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D. Isabel de Bragança: “é bom que os filhos queiram a sua independência”

A duquesa de Bragança fala sobre a sua relação com os três filhos, que já são todos adultos.

Andreia Cardinali
30 de março de 2018, 14:05

Atenta a todos os passos dos filhos, Afonso, de 22 anos, Maria Francisca, de 21, e Dinis, de 18, fruto do seu casamento com D. Duarte Pio, D. Isabel de Bragança acredita que é importante deixá-los seguir os respetivos caminhos, sem grandes imposições, conforme nos contou durante uma conversa que começou pelo propósito do encontro, a apresentação de um livro sobre o ritual do chá, Receitas à Volta do Chá, de Maria Ana Silva Vieira.
– O culto do chá implica um certo ritual, uma determinada rotina. Gosta de rotinas?
A minha vida não tem muita rotina, é um pouco atípica, mas há coisas que faço questão de ter, como tempo para mim, para me cuidar.
– Gosta dos rituais que o chá promove, como as conversas?
No dia a dia é complicado, mas acho importante que se cultive esse tipo de encontros. Hoje em dia, num mundo em que é tudo tão virtual e quase egoísta, é importante que façamos um esforço, porque no fundo o que interessa é estarmos uns com os outros. Acho que a felicidade das pessoas está em partilhar coisas com os outros: vivências, experiências.
– Como mãe, como contraria esse lado virtual que referiu?
Promovo situações em que nos sentemos à mesa a conversar ou fazendo passeios. Por exemplo, quase todos os anos fazemos uma viagem os cinco. E aquele que escolhe o lugar tem de o estudar e explicar aos outros. Acho que tem de haver um pouco de imaginação para ‘apanharmos’ os nossos filhos e amigos com estes ‘truques’ que nos fazem estar juntos.
– Esse será atualmente um dos maiores desafios dos pais: fazer com que os filhos se afastem de telemóveis e afins?
Acho que o grande desafio é dar-lhes condições e ensiná-los a voar e a serem eles próprios. Uma das coisas que os pais por vezes fazem – e eu também – é imaginar para os filhos algo que nem sempre se coaduna com o que eles querem... Tenho aprendido a estar atenta às tendências e aos gostos de cada um dos meus filhos, respeitando-os e encaminhando-os para aquilo que acho que também os pode fazer felizes.
– Para si, foi fácil encontrar esse caminho?
Há alturas mais fáceis e outras mais difíceis, faz parte. E é bom que os filhos queiram a sua independência e tenham ideias próprias. Tenho a sorte de os meus filhos serem pacíficos, mas nós também sempre respeitámos essa parte. Quando se força uma coisa é que podem surgir reações. Sempre lhes disse para estudarem o que gostavam e fazerem mestrado naquilo em que vão trabalhar. Não posso forçá-los a tirar um curso que eu possa achar interessante, pois o futuro é deles. Acho que hoje em dia o grande desafio é não deixar de exigir mas ao mesmo tempo trabalhar na autoestima, para que eles façam coisas com as quais se sintam bem e capazes.
– Eles ainda estão muito ligados a si ou já está cada um no seu caminho?
Aos bocadinhos, vão seguindo as suas vidas. Graças a Deus, falamos muito, e essa é a minha maior alegria. Conversamos muito e talvez por isso seja tudo tão pacífico. Temos de os deixar voar e cair. Ninguém cresce sem sofrer.
– Agora já tem cá os três...

Sim, a minha filha estava em Roma mas já voltou.

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