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João Lemos

Luís Costa Branco e Weza Silva atentos aos filhos “É essencial despertá-los para a diferença”

O casal, que quer dar a conhecer o mundo aos filhos, passou alguns dias em Marraquexe, com Kendi, de seis anos, e Chloé, de três.

Cláudia Alegria
29 de abril de 2018, 11:39

Viajar e conhecer o mundo é um dos grandes objetivos do projeto familiar de Luís Costa Branco e Weza Silva. Por isso foi com entusiasmo que o casal aceitou o convite da CARAS e partiu para Marraquexe na companhia dos filhos, Kendi, de seis anos, e Chloé, de três e meio, que nesta viagem acabou por fazer o seu batismo de voo. Juntos há sete anos, o jornalista da Benfica TV, de 45 anos, e a empresária, de 34, ficaram ofi­cialmente noivos o ano passado, mas, ao contrário do que tinham planeado, o casamento já não deverá acontecer este verão, tal como nos explicaram durante uma conversa em que falaram ainda da forma como tencionam preparar os filhos para lidar com a diferença.
– Já podem riscar Marrocos da lista de destinos a conhecer...
Luís Costa Branco – Fica um semirrisco. Esta viagem deu para ter um conhecimento mais genérico, para depois podermos regressar com mais tempo, eventualmente até sem as crianças.
– É admirável a vossa descontração enquanto pais. Além de viajarem com pouca bagagem, parecem não recear que os vossos filhos estranhem a comida ou o ambiente...
Weza Silva – Somos muito descontraídos a viajar. Conversámos com eles antes de vir, explicámos que iam para um sítio diferente e aconselhámo-los a provar a comida, que seria diferente da que conhecem.
Luís – Estimulamos a curiosidade deles para que tenham grande abertura de espírito para experimentar outras coisas, outros sabores, para ouvirem outras línguas, verem casas ou roupas diferentes das que conhecem, porque é essencial despertá-los para a diferença.
– Falando em diferenças e preconceitos, tem sido um desafio educar os vossos filhos de forma a saberem lidar com isso?
– Para mim, branco, tem sido uma surpresa ainda ter de me confrontar, em Portugal, com tantas demonstrações de estupefação perante a diferença. Seja pela cor ou por ser um casal misto. Quando levas os filhos à escola, num circuito de pessoas supostamente com alguma abertura e conhecimento do mundo, em que tudo isso deveria estar mais esbatido ou, pelo menos, que houvesse mais pudor em verbalizá-lo ou demonstrá-lo, às vezes, felizmente poucas, temos tido a surpresa de atitudes que não revelam isso. Em Portugal é um tema que continua a ser tabu, nomeadamente a assunção de que somos um país com determinados preconceitos. Se dissermos aos portugueses que há atitudes racistas, não só negam como acrescentam aquela conversa de termos uma história de 500 anos de colonialismo, de sermos um país de brandos costumes e que até aceitámos muito bem as pessoas que vieram de fora. Aceitam, sim, desde que estejam confinadas a uma caixinha muito específica e que não os incomodem. Ao ponto de dizerem que não são racistas e que até têm empregadas negras. O ‘até temos’, só por si, é revelador. A mensagem que tentamos passar aos nossos filhos é que percebam que, mais cedo ou mais tarde, vão ter de se confrontar com isso e terão de saber reagir com algum humor, tendo a consciência de que estão basicamente a lidar com a ignorância das pessoas.

Fotos: João Lemos

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1182 da revista CARAS.
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