Nas Bancas

JLI_JuditedeSousa-0428.jpg

João Lima

Judite Sousa: "depois de se perder um filho, não há momentos de felicidade”

Desde que perdeu o seu único filho, André, que morreu na sequência de um acidente numa piscina, em junho de 2014, a jornalista vive para o seu trabalho. Apesar de assumir ser uma mulher de afetos, Judite não pensa em voltar a apaixonar-se.

Marta Mesquita
26 de maio de 2018, 17:00

Em junho de 2014, quando o seu filho, André, morreu, a vida de Judite Sousa mudou para sempre. Desde então, passou a sentir uma tristeza profunda, que não passa nem se escamoteia. Ser feliz deixou de ser possível, almejando apenas desfrutar de momentos de “paz interior”, como explica. Perdeu amigos, desiludiu-se e ficou uma mulher mais só. O trabalho tornou-se a sua boia de salvação, o companheiro de todos os dias, o prazer que a agarra à vida. Contudo, Judite é mais do que esta mulher sofrida que teve de aprender a conviver com a depressão e com altos e baixos emocionais. É um exemplo de coragem e de superação, uma referência profissional que atravessa gerações e uma mulher sensível que preserva o sorriso fácil e alguma ingenuidade. Alguém que não baixou os braços e tem ainda muito para partilhar com o público, seja através do trabalho na redação da TVI, do blogue homónimo ou dos livros.
A dias de lançar o seu oitavo livro, Duas ou Três Coisas sobre Mim, a jornalista conversou com a CARAS sem receio de expor fragilidades e revelou como, no meio de um luto perpétuo, continua a fazer sentido olhar para o futuro.
– Já assumiu ser muito diferente da Judite que as pessoas veem no ecrã. Que mulher é fora da televisão?
Judite Sousa – Sou uma mulher divertida, com ras­gos de ingenuidade. Às vezes, contam-me uma história ficcionada e eu acredito. Gosto de dançar, de conviver com os amigos, de me rir com coisas banais… Sou extrovertida e gosto imenso de conversar. Essa é a verdadeira Judite. As figuras televisivas acabam por ter dupla personalidade. Por um lado, há a jornalista que dá notícias, por outro, existe a pessoa, que surge quando as luzes se apagam e se vai embora para casa.
– E aí desliga-se da jornalista?
– É difícil fazê-lo, porque quando se começa a trabalhar com 18 anos, como foi o meu caso, a profissão acaba por ficar colada à nossa pele. Contudo, quando estou com os meus amigos, a rir e a comer frango assado, não estou a pensar no trabalho que tenho para fazer no dia seguinte.
– O que faz para se divertir?
– Viajar. Graças à RTP e à TVI, tive a oportunidade de viajar por todo o mundo. Só me falta conhecer a Oceania. Já fui mais de uma dezena de vezes à China, corri o Japão, conheço os países mais terríveis de África e já passei várias passagens de ano no Rio de Janeiro. Estou sempre disponível para viajar. Se no trabalho me disserem “queres ir amanhã para tal sítio?”, vou e fico toda contente.
– É uma mulher impulsiva?
– Sou muito impulsiva, sobretudo quando se trata de afetos. Quando estou perante situações delicadas, as palavras que me saem não são por vezes as mais perfeitas. E até posso arrepender-me de algo que tenha dito. Não sou calculista, nem profissional nem pessoalmente, ajo por impulso. Há uma certa dose de loucura na minha impulsividade.
– Diria que é uma pessoa de tudo ou nada? Ou está muito feliz ou muito triste?
– Não. A felicidade é algo indefinível. Tenho momentos de tristeza, como toda a gente. Há coisas que me entristecem muito, como as desilusões e o facto de ser confrontada com a mentira. Também não gosto de ver as minhas expectativas frustradas nem de lidar com o fracasso. Lido bem com a crítica, mas lido mal com o fracasso.
– E já teve muitos fracassos?
– Sim, já fracassei muitas vezes, não como profissional, mas como pessoa.

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1185 da revista CARAS.
Assinatura Digital
Apple Store
Google Play

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras