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Fabrizia Granatieri/CARAS Brasil

Ângelo Rodrigues em entrevista à CARAS: “arrependo-me de muita coisa que fiz"

No Brasil, o ator faz parte do elenco da série de sucesso “(Des)Encontros” e prepara-se para gravar um filme.

Vanessa Bento
15 de abril de 2018, 09:03

Afirmar-se na ficção brasileira não era um objetivo. Porém, os trilhos que Ângelo Rodrigues tem percorrido levaram-no até ao outro lado do Atlântico, e o ator, de 30 anos, não podia estar mais feliz com este encontro que a vida lhe proporcionou. Tendo a necessidade constante de se sentir “artisticamente estimulado para trabalhar”, Ângelo Rodrigues encontrou isso mesmo na série que protagoniza, (Des)Encontros, e falou com a CARAS sobre este período de paz que está a viver no Brasil.
– Trabalhar no Brasil não é uma novidade, mas como tem sido esta experiência?
Trans­formadora. Aprendi a viver em paz comigo e cada dia é uma descoberta. É um prazer a sensação de voltar ao anonimato.
– A vida do outro lado do Atlântico é de facto mais leve?
– É, sim. E o anonimato ajuda. Poder sair à rua sem o auto­po­licia­mento que tenho em Portugal é libertador, não posso negar. E o Brasil ensinou-me a não me levar tão a sério. Sou grato por isso.
– Faz parte do elenco da série (Des)Encontros”. A sua vida tem sido feita de muitos desencontros ou, pelo contrário, de encontros felizes?
– Acho que toda a nossa vida é uma sucessão de encontros e desencontros. Uns mais felizes que outros, alguns mais profícuos que outros, algumas memórias, algumas cicatrizes... Mas é tudo o que levamos desta vida.
– Acredita no destino?
– Não, acredito em escolhas. Acre­dito na aleatoriedade da vida. Não gosto da ideia de não poder controlar a minha vida. Não olho para a vida como um fado, em que somos marionetas do destino, sou bem existencialista nesta matéria.
– Hoje, com 30 anos, arrepende-se de alguma coisa?
– Admiro as pessoas que dizem que não se arrependem de nada. Na verdade, invejo-as. Eu arrependo-me de muita coisa que fiz. Acho bonito olhar para trás e saber que algumas escolhas minhas não foram as mais acertadas. É uma lição de humildade e um exame de consciência. Samuel Beckett dizia: “Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.” Acho que devemos guardar uma parte considerável das nossas experiências para o erro sem que nos sintamos mal com isso. Existe erro na perfeição, mesmo que almejar este estado seja algo intangível.
– Embora discreto, tem sido um homem de relações duradouras. É um apaixonado e um romântico?
– Acho que a paixão é transversal a todos os planos da minha vida, não só o afetivo. Tenho fome de existir e acho que isso é bem visível nas coisas que faço. Tenho saudades do romantismo dos livros, apesar de agora vivermos outros tempos. Prefiro o romantismo inesperado ao romantismo cliché. Gosto de gestos, de mistério e das palavras que não são ditas.

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