Nunca pensei ser ator ou fazer um filme. Nunca sonhei ser apresentador e de repente é uma coisa que acredito que pode acontecer”.
– Os 30 chegaram à sua vida de forma intensa e repletos de mudanças. Tem sabido saborear tudo na medida certa?
Ruben Rua – Sinto que consigo equilibrar tudo o que se passa na minha vida profissional com o que gosto de fazer a nível pessoal. E, olhando para trás, sinto que conquistei muita coisa e acho que tenho construído um caminho interessante e diversificado. Tenho muitas histórias para serem contadas – talvez num outro livro –, mas nunca vivi em função dos meus sucessos ou insucessos profissionais...
– Não é isso que o move?
– No passado celebrava pouco as vitórias e agarrava-me muito às derrotas. Hoje consigo relativizar mais as coisas. Ainda não sou muito efusivo nas vitórias, mas quando as coisas correm menos bem já consigo relativizar. Aquilo que me move, fundamentalmente, apesar de ser muito bom ganhar dinheiro e ser bem sucedido, é o desafio em si, é fazer algo que nunca fiz, é pisar uma área onde não me sinta tão confortável. E no final de um dia, de um ciclo, de um ano, conseguir ter histórias. E quanto mais ricas e numerosas forem, mais culto sou e mais mundo tenho. No fim da viagem, é isso que realmente fica: o que fiz da minha vida e o que vivi. É a minha maior riqueza pessoal.
– Sair da sua zona de conforto e mudar nunca o assustou. Ainda assim, lida bem com a incerteza que isto acarreta?
– Não há nada pior na vida do que perderes contra ti mesmo e sentires que o resultado do teu esforço não espelha aquilo que és. É uma frustração tremenda. Compito todos os dias comigo e tento ser o melhor que posso. Tento não olhar para o lado. Quando o faço, olho para aqueles que considero serem os melhores, para aprender com eles, mas não olho para o que o meu vizinho está a fazer. Sempre fui assim, quero ser o melhor. E tento acreditar que se der o melhor de mim irei conseguir atingir um nível bom. Porque para ser mediano, não sou. E esta é, de facto, uma área bastante incerta. Tenho a noção convicta de que tudo o que tenho hoje pode desaparecer amanhã. E amanhã é mesmo amanhã. Mas, se não for nesta área, há de ser noutra e as coisas vão-me correr bem. Quando se é esforçado e trabalhador, há sempre uma solução. E por muito que goste desta área não me deixo iludir. No pior dos cenários, tenho uma base que se chama família, no Porto. Se perder tudo, pego na mala e volto para lá. E seria feliz na mesma. A partir daí, com a certeza de que tenho alicerces sólidos, há motivação e coragem para seguir em frente. Sei que tenho uma rede que não me deixa cair. E não falo só de pessoas. Eu próprio trabalhei para isso. Não fui tirar um curso superior por vaidade, não preciso de ser “doutor”. E ao fim de 13 anos nesta área já aprendi que tudo tem o seu tempo e que não posso controlar tudo. E que as coisas na minha vida demoram, já estou calejado para a espera. Tudo isto me obrigou a ser menos ansioso e mais sereno. Talvez esteja mais crescido...

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1196 da revista CARAS.
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