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João Lima

Paula Lobo Antunes: “não é nada fácil ser abordada na rua pelas pessoas que querem recordar o meu pai”

A antagonista da próxima novela da SIC, “Vidas Opostas”, mostra o seu lado emotivo.

Marta Mesquita
17 de março de 2018, 10:04

Oúltimo ano e meio foi, do ponto de vista emocional, muito duro para Paula Lobo Antunes: em outubro de 2016, a atriz perdeu o pai, o neurocirurgião João Lobo Antunes. Não tem sido fácil para a atriz, de 42 anos, fazer este luto e aprender a viver sem o seu maior conselheiro, contudo, nunca se deixou levar pela tristeza, tentando ao máximo honrar o legado que o pai lhe deixou: não desistir da sua felicidade e fazer aquilo que mais a realiza. E é isso mesmo que Paula tem feito. De oportunidade em oportunidade, tem conquistado o seu lugar na ficção nacional, estando agora a viver um dos maiores desafios da sua carreira. Na nova novela da SIC, Vidas Opostas, com estreia prevista para abril, a atriz dá vida a Aurora, uma antagonista que a tem levado a embrenhar-se em realidades obscuras, a arriscar e a mostrar, mais uma vez, a versatilidade do seu talento.
Apesar de ser muito discreta e reservada, Paula Lobo Antunes sentou-se com a CARAS numa esplanada à beira-rio e abriu as portas do seu universo mais privado e emotivo, no qual o companheiro, o ator Jorge Corrula, e a filha, Beatriz, de cinco anos, são os protagonistas.

Fazer um papel de antagonista é um grande desafio para qualquer atriz...
Os antagonistas são desafiantes para um ator, porque não são papéis lineares. A Aurora é uma personagem complexa e muito rica. O marido dela está na prisão e, para tentar ajudá-lo e manter o seu estilo de vida, acaba por se envolver num esquema ilegal de anabolizantes. Ela é a testa de ferro nesta rede de doping, da qual não irá conseguir sair.
Como é que se preparou para este desafio?
Estudei muito este universo dos anabolizantes. Também vi filmes e peças com personagens que partilham traços de personalidade com a Aurora. Ela é uma lutadora e perfeccionista com uma vida muito negra. Todas as cenas são muito intensas. Só de ler o guião já fico tensa. É mesmo um grande desafio. Quero fazer todas as cenas com muita verdade. Nesta profissão, não temos nada adquirido. Temos de estar sempre a provar que merecemos estar aqui e que conseguimos fazer determinado papel.
E inspirou-se em alguma experiência ou emoção mais pessoal para compor a personagem?
Nós vivemos todo o tipo de emoções até aos 18 anos. Por isso vou ao meu leque de emoções e trabalho a partir daí. Treino a forma da Aurora falar, andar… Há vários métodos de representação e eu tenho usado uma técnica de movimento. Vou adaptando movimentos físicos ao texto.
Sente que com o passar dos anos ficou menos emotiva?
Depende da altura da vida. Acho que não é uma questão de idade. Os anos trazem-nos experiência, mas nada é linear. Hoje conheço melhor as minhas emoções, já não estou tão baralhada como quando tinha 20 ou 30 anos. Estou confortável com os meus sentimentos e não tenho medo de reviver certas emoções. As memórias afetivas têm de ser assuntos resolvidos. Não podemos explorar uma ferida que ainda está aberta. Podemos, sim, tocar numa cicatriz.
Usa essas técnicas para lidar com as suas feridas?
Não. Seria tão bom conseguirmos curar as nossas feridas assim! Mas isso não acontece. As personagens não me ajudam a entender-me melhor.
Ser atriz é apenas a sua profissão ou é mais do que isso?
Para mim, ser atriz não é uma profissão, é um estilo de vida que se reflete na minha maneira de ser. A nossa função enquanto atores é levar as pessoas a sentirem algo.
Por falar em sentir algo, recentemente deu uma entrevista muito emotiva a Daniel Oliveira, no programa Alta Definição, onde contou como viveu a morte do seu pai. Sendo a Paula uma pessoa tão reservada, o que a levou a partilhar uma experiência tão íntima?
Só contei aquilo que poderia ser público. O que é íntimo as pessoas nunca vão saber. Senti que estava pronta para partilhar aquele momento da minha vida. Muitas pessoas agradeceram-me, porque se identificaram com o meu testemunho. Vou confessar uma coisa: ainda tenho umas 300 mensagens por ler no meu Facebook da altura em que o meu pai morreu. Li algumas e percebi, mais uma vez, a sua grandeza. O meu pai salvou e tocou muitas vidas.

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1177 da revista CARAS.
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