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João Lima

Alice Vieira: “Nem uma carta sou capaz de escrever à mão”

A jornalista e escritora tem uma coleção de “Bíblias”. A primeira foi-lhe oferecida pelo marido, o falecido jornalista Mário Castrim. “Tudo o que precisares, abres a ‘Bíblia’ que está lá”, disse-lhe ele. “E é verdade.”

Cláudia Alegria
26 de maio de 2018, 09:59

Com 75 anos acabados de completar, Alice Vieira continua a ser uma fonte de energia e de inspiração. A jornalista, oficialmente reformada há um ano, não deixou, obviamente, de escrever. Tendo como pano de fundo páginas impressas do livro Chocolate à Chuva – um dos cerca de 100 títulos que já publicou –, Alice posou, sorridente, junto da sua velhinha Remington, a máquina de escrever que a acompanha há largas décadas e que a remete para os primeiros anos dedicados ao jornalismo, no Diário de Lisboa, onde começou a trabalhar com 18 anos e onde conheceu a sua grande paixão, o falecido jornalista Mário Castrim, pai dos seus dois filhos, a jornalista Catarina Fonseca e o professor universitário André Fonseca.
– Quando é que percebeu que o seu destino era escrever?
Alice Vieira – Nunca percebi isso. O meu destino, e isso percebi muito cedo, era ser jornalista. Uma paixão que perdura.
– Se tivesse que optar, não teria dúvidas?
– Nenhumas. Se os meus “patrões” da Leya me dissessem para descansar, eu parava logo. Quando já tinha uns quatro ou cinco livros publicados, perguntei a mim própria porque é que me estava a matar com aquilo se já tinha tanto trabalho no jornal. Mas fui continuando. A escrita de jornais não tem nada a ver com a escrita de livros – e quando se misturam é mau sinal –, mas são dois tipos de escrita de que gosto muito.
– Gosta de trabalhar em silêncio ou prefere uma música de fundo quando está a escrever?
– O silêncio faz-me muito mal à cabeça. Sou do tempo em que as redações dos jornais tinham muito barulho e, portanto, estou habitua­da a escrever com barulho. Em casa, normalmente deixo a janela aberta para ir ouvindo os barulhos da rua. Quando não há muito barulho, ponho música. E falo muito sozinha, sempre falei. Não sou capaz é de trabalhar com gente ao pé de mim. Barulho sim, gente não.
– Escreve à mão, ao computador ou ainda usa a máquina de escrever?
– Nunca escrevi à mão. Quando entrei para o Diário de Lisboa, aos 18 anos, já se usavam as máquinas de escrever. Portanto, fui sempre escrevendo em teclados, mas adoro canetas. Tenho uma enorme coleção de canetas. O que é que eu faço com elas? Nada. Quer dizer, tomo alguns apontamentos, até porque há outra coisa de que gosto muito, que são cadernos. Agora nos meus anos houve imensos amigos que me mandaram uma série de cadernos pelo correio. [Risos.] São bons para tirar apontamentos. Depois, quando estou a trabalhar, vou buscá-los para consultar as notas que fui tirando. As canetas servem para isso e para escrever poesia. Não sou capaz de escrever poesia à máquina. Escrevo com caneta e depois passo para o computador, evidentemente, mas é a única coisa. Eu nem uma carta sou capaz de escrever à mão. [Risos.]

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1185 da revista CARAS.
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