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Paulo Miguel Martins

Junto do neto, Bibá Pitta revela: “Com o Duarte sinto tudo mais à flor da pele”

A relações-públicas levou Duarte ao Jardim Zoológico e falou da relação que têm e de como ele veio 'aliviar' a sua dor.

Andreia Cardinali
17 de junho de 2018, 13:56

Se Bibá Pitta, de 52 anos, sempre teve na família a sua grande paixão e preocupação, desde que perdeu a sua mãe, há quatro anos, e foi avó de Duarte, há dois anos e quatro meses (filho da sua filha mais velha, Maria, de 25), essa dedicação tornou-se ainda mais forte. Mulher de afetos, muitos beijos e abraços, não esconde que o neto lhe trouxe ainda mais emoções e que a ajudou a lidar, assim como aos seus filhos, Maria, Tomás, de 24, Salvador, de 20, Madalena, de 19, e Dinis, de 11, com a dor que todos estavam a sentir. “O Duarte veio numa altura boa para todos, aliviou muito a dor, e todos estávamos a precisar disso”, confessou.
Uma avó assumidamente radical, foi num longboardstroller, uma prancha de skate com um carrinho de bebé acoplado, que a relações-públicas chegou com o neto ao Jardim Zoológico, para juntos visitarem pela primeira vez aquele espaço.
– Esta é a primeira vez que o Duarte vem ao Jardim Zoológico. Fazem muitos programas a dois?
Bibá Pitta – Sim, vem com a avozinha e faz ele muito bem! [Risos.] Fazemos muitos programas como este, a dois, e não precisamos de mais ninguém. [Risos.] Acho imprescindível não só como mãe, mas agora como avó, ter tempo para cada filho ou para cada neto. Além disso, comprometi-me a ajudar a Maria e o meu genro, que trabalham muito.
– O Duarte é uma criança bastante ativa...
– [Risos.] Tem uma costela da avó, um arranque de motor que só para ao final do dia! O miúdo parece um parafuso, é muito elétrico, bem-disposto e está naquela altura em que explora tudo, mas sem parar quieto, e eu estou para ele como a minha mãe estava para mim, já que passo o tempo a dizer: “Está calado, está quieto, não mexas aí.” Agora ele já entrou na escola e eu também acabo por ter um pouco mais de tempo, já que tinha voltado à situação de dormir menos, de não dormir descansada, e tudo o mais. Acredito que com os netos temos uma responsabilidade ainda maior, já que quando é com os nossos filhos não temos de justificar nada. E depois, uma avó não é mãe, não pode querer ser nem igualar-se.
– Para uma avó que passa muito tempo com um neto, saber gerir isso não deve ser fácil...
– É assim... Há que saber que quem mais ordena são a mãe e o pai, saber como aconselhar sem dar ordens ou impor, pois na verdade o que estamos a fazer é a partilhar as nossas vivências com os nossos filhos e a tentar que eles não caiam nas mesmas esparrelas que nós. Tudo isto tem de ser feito com muita calma.
– Isso quer dizer que por causa do Duarte pode entrar em confronto com a Maria?
– Claro, mas acho que isso há com qualquer mãe e filha, ou filho, faz parte. O segredo está em que haja o confronto mas que se saiba resolvê-lo. Muitas vezes o que sinto é que graças ao Duarte estou a reviver com a Maria aquilo que eu e a minha mãe também vivemos. E agora percebo que ela tinha razão.[Emociona-se.]
– Quando olha para o Duarte, o que sente?
– Que é a continuação de um dos maiores amores da minha vida: a minha filha Maria. Com ele sinto tudo à flor da pele. Se já sentia antes e se já era tão emocional e louca por afetos, agora sou ainda mais.
– Diria que ter sido avó a faz ter ainda mais saudades da sua mãe?
– Quando se perde a mãe é muito duro a nível emocional. A falta que uma mãe faz é inexplicável. Acho que me levei à exaustão durante um tempo, pratiquei muito desporto, comia pouco... Queria enganar-me e acreditar que ela não tinha morrido, e houve um dia em que caí na cama, perto do Natal, e percebi que a volta por cima tinha de partir de mim e que tinha de assumir o papel dela, de matriarca. Não sou dada a depressões, nunca fui, gosto de agarrar a vida pela frente e com força, mas isto é muito difícil de gerir.
– Mudando então de assunto, não é uma avó nada tradicional... As avós não andam de “skate” com os netos...
– [Risos.] Acho que até sou uma avó um pouco E.T., porque ando nesta prancha para todo o lado e fica tudo a olhar para mim. Foi um presente que recebi e adorei. Tem mesmo tudo a ver comigo e divertimo-nos imenso os dois juntos, a deslizar pelas ruas. É um delírio andar com ele e tenho de referir que é um transporte seguro e que ainda me dá a possibilidade de fazer desporto enquanto passeio com ele animadamente. Ele é muito explorador, mas é cauteloso, talvez porque já tenha caído algumas vezes, e todos os dias saímos de casa naquilo com ele, ou eu ou os meus filhos.
– Em que fase é que ele está?
– Numa fase muito gira! Só agora é que começou a falar mais, porque numa família grande como a minha todos adivinhavam o que ele ia dizer e falavam por ele e ele achava que não tinha sequer que se dar ao trabalho. Está sempre a receber beijos e estamos sempre a querer roubá-lo à Maria. Lá em casa todos querem ficar com o Duarte, sem obrigatoriedades, e isso é uma maravilha. Mas também acho que os filhos devem perceber que os pais não têm de estar sempre disponíveis para os netos, devem ser questionados. Há que haver um certo cuidado e delicadeza.
– Diria que o Duarte nasceu numa altura perfeita, já que os seus filhos começam quase todos a ganhar asas?
– Perfeita, mesmo. O Dinis tem 11 anos e tenho a minha Madalena, que ficará de braço dado comigo até ao fim, mas o Duarte veio numa altura boa para todos, aliviou muito a dor e todos estávamos a precisar disso.
– Ser avó é a melhor coisa da sua vida?
– Eu amo o Duarte de paixão, mas tenho cinco filhos, e o Duarte não é meu filho, é meu neto. Eu saboreio muito os meus filhos, as suas vitórias e conquistas, e tenho mesmo filhos fantásticos. O Duarte é um amor meloso, porque é pequeno e estou a desfrutar dele de outra forma. Ele é filho da minha primeira filha, e isso faz com que eu desfrute dele de outra forma. Quando for avó dos meus filhos, as minhas noras terão mães e o lugar que eu tenho hoje com o Duarte será delas, porque isso faz parte da vida. Nessa altura eu serei a sogra e nesta sou a mãe.
– É muito mãe-galinha, mas também muito ciosa da privacidade dos seus filhos...
– Claro. Só a título de exemplo, eu moro a dois passos da minha filha Maria e jamais vou a casa deles sem avisar antes, jamais toco à campainha sem saberem que vou. A casa e o espaço é deles e eu não me intrometo. .
Texto: andreia cardinali fotos: paulo miguel martins produção: ruth ferrony maquilhagem: raquel peres

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