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Luis Coelho

Marco Rodrigues: “o meu objetivo de vida sempre foi ser pai”

É ao filho, Bernardo, que o fadista dedica o seu álbum ‘Copo Meio Cheio’, que explica não ser um disco de fado.

Andreia Cardinali
20 de maio de 2018, 15:00

Marco Rodrigues começou a cantar com o pai, aos oito anos, mas só aos 15 abraçou o fado, altura em que se mudou, com a mãe, para Lisboa, vindo de Arcos de Valdevez. Concorreu à Grande Noite do Fado em 1999, no Coliseu de Lisboa, e venceu na categoria Sénior, apesar de ter apenas 16 anos. A partir daí o fado assumiu o papel principal e hoje, aos 35 anos, é essa a sua raiz e a sua herança. Mas graças ao nascimento do seu filho, Bernardo, há dois anos e a outras influências musicais que abraça diariamente, decidiu criar o álbum Copo Meio Cheio, que, explica, “não é um disco de fado”.
– A música faz parte da sua vida desde sempre.
Marco Rodrigues – Sim, o meu pai tem um grupo musical no Minho e ensaiava na garagem com os outros músicos e eu ouvia-os quase todas as tardes. Um dia perdi a vergonha, desci, sentei-me em cima de uma coluna e comecei a fazer vozes com o meu pai. A partir daí comecei a dividir o repertório com o meu pai, até aos 15 anos, altura em que os meus pais se separaram e eu vim com a minha mãe para Lisboa. Aí tive a minha primeira aproximação ao fado.
– Porque até então mal sabia o que era o fado...
– Sim, o fado estava totalmente votado ao abandono. No Norte pouco se ouvia falar de fado e a minha única referência talvez fosse a Amália Rodrigues. Só quando cheguei a Lisboa fui pela primeira vez a uma casa de fados e fiquei apaixonado pela música, pelo ambiente, pela força que a palavra tem, pelo intimismo que a própria música cria. Foi nessa altura que a minha mãe me inscreveu na Grande Noite do Fado, em que aprendi duas músicas para ir à eliminatória. Passei, fui ao Coliseu e ganhei.
– Passados tantos anos, há mais do que um fadista em si.
– Há um fadista, há um fadista que faz do fado a sua matriz, mas que também não consegue evitar que toda a música que ouve o influencie. Seria difícil manter-me só a cantar fados tradicionais, gosto também muito da canção e identifico-me a cantar outras músicas menos rígidas. Continuo a ser um fadista, mas um fadista que canta e gosta de outro tipo de músicas.
– É nisso que este disco diverge dos anteriores?
– Sim, este não é um disco de fado. Os outros quatro são assumidamente de fado e este é um disco que, perante o que estou a viver desde o nascimento do meu filho, Bernardo, tinha de ser diferente. O meu objetivo de vida era ser pai. Aos 25 anos já dizia que queria ser pai e os meus amigos achavam muito estranho... Perante esta fase tão preenchida da minha vida, tinha de ser um disco em que quisesse arriscar algumas coisas. Fiquei muito feliz com o resultado, porque os três fados que interpreto são de compositores e letristas que nada têm a ver com o fado, como o Carlão, a Capicua e a Luísa Sobral.


Fotos: Luís Coelho ; produção: Ruth Ferrony ; maquilhagem: Tita Costa

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1183 da revista CARAS.
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