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Joaquim Norte Sousa

Realizada, Anabela Baldaque defende: “A exclusividade é o verdadeiro luxo”

Com 30 anos de carreira, a estilista tem o seu nome inscrito na história da moda em Portugal.

Joana Brandão
21 de julho de 2018, 11:07

Natural de Vizela, mudou-se para o Porto com três anos e por lá ficou. Anabela Baldaque completa 30 anos de carreira e recorda como tudo começou, para ela e para a moda portuguesa. Um legado construído com paixão e a certeza de que a moda é uma vocação.
Sempre presente no seu percurso está o filho, Diogo, de 36 anos, com quem partilha, durante o dia, uma moradia na Foz Velha, a mesma onde fizemos esta entrevista, e o neto, Pedro, de quatro anos, com quem volta a ser criança nas brincadeiras.
Romântica, feliz e feminina, Anabela Baldaque é assim na vida real e transmite-o na sua roupa. Mas ainda há muito para fazer. Calçado, lingerie e uma coleção de T-shirts são os próximos projetos.
– A marca Anabela Baldaque existe há 30 anos, mas há 35 que terminou o curso de Estilismo e Modelismo. Lembra-se como tudo começou?
Anabela Baldaque – A moda surgiu por vocação, e não me arrependo de nada, pois voltava a fazer as mesmas coisas. Voltava a tirar o mesmo curso e provavelmente seria melhor aluna do que fui. E voltava a estagiar em Paris com Emilio Pucci. Pertenço à geração que apareceu depois da Ana Salazar, e éramos poucos a criar nos anos 80. Sempre tive o fascínio por criar e desde miúda que me sentia atraída para tudo o que tinha a ver com moda: os tecidos, as cores...
– Criar era o seu sonho e concretiza-o todos os dias...
– Sim, tudo o que tenha a ver com mãos atrai-me. Hoje em dia, o meu hobby é a jardinagem, adoro meter as mãos na terra. Com os tecidos é a mesma coisa. É muito bom e continuo muito feliz por estar nesta área 30 anos depois. Na altura, não imaginava que chegaria onde cheguei. Claro que tenho projetos por concretizar, mas nunca pensei que fosse tão longe, que o meu nome fosse tão falado e que iria ter tantas clientes. É um privilégio!
– Nestas três décadas, quais foram os momentos que a marcaram mais e ajudaram a promover a sua carreira?
– Houve alguns momentos, por exemplo quando abri a Galeria Código, na Rua da Torrinha, em meados dos anos 80. Um espaço com as propostas dos novos criadores e as pessoas vestiam-se de propósito para ir lá. Os estilistas do momento estavam todos lá e foi muito importante para mim, porque foi quando regressei de Paris cheia de ideias. Este foi, sem dúvida, o ponto de partida para chegar ao público. Depois veio a Moda Lisboa, em 1991, que permitiu mostrar a roupa em passerelle e, em 2001, a abertura da loja/ateliê na Rua Padre Luís Cabral, na Foz, onde tinha toda a coleção para as pessoas poderem tocar e sentir as peças. Também tive alguma internacionalização, estive em Nova Iorque com o Portugal Fashion, e tive grandes armazéns a quererem comprar a minha coleção. Fiquei muito vaidosa, mas não consegui avançar, porque nunca tive um sócio capitalista para me subsidiar. Apesar disso, a vida continuou. Hoje estou numa fase muito feliz, com bastante trabalho no ateliê. Adoro fazer peças personalizadas, são momentos de partilha, e é um privilégio poder desenhar para uma pessoa, enaltecer o que ela tem de melhor. É mesmo muito bonito, gosto cada vez mais.

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1195 da revista CARAS.
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