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Maria Filomena Mónica confidencia: "É a escrita que me ajuda a levantar da cama"

Diagnosticada com um cancro raro e incurável, a socióloga recusa-se a parar de trabalhar.

Marta Mesquita
1 de julho de 2018, 17:00

Há quatro anos que Maria Filomena Mónica luta contra um mieloma múltiplo, um cancro incurável que afeta a medula óssea. Apesar de já não ter vida social e de passar grande parte do seu tempo em tratamentos, a socióloga recusa-se a baixar os braços e a entregar-se à doença. Tendo no trabalho uma das suas maiores realizações, Maria Filomena vê a escrita como uma espécie de tábua de salvação, como explicou à CARAS durante a apresentação do seu mais recente livro, Os Ricos, uma obra onde analisa algumas das maiores fortunas nacionais dos últimos séculos: “Se tivesse decidido parar de trabalhar, ter-me-ia ido abaixo. A esperança média de vida dos doentes que têm este cancro é de três anos. Eu já o tenho há quatro. Portanto, nesse aspeto a escrita ajudou-me a sobreviver. É a escrita que me ajuda a levantar da cama. Tenho um objetivo. Só não posso ir à Biblioteca Nacional e tenho muita nostalgia disso. O trabalho é a minha janela para o mundo. Agora, dou-me uma semana para arranjar um tema para um novo livro. Não consigo ficar na cama a olhar para o teto.”


Amigo de longa data da socióloga, Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de assistir a esta apresentação, durante a qual elogiou a autora: “Tenho a certeza de que vai escrever muito mais, com a mesma alegria de viver. Tem dedicado o seu talento, a sua imaginação e a sua insaciável curiosidade intelectual às obras que nos tem oferecido e que são um contributo para um debate sério.”


Além do Presidente da República, a socióloga tinha ainda na plateia o marido, António Barreto, e os filhos, Filipe e Sofia Pinto Coelho, os quais elogia de forma emotiva na introdução deste livro: “Em primeiro lugar, tenho, mais uma vez, de mencionar o António. A certa altura, percebi que ele usava a primeira pessoa do plural nos verbos em que abordava a minha doença. Não sei, porque nunca lhe perguntei, se tal forma de expressão era consciente ou inconsciente, mas sei que me comoveu. Em vez de me dizer: ‘Se souberes...’, dizia: ‘Se soubermos...’ Desde o início que o meu cancro foi vivido a dois. Além do meu marido, continuei a ver os meus filhos e os meus netos. Cada um reagiu à sua maneira. Inicialmente, a Sofia tentou mandar em mim, coisa que cedo verificou ser impossível. (...) O Filipe não só me enviou e-mails repletos de humor como me tratou como se eu estivesse de plena saúde.”


Espectadora privilegiada do percurso da mãe, Sofia Pinto Coelho, jornalista da SIC, destacou: “É uma pessoa inspiradora pelos seus princípios e solidez. Nunca cede à facilidade nem à preguiça. É um rochedo.”

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