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Assinala-se hoje o centenário do nascimento de Nelson Mandela

O ex-líder sul-africano faria hoje cem anos.

CARAS
18 de julho de 2018, 18:19

Tata (pai) Mandela nasceu a 18 de julho de 1918 na pequena aldeia de Mvezo, no interior da África do Sul, no seio de um clã da nobreza tribal da nação Xhosa, os Madiba (apelido pelo qual era muitas vezes respeitosamente tratado), pertencentes ao povo Thembu. Um dos 13 filhos de Nkosi Gadla Mandela, neto do rei Ngubengcuka, recebeu como nome de batismo Rolihlahla, que em xhosa significa agitador. Substantivo premonitório do futuro de Mandela – rebatizado Nelson pela sua professora primária, segundo um costume de dar nomes ingleses às crianças que frequentavam a escola –, que se tornaria líder e símbolo da luta contra o regime segregacionista do apartheid.
Nelson tinha nove anos quando ficou órfão de pai e foi entregue aos cuidados de um tutor, o seu tio Jongintaba Dalindyebo, rei dos Thembu. Homem de horizontes largos, Jongintaba incentivou o jovem a prosseguir os seus estudos. Licenciou-se em Direito em Joanesburgo e foi o primeiro negro a abrir uma sociedade de advogados. Se na aldeia o fosso que separava brancos e negros no seu país era quase impercetível, na capital estava à vista de todos. Um choque que o levou a filiar-se no ANC, partido fundado por negros em 1912 e pelo qual foi eleito presidente do seu país em 1994, depois uma persistente luta que lhe valeu 27 anos nas duras prisões do apartheid.
Popularidade mundial
Nos seus primeiros anos no ANC, o jovem Nelson Mandela era defensor de uma ação pacifista, mas o tempo demonstrou-lhe, e a vários dos seus camaradas de luta pela defesa da igualdade de direitos para negros e brancos, que manifestações e greves (laborais e de fome) nada mudavam e eram, de qualquer forma, duramente reprimidas pelas autoridades. Mandela acabou por ser ele próprio o fundador de um braço armado do ANC que em 1961 deu início a ações de guerrilha, como por exemplo ataques e sabotagens a instalações militares, de preferência à noite, para evitar ao máximo as baixas civis. Por essa época, vivia na clandestinidade, mas acabou por ser preso e julgado por traição em 1962, sendo condenado a prisão perpétua. O seu longo cativeiro teve o condão de alertar a opinião mundial, alastrando por toda a parte a indignação perante um dos regimes mais escabrosos de que há memória.
O prisioneiro n.º 46664 tornou-se um símbolo de resistência dentro e fora das fronteiras do seu país, tal como a expressão Free Mandela se tornou um slogan da luta da maioria negra sul-africana contra a opressão da minoria branca. No final dos anos 70 co­meçaram a suceder-se apelos de instituições internacionais como a ONU e manifestações populares a exigirem a libertação de Mandela junto a embaixadas sul-africanas, e vários países impuseram sanções à África do Sul. Em 1988, o 70.º aniversário do ativista ne­gro foi assinalado com um megaconcerto no Estádio de Wembley, em Londres, em que participaram os Dire Straits, os Simple Minds, Whitney Houston, Brian Adams, os Bee Gees, Sting, George Michael, Tracy Chapman e Miriam Makeba, entre outros nomes de relevo da música.
A libertação do carismático elemento do ANC, a 11 de fevereiro de 1990, foi internacionalmente festejada com euforia, e a sua eleição para presidente do partido, em julho de 1991, seria o primeiro passo em direção a um voo bem maior: as negociações para o fim do apartheid e a candidatura às eleições presidenciais de 94 – as primeiras em que os negros puderam votar –, que ganhou com 62 por cento dos votos. Firmemente decidido a tornar o seu país um exemplo de tolerância, onde brancos e negros vivessem com iguais direitos e respeito mútuo, Mandela formou um governo de unidade em que uns e outros estavam representados. E soube aplacar sedes de vingança, salvaguardando os interesses da minoria branca. Mesmo depois de terminado o seu mandato (já tinha 80 anos e não quis recandidatar-se), nunca esmoreceu a sua mili­tância em prol dos direitos dos mais fracos.
Vida pessoal atribulada
O carisma de Nelson Mandela, descrito como um homem charmoso, descon­traído, de trato cordial e com um sentido de humor apurado, fez ‘estragos’ entre as mulheres. Não é por isso de estranhar que, além dos seus três casamentos – dos quais teve seis filhos –, lhe tenham sido atribuídos alguns casos extraconjugais (de um dos quais se disse que teria tido mais um filho).
Evelyn Ntoko Mase, uma enfermeira ativista do ANC que conheceu em Joanes­burgo, foi a sua primeira mulher. Casaram-se em outubro de 1944 e tiveram quatro filhos, mas a intensa atividade política de Nelson acabou por afastá-los irremediavelmente, di­vorciando-se em 1957, com Evelyn a acusá-lo de infidelidade.
Um ano depois, Mandela conheceu a assistente social Winnie Madikizela, 16 anos mais nova, e casou-se com ela logo em 1958. Um casamento marcado pelo longo afastamento imposto pela prisão de Mandela e que se degradou quando se soube do envolvimento de Winnie em ações terroristas e em desvios de dinheiro do ANC, terminando já depois de este ser libertado, em 1996.
Em 1998, aos 80 anos, Madiba casou-se de novo, com a política e ativista moçambicana Graça Machel, viúva do falecido presidente Samora Machel. Uma união visivelmente tranquila e que perdurou até ao fim dos dias do herói sul-africano.

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